Os verões do inverno
- Romeo Ernesto Riegel | Crônica

- há 3 horas
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Alguns saudosistas, mais interessados no que foi do que com o que virá, desmancham-se em lamúrias, tristes porque a neve não existe mais por aqui. E nós sofremos com isso, pela solidariedade e respeito às opiniões de conterrâneos que pensam e sentem a cidade, embalados por emoções diferentes.
Aconteceu, porém, que a Natureza mudou, mas não mudaram os benefícios que os céus costumam a oferecer a Gramado. Provavelmente, por influência de São Pedro o gramadense mais influente que vive junto na Deus, nossos invernos foram agraciados com amenas temperaturas, às vezes, até coloridas com peculiares e românticos calorões. Com isso, Gramado trocou apenas uma por outra beleza.
Os incômodos congestionamentos provocados pelos antigos acúmulos de neve, escondendo quadros de centenários encantos, agora dão ao inverno a ímpar possibilidade de oferecer quase tantas flores quanto o verão. Turistas entronchados em roupas que nem sempre sabiam usar direito, agora desfilam sua alegria em roupas igualmente belas e perfeitamente compatíveis com o aquecimento global que aflige tristemente lugares fora de Gramado e que aqui se cobre de suave romantismo.
Outra peculiaridade dos atuais tempos invernais é que velho perdeu o medo do mês de agosto, pois as pneumonias que os levavam para o céu nessa época do ano tornaram-se possibilidades de todo improváveis. Por isso, aquecendo seu imaginário com temperos parisienses, os heroicos fundadores do nosso Festival de Cinema vivem a doçura de suas glórias sem medo de hospital. E Gramado homenageia seus ilustres convidados com gratidão e honra oferecendo-lhes, como tributo, pedaços de verão em pleno inverno.
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