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Da tela ao céu, da terra ao prato. Adriana Höppner e Marina Balestreri

  • Foto do escritor: Tela Tomazeli | Editora
    Tela Tomazeli | Editora
  • há 21 minutos
  • 2 min de leitura

Na Serra Gaúcha, duas artistas se encontram como raízes e asas de um mesmo gesto criativo.





Adriana Höppner, Marina Balestreri
Adriana Höppner, Marina Balestreri.



Ancestralidade

A ancestralidade comunica memórias, traz traços que se inscrevem na pele do tempo. O olhar, suspenso no vasto universo, recorda o teto pintado com o pai, impressão inconsistente de asas que se abriam no gesto da infância.


A argila, abrigo da natureza, guarda estações em silêncio, raízes que se revelam no barro, ciclos que se repetem em fogo e espera.


Talvez, nos traços significativos dessas duas meninas, esteja a vida de quem as acolheu em criança, um sopro de beleza que atravessa gerações, um canto que repousa, um pouso que floresce.


Tela



Adriana Hoppner. As aves do Rio Grande do Sul tornaram-se suas companheiras de voo


Adriana Höppner pinta desde menina, quando a porcelana era seu primeiro território de experimentação. Mais tarde, vieram os quadros que hoje habitam o hotel da família em Gramado, herança de um avô sonhador que fundou o Mini Mundo. Nos últimos dois anos, entre paredes em reforma e silêncios de domingo, Adriana descobriu na aquarela uma nova respiração.


As aves do Rio Grande do Sul tornaram-se suas companheiras de voo. “É uma paixão, eu amo o que eu faço”, confessa, lembrando do pai que a incentivava a pintar chalés ainda adolescente, mesmo que o traço fosse imperfeito. Hoje, suas aves migram para bordados delicados, toalhas de hotel, rótulos de vinho, e anunciam a primavera que virá, quando flores ocuparão suas telas.







Eu crio para provocar pausas. Marina Balestreri


Marina Balestreri, por sua vez, molda o tempo na argila. Cada coleção nasce de um gesto simples: colher uma folha, prensá-la sobre o barro úmido, deixar que a natureza se imprima para sempre. Plátanos, oliveiras, lavandas, pinheiros, alecrins e bougainvilles tornam-se memória tátil.


O processo é lento, ritualístico: secagem, queimas, esmaltes. “Eu crio para provocar pausas”, diz Marina, desejando que cada mesa posta seja altar de presença e partilha. Formada em finanças, encontrou na cerâmica uma nova forma de viver, onde o feio antecede o belo e o controle cede espaço ao acaso.


Suas sete coleções: Ciclo da Vida, Eterno, Florescer, Luz e Sombra, Jardim Cerâmico, Beautiful e Raízes do Feminino, são como capítulos de um livro escrito em barro e fogo.



http://adrianahoppner.art



@floarteemceramica - - Marina Balestreri

@adrianahoppner.art - Adriana Höppner


Fotos: Kätlin Bolzan Fotografias I Tela Tomazeli



19 ANOS
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