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Qual o preço para realizar um evento em Gramado?

  • Foto do escritor: Tela Tomazeli | Editora
    Tela Tomazeli | Editora
  • 4 de ago.
  • 5 min de leitura

Leia os projetos na íntegra, que estão na mesa dos vereadores...

Empresários e entidades debatem...

Como fica o "Turismo de Negócios", que tanto tempo levou para ser consolidado e hoje escapa pela falta de estrutura, busca ativa e equipamentos...

E os fornecedores, porque a classe trabalhadora dos eventos é ignorada...



Eventos em Gramado. Foto: Tela Tomazeli



Gramado esqueceu o tamanco

Eu não


Eu me construí, e construí muitas pessoas, através dos eventos. Esse segmento sempre foi um dos ativos mais importantes para a consolidação financeira de Gramado, seja para as empresas, seja para os fornecedores.


Eu fui aluna e fui professora. Meu curso de formação em Turismo, premiado no RS, foi sobre isso: o trabalho em eventos. A consolidação da excelência começava por ali. Não era permitido fazer eventos sem ter curso de receptivo, sem fazer tour turístico, sem conhecer a história de Gramado e Canela.

Postura, tipologia das pessoas, "não traga seu problema, estamos aqui para resolver". Sua voz ao telefone não difere de estar presente, a pessoa sente do outro lado da linha.


Primeiros socorros. Eu trabalhei recebendo congressistas vestida de canarinho no Aeroporto Salgado Filho, fiz desfile e passeios com as acompanhantes, montei estrutura para organização do material, executei protocolos do Covid. Não era possível trabalhar sem vir na reunião, pois na hora de atender o evento, a palavra "não sei" nunca podia ser dita.


Tudo o que eu sou e tenho, foram os eventos, feiras e congressos que me trouxeram. Tinha momentos em que não havia agenda vazia. Hoje, a cidade vive uma ociosidade corporativa', porque colocou um salto alto e faz desdém do corporativo, "se quiser vir, paga". A desculpa é que não tem equipamento. Pois é, até isso foi deixado de lado. Ano passado, fiquei me questionando sobre o tal B2B. Senhores e senhoras, as coisas vão de mal a pior e, agora, querem cobrar para que os congressos e feiras sejam realizados na cidade.


O turismo de negócios e eventos não é um detalhe secundário na economia de um destino, é um dos pilares que sustentam a cidade fora da alta temporada. Enquanto o turista de lazer segue calendário de férias e feriados, o turista de eventos movimenta hotéis, restaurantes, comércio e prestadores de serviço em qualquer mês do ano, gerando empregos diretos e indiretos, capacitação de mão de obra e arrecadação constante. Foi esse fluxo, sustentado por congressos, feiras e convenções, que por décadas garantiu ocupação hoteleira mesmo fora do período de veraneio ou do Natal Luz, e foi ele que formou gerações de profissionais, como quem escreve este texto.


Tela Tomazeli



Leia matéria com opinião das entidades e empresários Acontece Gramado

A Prefeitura de Gramado protocolou na Câmara de Vereadores, em 10 de julho, o Projeto de Lei nº 042/2026, que estabelece novas regras para a emissão do Alvará de Licença de eventos temporários realizados no município. A proposta, de autoria do Executivo e assinada pelo prefeito Nestor Tissot, também cria o Conselho de Eventos, órgão que vai atuar na organização, no licenciamento e na fiscalização dessas atividades na Serra Gaúcha.




O que muda para quem organiza eventos

Pelo texto, ficam sujeitos à nova lei os eventos temporários dirigidos ao público em geral, com ou sem venda de ingressos, promovidos pela iniciativa privada em Gramado. Casamentos, noivados, aniversários e formaturas continuam de fora da exigência, por serem tratados como eventos sociais.


Já as atividades organizadas pela própria Prefeitura ficam dispensadas do alvará específico, mas seguem obrigadas a cumprir as legislações ambiental, sanitária, de segurança contra incêndio e de direitos autorais.


O projeto define como evento temporário toda atividade com duração de até 180 dias, somando montagem e desmontagem. Entram nessa lista congressos, feiras, shows, festivais, competições esportivas, rodeios e eventos de entretenimento e lazer, entre outros.



Alvará dividido por porte do público

A proposta separa os eventos em três categorias, conforme a expectativa de público. Pequeno porte reúne até 300 pessoas, médio porte vai de 301 a 1.000 participantes e grande porte abrange públicos acima de 1.000 pessoas.


O pedido de licença precisa ser feito com até 30 dias de antecedência à Secretaria Municipal da Fazenda, que passa a concentrar a análise documental. Quem não observar esse prazo corre o risco de ter o pedido indeferido de ofício.


Eventos menores, de até 300 pessoas, podem ser dispensados da documentação completa desde que não envolvam montagem de estruturas temporárias, uso de via pública, contratação de serviços como som e luz, cobrança de ingressos ou publicidade externa. Nesses casos, basta um comunicado simplificado protocolado no mesmo prazo de 30 dias.




Fiscalização e atendimento médico em eventos maiores

O texto prevê que agentes municipais poderão realizar vistorias no local dos eventos para verificar o cumprimento das exigências. Irregularidades podem levar à exigência de correções ou até à revogação do alvará já concedido.


Eventos com maior concentração de público também precisarão apresentar um Plano de Atendimento Médico Pré-Hospitalar e de Remoção, com equipe de enfermagem, médico e ambulância disponíveis durante toda a atividade. A exigência varia conforme o tipo de evento.


Competições e apresentações esportivas entram na regra a partir de 300 pessoas. Espetáculos, como shows, festas e festivais, precisam do plano médico acima de 500 participantes. Para os demais tipos de evento, incluindo eventos técnicos, científicos, exposições e culturais regionais, o limite é de mais de 1.000 pessoas, o mesmo patamar exigido para eventos de natureza política, sindical, comunitária ou religiosa. A fiscalização desse item ficará a cargo da Vigilância Sanitária da Secretaria da Saúde.


Quem promover evento sem alvará, ou descumprir as condições autorizadas, está sujeito a multa gravíssima e à interdição da atividade, conforme o Código Municipal de Posturas de Gramado.




Conselho de Eventos passa a decidir sobre licenças de maior impacto

Outro ponto central do PLO 042/2026 é a criação do Conselho de Eventos, presidido pela Secretaria Municipal de Turismo e formado por representantes de secretarias municipais, da Gramadotur e de entidades privadas do turismo regional, como ABRASEL, CDL, APASG e o Convention & Visitors Bureau da Região das Hortênsias.


Caberá ao colegiado avaliar a viabilidade de eventos temporários de médio e grande porte, dirimir conflitos entre atividades marcadas para o mesmo período e mesma região, além de auxiliar na construção do calendário estratégico de eventos do município. As decisões do Conselho poderão ser recorridas em até dez dias, com palavra final do prefeito.




Justificativa: unificar licenciamento e arrecadação

Segundo a justificativa que acompanha o projeto, a proposta busca resolver um problema de integração entre o licenciamento de eventos, hoje sob a Gramadotur, e a arrecadação e fiscalização tributária, que são atribuições da Secretaria da Fazenda. Essa divisão, aponta o texto, vinha gerando entraves burocráticos tanto para promotores quanto para o município.


Com a nova lei, o licenciamento volta a ser centralizado na Secretaria da Fazenda, unificando análise documental, cobrança e fiscalização em um único órgão. O projeto também revoga a Lei nº 1.913, de 2002, que tratava do tema até então, e atualiza as exigências de atendimento médico para eventos com aglomeração de público conforme as portarias vigentes do Ministério da Saúde.


Se aprovado pela Câmara de Vereadores, o novo marco legal passa a valer a partir da data de publicação, e deverá ser regulamentado por decreto do Poder Executivo naquilo que for necessário.



Leia o Projeto, clicando no PDF:




O Projeto de Lei Ordinária nº 45/2026, proposto pelo Executivo Municipal de Gramado, institui a Contrapartida Financeira de Impacto Turístico (CFIT) para eventos temporários privados de médio e grande porte realizados durante grandes festivais da cidade. O objetivo é garantir que promotores privados contribuam para os custos gerados pelo aumento de visitantes nessas datas.


Os valores arrecadados serão investidos em melhorias como sinalização, limpeza e apoio ao turista, beneficiando tanto moradores quanto visitantes e estimulando um turismo mais organizado e sustentável.



Leia o Projeto completo, clicando no PDF.





 

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