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Escala 5x2 x 6x1: os impactos da PEC para o turismo e o comércio

  • Foto do escritor: Tela Tomazeli | Editora
    Tela Tomazeli | Editora
  • há 24 minutos
  • 3 min de leitura

Para o presidente da Agência Visão, Jorge Maldaner, “na prática, a implantação da escala 5x2 no lugar da escala 6x1 vai gerar aumento nos custos trabalhistas, complexidade operacional e provável aumento da informalidade.”



Jorge Maldaner, Presidente da Visão. Foto: Tela Tomazeli

A PEC – Proposta de Emenda à Constituição, que foi aprovada na Câmara dos Deputados em maio/2026 tem gerado muita discussão. O texto encontra-se no Senado Federal. Em seu texto, traz a redução da escala de trabalho de 44 para 40 horas semanais e a garantia de 2 dias de descanso semanal remunerado, preferencialmente dois dias seguidos.


Em sua defesa, os argumentos são de que trará mais saúde ao trabalhador, que poderá usufruir de dois dias de descanso consecutivos, mais tempo para recuperação física e mental, para convívio com a família e para usufruir de lazer, turismo e consumo, o que geraria reflexos positivos na economia, o que é legítimo!


Mas há o outro lado: o impacto para regiões turísticas como a nossa, onde se trabalha os 7 dias da semana em razão da natureza do nosso cliente: enquanto o visitante passeia, nosso destino está pronto para recebê-lo, 7 dias por semana, 365 dias por ano.


“Na prática, a implantação da escala 5x2 no lugar da escala 6x1 vai gerar aumento nos custos trabalhistas, complexidade operacional e provável aumento da informalidade.”



Primeiro, porque a PEC prevê redução de jornada de trabalho com manutenção de remuneração, ou seja, se a empresa precisa trabalhar 7 dias por semana, ela precisa continuar pagando o mesmo valor para quem já trabalha 6x1 e arcar com o custo adicional do colaborador que irá entrar para cobrir o dia adicional de folga implantado pela PEC.


Isto vai gerar uma complexidade por ter que gerir mais pessoas, trabalhar em escalas de trabalho diferentes das atuais, criar escalas novas, enfim, exigirá uma reorganização interna dos negócios.

E a informalidade? Tende a aumentar, pois o colaborador que estiver de folga poderá vislumbrar a oportunidade de fazer um “extra” e reforçar a renda mensal.


Quem será o penalizado?

  • O consumidor, pois será para ele que a conta será repassada, e ele nunca tem para quem repassar.

  • O empreendedor irá recalcular seus custos e repassar no preço.

  • O colaborador comissionado perderá a oportunidade da remuneração variável no dia em que não estiver trabalhando.

  • Os pequenos negócios que não consigam se organizar para fazer frente às novas exigências poderão sucumbir.


Vivemos um apagão de mão de obra: diariamente ouvimos empresários reclamando da carência de mão de obra e, quando se trata de mão de obra qualificada, mais ainda. Se já há ausência de oferta de mão de obra para a jornada de trabalho atual, como será se houver necessidade de contratar ainda mais pessoas?


Comparar o Brasil com outros países que instituíram a escala 5x2 não faz sentido. Temos problemas estruturais que já foram vencidos em outros países, e agora eles podem usufruir deste formato.


O Canadá, por exemplo, tem escala 5x2, mas com renda média de 68 mil dólares canadenses por ano (R$ 251.000,00); já na Alemanha, a renda média é de 45 mil euros por ano (R$ 270.000,00); enquanto no Brasil a renda média do trabalhador em 2025, divulgada pelo IBGE, foi de R$ 40.404,00 (US$ 8 mil) por ano.


O Brasil precisa estabelecer condições estruturais mais adequadas para a atividade empresarial e entender que o melhor programa social que existe é o emprego.


Com condições melhores de logística, segurança fiscal, jurídica e patrimonial, saúde e segurança, todas atribuições governamentais, aliado ao equilíbrio das contas públicas, todos terão ganhos, tanto empresários quanto colaboradores e consumidores, e aí sim todos poderão ter melhor qualidade de vida e de trabalho. Mas não dá para começar pelo fim.

 

Jorge Maldaner

Presidente da Agência Visão



A SABER

Escala 6x1: Lula, Alcolumbre e Motta acertam próximos passos

Lula se reuniu em Brasília com Alcolumbre e Motta nesta quarta-feira (26) e os três definiram que a PEC do fim da escala 6x1 (PEC 221/2019, 40 horas semanais com dois dias de descanso) será votada na semana de "esforço concentrado", entre 31 de agosto e 4 de setembro, última antes das eleições, segundo a Agência Senado.


A proposta está na CCJ do Senado desde 21 de agosto, com o senador Omar Aziz (PSD/AM) como relator. Depois de aprovada ali, ainda precisa de dois turnos no Plenário, com três quintos dos votos. Já havia passado pela Câmara em 27 de maio, conforme a Agência Brasil.




Este conteúdo contou com apoio de inteligência artificial, usada como ferramenta de produção, com apuração e revisão da redação do Gramado Magazine.




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