Arquitetura que acolhe: escritório de Gramado transforma encontro entre casas e hotéis em assinatura de seus projetos
- Tela Tomazeli | Editora

- há 1 dia
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Atualizado: há 21 horas
Especializada em residências de alto padrão, Casa Living levou sua arquitetura para a hotelaria e hoje incorpora a cada segmento os aprendizados do outro; Casa Aspen 30 ultrapassou 208 mil curtidas nas redes sociais

Uma residência projetada em meio à paisagem da Serra Gaúcha ultrapassou 208 mil curtidas, recebeu mais de 500 comentários e chegou a 1,4 mil republicações no Instagram. A repercussão da Casa Aspen 30 chamou a atenção da própria equipe responsável pelo projeto e colocou em evidência uma questão que há anos orienta o trabalho da Casa Living: o que faz uma arquitetura ser capaz de acolher?
A resposta começa nas casas, mas ganhou novas camadas dentro da hotelaria. Criada em Gramado como um escritório de arquitetura e engenharia criativa especializado em residências de alto padrão, a Casa Living integra o Grupo Casa, empresa familiar gaúcha que atua nos segmentos de arquitetura, propriedades e hospitalidade e reúne também a Coleção Casa Hotéis, coleção responsável por empreendimentos como Casa da Montanha e Parador Cambará do Sul.
Especializada desde sua origem em casas de alto padrão, a Casa Living construiu a maior parte de seu portfólio em condomínios de Gramado, expandindo posteriormente sua atuação para o litoral e outros estados brasileiros. Foi a partir dessa experiência residencial que o escritório começou a levar sua arquitetura também para os projetos de hotelaria do grupo.
O primeiro empreendimento hoteleiro concebido integralmente pela Casa Living foi o Wood Hotel, em Gramado. No Parador Cambará do Sul, a participação ocorreu de maneira diferente. Construído organicamente ao longo dos anos, o hotel recebeu sucessivas ampliações e novas estruturas, algumas delas desenvolvidas pelo escritório. É nesse processo que surgem os Casulos, estruturas de madeira curva que se tornaram uma das principais assinaturas arquitetônicas do empreendimento e um dos trabalhos mais reconhecidos da Casa Living.
A entrada na hotelaria acabou criando uma via de mão dupla. Se a experiência residencial levou para os hotéis elementos associados ao aconchego e à sensação de casa, projetar espaços destinados a receber pessoas acrescentou uma nova camada ao trabalho desenvolvido nas residências.
Quem entra em um bom hotel costuma perceber apenas o resultado dessa experiência. A iluminação que convida ao descanso, a circulação intuitiva, o conforto acústico, a integração entre os ambientes, a vista valorizada e a sensação de acolhimento parecem acontecer naturalmente, embora sejam resultado de uma série de decisões arquitetônicas. São aprendizados que passaram a retornar aos projetos residenciais da Casa Living.


A casa que conquistou as redes
Essa convivência entre diferentes escalas e usos ampliou a maneira como o escritório pensa seus projetos. Iluminação, circulação, funcionalidade, conforto acústico, integração dos ambientes, relação com a paisagem e a experiência de permanecer em um espaço passaram a ocupar papel ainda mais central na concepção das casas.
A Casa Aspen 30 sintetiza parte desse percurso. Integrada à paisagem da Serra Gaúcha, a residência combina fachada de madeira natural, telhados inclinados e pedra — elementos ligados à identidade arquitetônica da região — com soluções contemporâneas e grandes aberturas que valorizam a relação entre interior e exterior.
Internamente, o pé-direito elevado, as estruturas aparentes em madeira maciça e a grande lareira revestida em pedra organizam uma área social concebida para a convivência. Sala de estar, jantar e áreas de apoio são integradas, enquanto a iluminação quente e o predomínio de materiais naturais contribuem para criar uma atmosfera sofisticada sem depender de excessos.
Mais do que a composição estética, o projeto parte da ideia de uma casa feita para reunir pessoas. A arquitetura busca equilibrar rusticidade e contemporaneidade, preservando referências da Serra Gaúcha ao mesmo tempo em que responde a uma forma atual de morar.
A resposta do público trouxe uma dimensão inesperada ao projeto. A publicação da Casa Aspen 30 ultrapassou 208 mil curtidas, recebeu 512 comentários e alcançou 1,4 mil republicações no Instagram, levando uma residência de alto padrão a despertar a identificação de um público muito maior do que aquele diretamente ligado a esse segmento do mercado imobiliário.
Para Rafael Peccin, diretor criativo do Grupo Casa, do qual Casa Living faz parte, a repercussão também ajuda a lançar luz sobre uma transformação que o Grupo Casa vem percebendo na relação com seus clientes. Se durante muitos anos a arquitetura residencial de alto padrão esteve fortemente associada à imponência e à demonstração de status, ganha espaço uma ideia de luxo relacionada à qualidade dos materiais, à natureza, ao conforto, à autenticidade e à forma como os ambientes são vividos.
“A repercussão nos surpreendeu porque estamos falando de arquitetura, não de um conteúdo pensado para alcançar grandes números. Quando um projeto desperta esse nível de identificação, é interessante entender o que as pessoas estão enxergando ali. Acreditamos que exista uma busca por casas que transmitam acolhimento, conexão com a natureza e vontade de permanecer”, observa Rafael.
Essa transformação aparece também em soluções cada vez mais presentes nos projetos: suítes concebidas como espaços efetivos de descanso, iluminação trabalhada em diferentes camadas, ambientes sociais fluidos, integração entre áreas internas e externas e atenção aos detalhes que interferem na experiência cotidiana dos moradores.
Mais do que reproduzir dentro de casa a estética de um hotel, a proposta é incorporar aquilo que a experiência com a hospitalidade ensinou ao escritório sobre conforto, funcionalidade e permanência — sem abrir mão da identidade de quem vive naquele espaço.
Do Wood e dos Casulos ao novo Parador Vale dos Vinhedos
Se a Casa Aspen 30 mostra como os aprendizados da hospitalidade retornam à arquitetura residencial, um novo projeto permite observar esse movimento no sentido contrário. A Casa Living assina a concepção arquitetônica do Parador Vale dos Vinhedos, novo empreendimento do Grupo Casa Hotéis em Bento Gonçalves e o mais recente capítulo dessa aproximação entre o morar e o receber.
Diferentemente da evolução orgânica do Parador Cambará do Sul, o novo hotel nasce integralmente projetado desde a origem. Assinado por Ricardo Peccin, o empreendimento terá investimento de R$ 50 milhões, 54 unidades de hospedagem e será implantado em uma área de 20 hectares às margens da Via Trento, no Vale da Aurora, com abertura prevista para o primeiro semestre de 2028.
No projeto, a paisagem deixa de ser apenas cenário para participar da própria arquitetura. Metade da propriedade já é ocupada por vinhedos e 35% da área será destinada à preservação ambiental, com mata nativa. As construções serão distribuídas entre os parreirais e concebidas para ampliar a relação dos hóspedes com o território.
Entre as soluções previstas estão as sky suítes, cabanas com grandes superfícies envidraçadas e teto de vidro voltado à contemplação do céu e da paisagem do Vale dos Vinhedos. O projeto contempla ainda uma cave subterrânea, restaurante, spa e piscina com borda infinita, além de soluções como energia solar, reaproveitamento da água da chuva e utilização de materiais de reuso.
O empreendimento representa uma nova etapa na trajetória da Casa Living dentro da hotelaria. Depois do Wood, primeiro hotel integralmente concebido pelo escritório, e dos Casulos do Parador Cambará do Sul, que se tornaram um de seus projetos mais emblemáticos, o Parador Vale dos Vinhedos permite aplicar desde o primeiro traço o repertório construído entre residências e hotéis.
O movimento completa um ciclo que começou nas residências, encontrou na hotelaria um novo campo de experimentação e voltou a influenciar a maneira de projetar casas. Em cada tipologia, a arquitetura responde a necessidades distintas, mas parte de uma mesma premissa: criar espaços nos quais as pessoas tenham vontade de estar e permanecer.
Parador Cambará do Sul
Casulos do Parador Cambará do Sul.

Parador Vale dos Vinhedos

CASA LIVING: Arquitetura entre o morar e o receber
Criada por Ricardo Peccin, a Casa Living integra o Grupo Casa e nasceu em Gramado como um escritório de arquitetura e engenharia criativa especializado em residências de alto padrão. Esse segmento continua concentrando o maior volume de projetos da empresa, especialmente em condomínios da Serra Gaúcha, além de trabalhos desenvolvidos no litoral e em outros estados brasileiros.
É Ricardo quem está à frente da criação dos projetos. CEO e diretor criativo da Casa Living, ele atua entre arquitetura, engenharia e desenvolvimento criativo, acompanhando a concepção dos espaços e a busca por soluções capazes de conciliar estética, funcionalidade e experiência.
Essa forma de trabalhar está relacionada ao conceito de imagineering, abordagem que aproxima conhecimento técnico e pensamento criativo no desenvolvimento dos projetos.
Na hotelaria, o portfólio inclui o Wood Hotel, projetos desenvolvidos ao longo da evolução do Parador Cambará do Sul — entre eles os Casulos — e, agora, o Parador Vale dos Vinhedos, concebido integralmente pela Casa Living.
Hoje, é justamente a circulação de experiências entre esses dois universos — o morar e o receber — que ajuda a definir a arquitetura do escritório.
Wood

Sobre a Coleção Casa Hotéis
A Casa Hotéis é uma coleção de hotéis de charme do Rio Grande do Sul reconhecida por sua hospitalidade autoral, alto padrão de serviço e atenção aos detalhes. Fundada em 1997 pela família Peccin, reúne quatro empreendimentos na Serra Gaúcha, com propostas distintas e uma filosofia comum de sofisticação sem excessos, conforto com propósito e conexão com o território.
Em Gramado estão o Casa da Montanha, primeiro e mais tradicional hotel da coleção; o Petit Casa da Montanha, com conceito bed & breakfast e pet lover; e o Wood, de perfil contemporâneo e cosmopolita. Em Cambará do Sul, na região dos cânions brasileiros, está o Parador Cambará do Sul, hotel em estilo glamping integrado à paisagem dos Campos de Cima da Serra.
A gastronomia é outro pilar da coleção. Giostra, Ocre e Alma RS desenvolvem propostas próprias, com uma cozinha que valoriza ingredientes sazonais, respeita os ciclos naturais e privilegia produtores locais. Com personalidades distintas, hotéis e restaurantes têm em comum a individualização do serviço e a busca por experiências conectadas aos territórios onde estão inseridos.
A coleção prepara ainda sua chegada a Bento Gonçalves com o Parador Vale dos Vinhedos, projetado pela Casa Living e com abertura prevista para o primeiro semestre de 2028.
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