A nova centralidade
- Romeo Ernesto Riegel | Crônica

- 4 de jun.
- 1 min de leitura
Há um reclame repetido incansavelmente que em Gramado tem pouca rua para muitos carros. Queixam-se de que os engarrafamentos prejudicam o interesse pela cidade, mas oito milhões de visitantes por ano confirmam que somos mais do que simples cheiradores de gasolina. É que ruas abarrotadas ocorrem em todas as cidades um pouco maiores. Contudo, nelas veículos andando devagar não têm nada de interessante que os motoristas possam olhar durante as esperas. Então, proclamam a sargenteana vulgaridade de ficarem uns xingando os outros.
Os administradores públicos de várias épocas trataram esse caso olhando por cima dos carros e não para o chão onde eles andam. Nunca foi aqui adotado o generalizado e inútil costume de alargar ruas, mudar o sentido delas ou fazer túneis, por exemplo: logo eles ficariam pequenos para o aumento regular de veículos e do espaço que eles precisam para circular. Enfim, nossos atuais responsáveis, públicos ou particulares, foram abençoados por uma solução gramadense de resolver a questão: não mutilar o centro em benefício do automóvel.
É que, as ruas estreitas são a moldura do nosso aconchego; pessoas se olhando e caminhando juntas numa comunhão de origens, de aparência e de calma. Se tudo der certo, logo vai parecer que os veranistas voltaram a Gramado para reescrever a intimidade de nossa história.
A forma de resolver o problema glorificou a atual geração de gramadenses que obedeceu ao antigo conceito de que o centro da cidade tem que estar reservado para gente. As necessidades econômicas e administrativas reservadas ao Mato Queimado, exalando precisão arquitetônica, beleza e modernidade, serão o espelho do turismo de luxo que estamos criando com teimosa competência e devoção.


































































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