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Documentário "Linhas da Terra e do Tempo" registra a história e o protagonismo das mulheres da lã em Cambará do Sul

  • Foto do escritor: Tela Tomazeli | Editora
    Tela Tomazeli | Editora
  • há 7 horas
  • 4 min de leitura


Segundo mapeamento recente da Emater/RS-Ascar e do Programa Gaúcho do Artesanato, as mulheres representam cerca de 87% de toda a força de trabalho artesanal no Rio Grande do Sul. No segmento específico da lã ovina, a região da Campanha gaúcha desponta como o principal polo do estado, concentrando oficialmente 91 artesãs distribuídas por 16 municípios. Em âmbito nacional, os dados do Sistema de Informações Cadastrais do Artesanato Brasileiro apontam que as mulheres lideram com folga o setor, compondo 75% de todos os profissionais cadastrados no país, convertendo técnicas tradicionais de fiação e tecelagem em arranjos produtivos de independência financeira.



Linhas da Terra e do Tempo" realiza gravações em Cambará do Sul nos dias 15, 16 e 17 de julho, com o objetivo de registrar a rotina, as memórias e a força das artesãs que transformam a lã em símbolo de independência e resistência cultural no Rio Grande do Sul.
Linhas da Terra e do Tempo" realiza gravações em Cambará do Sul nos dias 15, 16 e 17 de julho, com o objetivo de registrar a rotina, as memórias e a força das artesãs que transformam a lã em símbolo de independência e resistência cultural no Rio Grande do Sul. Foto: Divulgação

Por: Tela Tomazeli

Editoria: Eventos & Cultura



CAMBARÁ DO SUL - Com direção de Tatiana Lohmann e produção da Gloriosa Filmes, o longa-metragem resgata a tradição do artesanato e a resistência feminina no Pampa gaúcho, com lançamento previsto para 2027.

 

A equipe do longa-metragem documental "Linhas da Terra e do Tempo" realiza gravações em Cambará do Sul nos dias 15, 16 e 17 de julho, com o objetivo de registrar a rotina, as memórias e a força das artesãs que transformam a lã em símbolo de independência e resistência cultural no Rio Grande do Sul. Dirigido pela cineasta carioca Tatiana Lohmann, conhecida por seu trabalho em "SLAM: Voz de Levante", e com produção executiva assinada por Kátia Samara, o filme é produzido pela Gloriosa Filmes e tem seu lançamento programado para o ano de 2027.


A produção busca valorizar e resgatar toda a cadeia produtiva da lã no estado, documentando os sentimentos, as ideias e o trabalho contínuo de cerca de 20 personagens marcantes desde o ano passado. No território dos Campos de Cima da Serra, o documentário conta com a participação ativa da comunidade tradicional Povo dos Peraus. Uma das integrantes do grupo, Maribel Edira Klipel da Silva, compartilha na obra sua trajetória de vida e o aprendizado herdado de sua mãe desde a infância, um ofício que permanece vivo na rotina de quase todos os seus irmãos. Para Maribel, a oportunidade de ver essa lida representada na tela é gratificante, destacando a beleza de saber que o trabalho local será assistido por um grande público no futuro.

 


Cultura, identidade e gênero no Pampa

Além de mapear o artesanato regional, o documentário propõe uma reflexão profunda sobre as estruturas sociais do ambiente rural gaúcho. De acordo com a diretora Tatiana Lohmann, a narrativa aborda o artesanato da lã sob a perspectiva de histórias de mulheres que conquistam a valorização de suas atividades após longos períodos de reivindicação. A cineasta ressalta que o projeto capta dferentes faces da mulher gaúcha no momento em que elas repensam seus papéis de gênero na sociedade, transformando o ato de trançar, costurar e bordar em ferramentas de fortalecimento civil e pessoal na Campanha e na Fronteira Sul do estado.


O aspecto visual e técnico do documentário é conduzido pelo diretor de fotografia Edu Rabin, que registra as paisagens naturais de nove localidades distintas e o cotidiano das trabalhadoras. O filme detalha minuciosamente cada etapa do manejo da lã, englobando os processos de tosquia, limpeza, lavagem, molho, secagem ao sol, pentear, fiar, além do uso da roca e do tear para a confecção de produtos com variadas formas e cores. Os instrumentos empregados na manufatura trazem marcas históricas que se unem às memórias das artesãs, expressando um estilo de vida singular.

 


Itinerário de gravações e apoio institucional

O cronograma de filmagens percorre múltiplos pontos do território gaúcho. Antes de chegar a Cambará do Sul, a equipe grava em Lavras do Sul nos dias 11 e 12 de julho, e em São Miguel das Missões nos dias 13 e 14 de julho. Em agosto, os trabalhos prosseguem no município de Pinheiro Machado. O projeto "Linhas da Terra e do Tempo" conta com o patrocínio do Nubank, por meio da Agência Nacional do Cinema (Ancine) e da Lei do Audiovisual, realizado em parceria com a associação Lãs do RS.

 


Ficha Técnica

  • Direção: Tatiana Lohmann

  • Produção Executiva: Kátia Samara

  • Direção de Fotografia: Edu Rabin

  • Empresa Produtora: Gloriosa Filmes

 


Entrevistados do Documentário 

Dalva Mothci (São Miguel das Missões), Eva Eli Kuffner (São Borja), Ana Rosenéia Nunes (São Gabriel), Nara Teresinha (Guaritas em Minas do Camaquã em Caçapava do Sul), Serley Werne Rodrigues, André Batista, Maria Zenaide Batista, Neuza Claudine Batista (Lavras do Sul), Ana Cândida e Clair Schneid Luiz (Bagé), Tânia Fadel Furtado (Pinheiro Machado), Carmem Lucia Pinto e Jacy Maria da Silva (Jaguarão), Julietinha Goreth da Costa (Mostardas) e Povo dos Peraus (Cambará do Sul).



Linhas da Terra e do Tempo" realiza gravações em Cambará do Sul nos dias 15, 16 e 17 de julho, com o objetivo de registrar a rotina, as memórias e a força das artesãs que transformam a lã em símbolo de independência e resistência cultural no Rio Grande do Sul. Foto: Divulgação
Linhas da Terra e do Tempo" realiza gravações em Cambará do Sul nos dias 15, 16 e 17 de julho, com o objetivo de registrar a rotina, as memórias e a força das artesãs que transformam a lã em símbolo de independência e resistência cultural no Rio Grande do Sul. Foto: Divulgação


Dados oficiais da Cadeia do Artesanato em Lã

No Rio Grande do Sul (Geral)

O estado é o líder nacional no registro de novos artesãos. O Programa Gaúcho do Artesanato possui mais de 40 mil artesãos ativos cadastrados com a Carteira Nacional. Desse total, as mulheres representam a esmagadora maioria, respondendo por cerca de 87% de toda a força de trabalho artesanal gaúcha.



O recorte específico da lã ovina

De acordo com o mapeamento temático realizado pela Emater/RS-Ascar, o polo de maior concentração da fiação e tecelagem tradicional de lã ovina está na região da Campanha e Fronteira Sul, que contabiliza oficialmente 91 artesãs formalizadas e distribuídas por 16 municípios (como as cooperativas e associações de Lavras do Sul e Bagé citadas no documentário). Há também núcleos menores mapeados na Serra, nos Campos de Cima da Serra e na região de Santa Rosa.



No Brasil

No cenário nacional, gerido pelo Sicab (governo federal), o artesanato têxtil baseado em fibras naturais e fios (onde a lã se insere regionalmente no Sul) é uma das cinco maiores tipologias do país. As mulheres lideram o setor em âmbito nacional, compondo 75% dos quase 800 mil artesãos oficialmente inseridos no cadastro nacional.



                             

 

 

 

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