Quem é você, aos próprios olhos?
- Psicanálise em Conversa I Dr. Mauricio Bolzan

- há 24 minutos
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De uma hora para outra, me deparo em uma sociedade onde todas as pessoas são honestas. Ninguém sequer imagina a possibilidade de enganar ou ser enganado, constranger intencionalmente ou pegar algo que não lhe pertence. Junto com isso, porém, vem uma certa inocência, já que não existe a expectativa de maldade ou de enganação. Se eu disser que paguei a conta, ou que entreguei o trabalho na faculdade ou o relatório no trabalho, sem tê-lo feito, não serei questionado quanto à isso. Vão considerar que houve algum erro, que o pagamento não foi registrado e que o trabalho acabou sendo de alguma maneira extraviado.
E se, no meu lugar, estiver você?
De repente, você se depara com essa realidade. Será justo e honesto ou aproveitará as oportunidades? Afinal, não existe previsão de punição, porque ninguém espera que outra pessoa faça intencionalmente algo que possa prejudicá-la.
Esse tema já foi explorado pela arte, por filmes, livros, músicas e muito debatido pela filosofia. A banda Capital Inicial cantou:
“O que você queria fazer se ninguém pudesse te ver…”
E é justamente quando não estamos sendo avaliados e vistos que o caráter é colocado à prova ou melhor, que ele se revela. Os olhares alheios nos pressionam em busca de aprovação. Desde cedo aprendemos que existem comportamentos esperados, regras que devemos seguir e limites que não devemos ultrapassar.
Pode ser até mais fácil agir conforme a sociedade determina, obedecendo às normas, às leis e às expectativas daqueles que nos cercam. Agir conforme a cultura e a moral do momento. Mais difícil é fazer o que considera correto mesmo quando não tão bem visto na cultura atual, no ambiente atual.
Existe uma diferença importante entre agir corretamente porque tememos as consequências, e agir corretamente porque reconhecemos aquela ação como coerente com aquilo que acreditamos, mais conectado com a ética.
É aqui que a psicanálise pode nos oferecer uma perspectiva interessante. Freud descreveu o aparelho psíquico a partir de três instâncias: id, ego e superego. O id está relacionado às pulsões e busca satisfação; o superego incorpora exigências, proibições e ideais, funcionando também como uma instância crítica e moral; e o ego procura mediar essas demandas entre o mundo interno e a realidade externa. Essa formulação foi sistematizada por Freud em O ego e o id, de 1923. Um ego amadurecido é capaz de tomar decisões sensatas, procura ajustar as diferentes exigências, considerando as condições da realidade externa, ou seja, do ambiente.
Não há uma concordância universal sobre o que afinal é certo e justo, bom e mau. Filósofos discutem isso há séculos. Não existindo esta régua universal sobre as ações, cada sujeito precisa posicionar-se diante de suas escolhas e responder por elas.
Mas a decisão sobre ser honesto, justo, e ser coerente entre palavras e atitudes revela a identidade do indivíduo perante o grupo no qual vive. Estaríamos realizando ações injustas pensando estar certas? Afinal, que régua estamos seguindo para nortear nossas avaliações e julgamentos? Quem são os outros aos nossos olhos? Quem somos nós aos próprios olhos?
Nesta coluna, o psicólogo Dr. Mauricio Bolzan, compartilha reflexões sobre os vínculos humanos e os desafios emocionais que atravessam diferentes fases da vida. O conteúdo aqui colocado, é de inteira responsabilidade do colunista.
Dr. Maurício Bolzan Psicólogo | Psicanálise – CRP 07/42791
Atende crianças, adultos e idosos. Gestantes, bebês e futuros pais. Especialista na relação entre pais e bebê.
Atendimento presencial em Gramado/RS e Canela/RS, também disponível online.
Telefone: 54 99170 2020






















































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