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Vivências de Galpão: Gramado é selecionada para transformar a tradição gaúcha em experiência turística

  • Foto do escritor: Tela Tomazeli | Editora
    Tela Tomazeli | Editora
  • há 20 horas
  • 5 min de leitura


Na origem do nome, do CTG Manotaço, a palavra manotaço vem do 'levante que o cavalo dá, com uma ou as duas patas dianteiras". Foto: Tela Tomazeli
Na origem do nome, do CTG Manotaço, a palavra manotaço vem do 'levante que o cavalo dá, com uma ou as duas patas dianteiras", veja imagem na bandeira. Foto: Tela Tomazeli

Por: Tela Tomazeli

Editoria: Notícias Locais


Gramado acaba de entrar oficialmente em um projeto que promete mudar a forma como a cidade recebe quem busca cultura gaúcha de verdade. O CTG  Manotaço foi uma das entidades selecionadas para integrar o Vivências de Galpão uma iniciativa que tem em seu intuito qualificar tradicionalistas para desenvolver e oferecer experiências turísticas voltadas à tradição e à cultura gaúcha.

 


Um projeto piloto com força de política pública

O Projeto Vivências de Galpão é uma realização do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) e da Secretaria de Turismo do Estado (Setur-RS). Posteriormente, foi estruturado um edital para selecionar as entidades participantes da primeira edição do projeto, com o objetivo de garantir representação de 30 regiões tradicionalistas do Rio Grande do Sul. Ao todo, 183 entidades se inscreveram. Na 27ª região, foi o CTG Manotaço quem garantiu vaga, representando Gramado ao lado de cidades como Canoas, Porto Alegre, Pelotas, Santa Maria, Uruguaiana e outras 24 localidades espalhadas pelo Estado.


O projeto é tratado pelos organizadores como piloto, com a expectativa de que o modelo permanente a partir do próximo ano. Cada entidade selecionada recebe investimento de 50 mil reais para qualificação do espaço físico, além de capacitação intersetorial e apoio técnico da Secretaria Estadual de Turismo para o planejamento das atividades.

 


Como funciona a qualificação das entidades

Na primeira fase, as entidades passam por sensibilização para o turismo, com visita técnica de avaliação do espaço e da comunidade, seguida de módulos sobre como transformar elementos da cultura gaúcha em oportunidades econômicas sustentáveis e sobre gastronomia gaúcha, com técnicas culinárias, manipulação de alimentos e apresentação de pratos. A segunda fase, conduzida pelo Senac, foca em empreendedorismo, plano de negócios e plano de marketing, incluindo a montagem de um banco de fotos e vídeos de cada entidade. A terceira fase é dedicada à formatação da experiência turística propriamente dita, com validação da proposta e teste piloto da atividade. Já a quarta fase oferece consultoria técnica especializada para a elaboração de projetos e para a captação e aplicação de recursos financeiros.


Em contrapartida, cada entidade participante assume compromissos: participar dos treinamentos propostos, articular-se com a comunidade local, levar a experiência turística desenvolvida para pelo menos um evento de abrangência regional, estadual ou nacional, e realizar no mínimo 300 pesquisas de perfil dos turistas recebidos. O projeto é acompanhado por turismólogas do MTG, em Gramado está a frente Natália Medeiros.

 


Gramado, uma cidade que vende histórias

O secretário de Turismo do município, Ricardo Bertolucci Reginato, apresentou um panorama de como Gramado se posiciona hoje no mercado turístico nacional. Ele lembrou que a cidade ocupa o terceiro lugar entre os destinos da América Latina no Best of Awards e acumula títulos como melhor destino de inverno do Brasil, referência para o público LGBTQIA+, melhor destino de lua de mel e uma das dez cidades mais queridas do país segundo uma das maiores operadoras multinacionais em atuação no Brasil.


Os números apresentados reforçam o tamanho da estrutura turística da cidade: cerca de 29 mil leitos hoteleiros oficiais, sem contar hospedagens via Airbnb, para uma população de 42 mil habitantes, mais de 75 atrações turísticas e acima de 300 restaurantes. O secretário defendeu que o turismo de Gramado precisa deixar de ser só promoção e passar a pensar também na construção da cidade, com curadoria para evitar saturação turística e atração de investimentos que ampliem o tempo de permanência dos visitantes.


Ele apresentou ainda o conceito de marca territorial que a Secretaria de Turismo vem desenvolvendo desde um projeto batizado de Place Brain: a ideia de que Gramado não compete apenas por atrativos físicos, mas por lembrança e por história. A frase que resume esse posicionamento, segundo ele, é que Gramado é o destino brasileiro onde cada visitante vive uma história.

 


Memória, afeto e o motivo pelo qual as pessoas voltam

A parte conceitual do encontro, realizado na sede campestre do CTG Manotaço, em 8 de julho,  coube à designer Fernanda Medeiros, sócia-fundadora da “Ardo – Studio de Comunicação é Emoção”. A palestra, entre várias abordagens, mostrou como a forma de receber as pessoas, a identidade dos espaços e as emoções despertadas em cada visita ajudam a transformar um simples local em um destinos que permanece na memória de quem passa por ele.

Um lugar não se torna especial apenas pelo que oferece, mas pelas experiências que proporciona e pelas lembranças que deixa”, destacou a palestrante.

 


Uma casa que nasceu junto com a cidade

O momento mais emotivo do encontro ficou por conta da própria história do CTG Manotaço, contada por integrantes da diretoria e por presentes na apresentação. O CTG nasceu em 15 de março de 1955, apenas três meses depois da emancipação política de Gramado, em 15 de dezembro de 1954, pelas mãos do Tio Lúcio Petersen. É, inclusive, mais antigo do que o próprio MTG, fundado no ano de 1966. A entidade surgiu de um grupo de 15 amigos e hoje é comandada por uma nova geração, incluindo integrantes que são bisnetos dos fundadores.

 

Participantes relembraram um período em que o CTG recebia turistas semanalmente sem cobrar nada, nos anos 1990, em um ambiente de chão batido e fogo de chão, com rodas de chimarrão, causos e música. A entidade também é responsável pelo segundo evento mais antigo de Gramado, o Rodeio Nacional, que este ano chega à 47ª edição em fevereiro, atrás apenas do Festival de Cinema em tradição. Durante décadas, o CTG também foi o point dos grandes churrascos do Festival de Cinema, recebendo artistas e equipes de produção para noites gaúchas dentro do próprio galpão.


A atual sede campestre, batizada de Chico Rodrigues, ex-proprietário das terras, também tem sua própria história. Nasceu de um improviso, quando a entidade precisou transferir suas atividades do centro da cidade para a área campestre por questões de vizinhança, e foi ampliada aos poucos, entre 2010 e 2011, por integrantes como o senhor Itacir Dutra que ergueram parede por parede até transformar o antigo galpão rústico na atual sede social do CTG.

 


O que vem a seguir

Com a etapa de sensibilização iniciada, o CTG Manotaço segue agora para as próximas fases de qualificação previstas no cronograma do Vivências de Galpão, com apoio técnico do Estado, do MTG e do Senac, além do acompanhamento da Prefeitura de Gramado através das secretarias de Turismo e Cultura. A expectativa da entidade e dos organizadores é oferecer as primeiras experiências estruturadas ao público a partir do segundo semestre deste ano.



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