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Prevenção do Suicídio: Como Identificar Sinais e Onde Buscar Ajuda

Foto do escritor: Psicanálise em Conversa I Dr. Mauricio Bolzan
Psicanálise em Conversa I Dr. Mauricio Bolzan
há 25 minutos
3 min de leitura

Amarelo é uma cor contraditória, talvez a mais ambígua delas. Pode representar a recreação, a jovialidade e o otimismo, mas também pode ser associado à inveja, ao ciúme e à advertência. No semáforo, o amarelo aceso pede a atenção do motorista, e o mês de setembro pede atenção de todos nós para a conscientização e prevenção do suicídio.


O dia 10 de setembro marca o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, e a escolha do amarelo como símbolo da campanha está relacionada à história de Mike Emme, um jovem norte-americano de 17 anos que morreu por suicídio em 1994. Mike havia restaurado e pintado de amarelo um Ford Mustang 1968. Após sua morte, familiares e amigos distribuíram cartões acompanhados de fitas amarelas com uma mensagem simples:


“Se precisar, peça ajuda”.


A história deu origem ao movimento Yellow Ribbon (Fita Amarela), que se tornou uma referência internacional de prevenção. No Brasil, o Setembro Amarelo passou a ser promovido a partir de 2015.


É natural que em determinadas fases da vida, tenhamos dificuldades para elaborar e entender acontecimentos que nos acometem. Sentimentos como tristeza, desamparo, desesperança e solidão podem surgir diante de perdas, separações, crises, traumas ou outras experiências que ultrapassam, naquele momento, nossos recursos para lidar com elas. O problema começa quando o sofrimento se torna tão intenso que a pessoa deixa de enxergar possibilidades de mudança. A realidade pode parecer sem saída, o futuro perde sua perspectiva e a dor passa a ocupar quase todo o espaço psíquico.


É importante compreender que o comportamento suicida é complexo e não pode ser reduzido a uma única causa. Em muitas situações existe uma profunda ambivalência: a pessoa pode desejar que a dor termine e, ao mesmo tempo, não encontrar outra maneira de imaginar essa interrupção que não seja a própria morte. Muitas pessoas desejam, antes de tudo, deixar de sofrer. É justamente por isso que precisamos prestar atenção aos sinais.


Falar sobre morte ou sobre não querer mais viver, expressar desesperança, dizer que se sente um peso para os outros, abandonar atividades que antes proporcionavam prazer, apresentar mudanças bruscas de comportamento ou humor, fazer despedidas inesperadas podem ser sinais de alerta. Nenhum deles, isoladamente, permite concluir que uma pessoa esteja em risco de suicídio. Mas a presença de vários sinais simultaneamente merece atenção e acolhimento.


Existem também mitos que podem dificultar a prevenção. Um deles é a ideia de que “quem ameaça não faz” ou de que uma pessoa que fala em suicídio está apenas tentando chamar a atenção. Não é assim que devemos interpretar essas manifestações. Uma fala sobre suicídio deve ser levada a sério. O Ministério da Saúde orienta que esses sinais não sejam tratados como chantagem ou ameaça, mas como possíveis avisos de que existe sofrimento e necessidade de ajuda. Outro mito é o de que conversar sobre suicídio poderia estimular alguém a cometê-lo. Uma conversa cuidadosa, direta e sem julgamentos pode, ao contrário, abrir espaço para que a pessoa fale sobre aquilo que está vivendo.


Quando necessário, a ajuda pode ser buscada em uma Unidade Básica de Saúde, no CAPS, na UPA, em um pronto-socorro ou hospital. O SAMU pode ser acionado pelo número 192. O Centro de Valorização da Vida (CVV) também oferece apoio emocional gratuitamente, pelo telefone 188, 24 horas por dia, onde quem liga é ouvido com atenção e sem julgamento, sem precisar se identificar.


 Quando percebemos sinais de risco, é importante incentivar a pessoa a buscar ajuda profissional e, quando necessário, acompanhá-la até um serviço de saúde. Em uma situação de risco imediato, a pessoa não deve ser deixada sozinha, e devem ser acionados serviços de emergência. Vamos lembrar da fita amarela e da sua frase: “Se precisar, peça ajuda”.



Nesta coluna, o psicólogo Dr. Mauricio Bolzan, compartilha reflexões sobre os vínculos humanos e os desafios emocionais que atravessam diferentes fases da vida. O conteúdo aqui colocado, é de inteira responsabilidade do colunista.


Dr. Maurício Bolzan Psicólogo | Psicanálise – CRP 07/42791

Atende crianças, adultos e idosos. Gestantes, bebês e futuros pais. Especialista na relação entre pais e bebê.

Atendimento presencial em Gramado/RS e Canela/RS, também disponível online.


Telefone: 54 99170 2020

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