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A origem das hortênsias em Gramado e o movimento que resgata sua essência

  • Foto do escritor: Tela Tomazeli | Editora
    Tela Tomazeli | Editora
  • há 1 hora
  • 5 min de leitura

7 de julho, Dia da Hortênsia em Gramado


7 de julho, Dia da Hortênsia em Gramado, RS. Foto: Tela Tomazeli
7 de julho, Dia da Hortênsia em Gramado, RS. Foto: Tela Tomazeli




Por: Tela Tomazeli

Editoria: Notícias Locais



Quem trouxe a primeira flor oficial, da Família Real Brasileira

Foi o casal Leopoldo e Osvaldina Lied quem trouxe as primeiras mudas de hortênsia para Gramado, RS, vindas de Petrópolis, no Rio de Janeiro, onde a flor era considerada oficial da Família Imperial brasileira. Depois, se espalharam pelos municípios da serra. Décadas mais tarde, aquelas mudas se transformaram no símbolo mais reconhecido de Gramado, presente no brasão da cidade, na bandeira, no nome popular "Jardim das Hortênsias" e em uma data comemorativa própria. Nesta terça-feira, 7 de julho, Gramado celebra o Dia da Hortênsia, uma homenagem à flor que ajudou a moldar a vocação turística do município.

 




O Rei das Hortênsias

Se as primeiras mudas chegaram pelas mãos do casal Lied, foi Oscar Knorr quem transformou a flor em paisagem e em atração turística. Antigo morador de Porto Alegre, Knorr pretendia construir uma casa em Canela quando, durante uma viagem de trem, conheceu Leopoldo Rosenfeldt, que sugeriu que ele conhecesse Gramado antes de seguir viagem.


A visita mudou os planos. Encantado com o Vale do Quilombo, Knorr comprou cinco hectares de terra e ali construiu o Parque Knorr, em estilo bávaro, com vista para o vale. Antes de plantar as hortênsias, mandou desmatar as macegas existentes e introduziu espécies exóticas como cedro do Líbano, pinheiro-selvagem e araucárias. Depois vieram as hortênsias, plantadas em grande quantidade tanto no parque quanto nas margens das rodovias que davam acesso à cidade, formando o cenário azulado que ficou associado à imagem de Gramado.


Ele morreu em 14 de dezembro de 1971, aos 79 anos, justamente na época em que as hortênsias estavam floridas. Depois de sua morte, o Parque Knorr foi comprado pela Varig e recentemente foi adquirido pela em presa Prawer.

 





O brasão e a bandeira: os símbolos oficiais

A importância da hortênsia para a identidade de Gramado está registrada oficialmente no brasão da cidade, criado pelo historiador Walter Spalding e esculpido em madeira pelo artesão Kleppa. O escudo, de influência portuguesa, é dividido em cores prata, verde e negro, representando o Vale do Quilombo e suas elevações geográficas.


Nele aparecem também um pinheiro estilizado e três andorinhas em negro, símbolo do viajante que retorna sempre ao mesmo destino de veraneio, em referência ao caráter migratório do turismo. Dois terços do escudo trazem uma casa de três pisos, representando a hotelaria, e uma serra manual atravessada por um pincel e um martelo dourados, símbolo do artesanato local. Uma moldura de ouro traz a inscrição "Gramado, Jardim das Hortênsias, Capital do Turismo do Rio Grande do Sul". No topo, uma coroa mural de três torres representa hospedagem e amizade, e um ramo de hortênsias fecha a composição.


A bandeira do município segue a mesma lógica simbólica, com três panos nas cores azul, amarelo e verde, remetendo às cores do Rio Grande do Sul e do Brasil. O verde representa as matas e paisagens da cidade, o amarelo simboliza a indústria, o comércio e o artesanato local, e o azul faz referência direta à hortênsia.

 




A Festa das Hortênsias

Maria do Carmo Benetti e Tela Tomazeli, vestidas de hortênsia, no concurso de Rainha. Arquivo pessoal
Maria do Carmo Benetti e Tela Tomazeli, vestidas de hortênsia, no concurso de Rainha. Arquivo pessoal

A relação entre Gramado e a flor ganhou um capítulo à parte com a criação da Festa das Hortênsias. A ideia partiu do então prefeito Walter Bertolucci, que administrou o município até 1960 e via nas hortênsias do Parque Knorr o potencial para impulsionar o turismo local, ainda sem infraestrutura consolidada na época.


Walter Bertolucci, Oscar Knorr e o jornalista Ramayana, do Correio do Povo, uniram forças para organizar o evento, que teve sua trajetória iniciada ainda no Lago Joaquina Rita Bier antes de se firmar no Parque Knorr. A primeira Festa das Hortênsias aconteceu nos dias 7 e 8 de dezembro de 1958, com grande cobertura da imprensa estadual e registro em filme pela Brasil Filmes, sob produção de Odilon Lopes, material que posteriormente se perdeu.


O evento teve formato de garden party, com apresentações de bailarinas do grupo de Lia Bastian Mayer sobre um tablado de madeira montado na grama do parque, além de apresentações dos CTGs Manotaço, de Gramado, e Querência, de Canela. O encerramento da festa, no dia 7, ficou por conta do próprio Oscar Knorr, que tocava gaita e contagiava o público com sua animação.


 


Carrieri, Gramado. Foto: Tela Tomazeli
Carrieri, Gramado. Foto: Tela Tomazeli


Uma trajetória que virou identidade

Da chegada das primeiras mudas à consolidação de um símbolo oficial, a hortênsia acompanhou a transformação de Gramado de uma pequena localidade serrana em um dos principais polos turísticos do Rio Grande do Sul. Neste 7 de julho, Dia da Hortênsia, a cidade celebra não apenas uma flor, mas a história de quem a plantou, cultivou e transformou em parte da própria identidade gramadense.


Fontes: livro "Gramado, o Lago, as Hortênsias e o Turismo", de Iraci Casagrande Koppe; Jornal Folha da Tarde; Jornal Zero Hora (Marta Gleich, 9/8/1989).

 





Visita ao Horto Municipal de Gramado, como acontece a poda e o plantio da hortênsia. Entrevista com Marcio Potratz.


Projeto Hortênsias resgata a essência de Gramado e aposta na educação para manter viva a tradição da cidade


O Projeto Hortênsias nasceu como um movimento voltado a resgatar a essência de Gramado, tendo a hortênsia como símbolo maior dessa identidade. Lançado durante o 37º Festuris/25, o projeto busca reconectar moradores e visitantes com a história que deu origem ao turismo local, reforçando o sentimento de pertencimento da comunidade em relação às suas raízes.


A idealização do projeto é da empresária Beatriz Gehlen, que também atua como embaixadora da iniciativa. A curadoria está sob responsabilidade de Luciana Thomé, enquanto a realização é assinada por Rossi & Zorzanello. O Horto Municipal de Gramado também integra a iniciativa, sendo responsável pela produção das mudas que sustentam o movimento.


O projeto se estrutura em diferentes frentes de atuação. Uma delas é o plantio simbólico de hortênsias em pontos estratégicos da cidade, reforçando visualmente a presença da flor no cotidiano gramadense. Outra frente, talvez a mais estratégica a longo prazo, é a integração com a rede de ensino municipal. Estudantes têm participado diretamente de plantios, oficinas educativas e atividades pedagógicas relacionadas à flor símbolo da cidade. Como desdobramento dessa vertente educativa, está prevista a produção de um livro infantil e de um jogo pedagógico, ambos voltados a ensinar as crianças sobre a história e o significado da hortênsia para Gramado.


Mais do que uma ação pontual, o Projeto Hortênsias se apresenta como um movimento de longo prazo, que une passado, presente e futuro da identidade gramadense, apostando na educação como caminho para manter viva, nas próximas gerações, a essência que fez de Gramado a cidade que é hoje.



7 de julho, dia da Hortênsia em Gramado, RS. Foto: Tela Tomazeli
7 de julho, dia da Hortênsia em Gramado, RS. Foto: Tela Tomazeli


19 Anos
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