Leo Stockinger expõe esculturas no Museu do Paço, em Porto Alegre
- Tela Tomazeli | Editora
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A mostra "Depois de 1000 anos", do escultor Leo Stockinger, abre no sábado (1º), às 11h, no Museu de Arte do Paço, em Porto Alegre.

Sete obras em madeira e aço
Radicado há 20 anos em Sydney, na Austrália, o artista porto-alegrense ocupa três salas do museu com sete obras de grande porte, construídas manualmente ao longo dos últimos meses durante sua temporada na cidade. As peças, que medem de 2 a 3 metros de altura, tiveram os desenhos concebidos pelo artista em seus cadernos de estudos há mais de uma década. Trata-se da terceira individual de Leo, com curadoria de Bernardo José de Souza.
Um percurso em três atos
O segundo andar do Paço Municipal foi dividido em três momentos. Na primeira sala, obras de grandes formatos e iluminação dramática conduzem o espectador. O segundo ato apresenta mais duas esculturas.
"A madeira agora resiste, esta tensionada em seu momento de simbiose com o aço", complementa o artista.
O terceiro ato traz uma peça em que o jogo de luz assume o tempo como matéria, dando à escultura um papel ativo. O título da exposição remete à resistência da matéria em um mundo de transformações, em diálogo com o clássico do cinema italiano "Deserto Rosso", de Michelangelo Antonioni.
Materiais e influência familiar
Formado em 2009 pela National Art School de Sydney, Leo trabalha com mármore, colas, pregos, ferro, bronze, aço e madeira. Em 2012, formou-se no TAFE como técnico em fabricação de metais e, posteriormente, qualificou-se como operador de alto risco em segmentos ligados à construção civil. Em sua obra mais recente, aplica também a técnica apurada do avô, o artista Xico Stockinger, com quem aprendeu a soldar com personalidade e orgulho, misturando materiais e linguagens.
"A madeira ergue-se altiva, como o elemento vivo que é desapropriada da própria natureza. Explorada, agora assume nova vida. Aliada ao metal, aço carbono, como uma força estrutural, uma armadura funcionando como um exoesqueleto. A força tensional do metal em toda sua glória, a junção pela solda aparente, o gesto presente em cada pingo de aço derretido", descreve o escultor.
O curador Bernardo José de Souza destaca a dimensão temporal do trabalho.
"As esculturas de Leo Stockinger não falam apenas do presente, se antecipam ao tempo e carregam toda uma história de vida, humana e inumana, para o futuro. Parecem inteligentes, são capazes de se reproduzir, transpiram sangue desde uma engrenagem ou biologia ciborgue. São semimáquinas, e ainda assim possuem alma; todavia orquestram uma dramaturgia de silêncio, dor e sexo", contextualiza.
Sobre o artista
Nascido em Porto Alegre em 1980 e radicado na Austrália desde 2005, Leo se formou em 2009 pela National Art School de Sydney. Neto do escultor austríaco-brasileiro Francisco Stockinger, um dos principais nomes da escultura moderna de sua geração, cresceu imerso no ambiente do ateliê do avô, onde testemunhava formas surgirem do gesso, da argila, do metal, da madeira e do bronze. Em 2025, apresentou a exposição "Vísceras-Corpo e Existência", em Porto Alegre e Sydney.
Sobre o curador
Bernardo José de Souza foi diretor artístico da Fundação Iberê Camargo entre 2017 e 2019, em Porto Alegre, e atua hoje como curador independente radicado em Madri. Integrou a equipe curatorial da 19ª Bienal de Artes Visuais SESC Videobrasil, em São Paulo, em 2015, e da 9ª Bienal do Mercosul, em 2013. Entre 2005 e 2013, dirigiu o Departamento de Cinema, Vídeo e Fotografia da Secretaria de Cultura de Porto Alegre.
Entre as exposições que assinou estão "Sex in Space", na Isla Flotante (2025), em Buenos Aires; "Febre da Selva Elétrica", de Vivian Caccuri (2025), na Galeria Municipal do Porto; "The Disagreement: a theatre of statements" (2024) e "The Devil to Pay in the Backlands" (2022), ambas no NKW, Neuer Kunstverein Wien; "Film as Muse" (2021), no Salzburger Kunstverein; "An Exhibition with Works by" (2020), no Kunstinstituut Melly; "Beleza e Devastação" (2019), no Solar dos Abacaxis, no Rio de Janeiro; "Unanimous Night" (2017), no CAC, Contemporary Art Center, em Vilnius; e "A Mão Negativa" (2015), no Parque Lage, no Rio de Janeiro.
Serviço
Exposição: Depois de 1000 anos, de Leo Stockinger
Abertura: 1º de agosto, às 11h
Em cartaz: até 31 de agosto, de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h
Local: Museu de Arte do Paço, Praça Montevidéu, 10, Centro Histórico, Porto Alegre


































































