Viticultura gaúcha: certificação tem inscrições até 6 de outubro

Viticultores do Rio Grande do Sul que produzem uva para processamento industrial têm até 6 de outubro para se inscrever no Programa de Boas Práticas Sustentáveis na Viticultura, do Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul (Consevitis-RS). A adesão é gratuita e é feita pelo Edital de Chamada Pública nº 44.2026.

Imagens ilustrativas do lançamento da Festa da Uva de 2009. Fotos: Tela Tomazeli
O que é o programa?
O programa oferece consultoria e certificação às propriedades da viticultura gaúcha. Os objetivos são:
incentivar práticas agrícolas sustentáveis;
promover a segurança dos alimentos;
fortalecer a gestão das propriedades;
contribuir para a competitividade da cadeia produtiva da uva destinada ao processamento.
Quem pode participar?
Podem participar viticultores gaúchos que produzem uva para processamento industrial. O edital seleciona dois grupos:
empresas e entidades âncoras, que indicam e acompanham grupos de produtores;
produtores independentes, que se inscrevem individualmente, sem vínculo com uma empresa ou entidade.
O projeto piloto será realizado com cinco entidades âncoras e 40 produtores.
Como se inscrever?
Os formulários editáveis para inscrição estão disponíveis na página do edital, no site do Consevitis-RS.
Calendário:
Inscrições até 6 de outubro
Resultado preliminar até 13 de outubro
Recursos em até três dias úteis após a comunicação do resultado
Resultado final depois da análise dos recursos
Dúvidas: pelo e-mail viticultura@consevitis-rs.com.br ou pelo telefone e WhatsApp (54) 99677-1458.
De onde surgiu a ideia?
O programa nasceu de um pedido dos próprios viticultores. A demanda apareceu no Diagnóstico dos Viticultores da Serra Gaúcha, pesquisa feita pelo Consevitis-RS com apoio dos Sindicatos dos Trabalhadores Rurais. O levantamento mostrou a necessidade de um programa básico de Boas Práticas Agrícolas.
A equipe técnica do instituto, com apoio de consultores especializados, estruturou a proposta. Depois, ela foi discutida e aprovada pelo Grupo de Trabalho de Viticultura, que reúne Embrapa, IFRS, Emater/RS-Ascar e técnicos do setor.
O que são Boas Práticas Agrícolas?
São cuidados e procedimentos adotados em todas as etapas da produção. Alguns exemplos:
registrar as atividades no caderno de campo;
usar corretamente os produtos fitossanitários;
regular e fazer a manutenção dos equipamentos;
cuidar da água e do solo;
manter a higiene durante a colheita;
dar a destinação correta a embalagens e resíduos;
capacitar os trabalhadores.
"Os benefícios são diversos, como reduzir riscos de contaminação, preservar os recursos naturais, proteger a saúde e a segurança dos trabalhadores, reduzir perdas e melhorar a organização e a rastreabilidade da propriedade. Isso também contribui para aumentar a confiança de quem compra a uva e, consequentemente, fortalece toda a cadeia da vitivinicultura", explica o analista de Agronomia do Consevitis-RS, Gabriel Almeida da Silva.
O que a certificação avalia?
A certificação reconhece que a propriedade atende a critérios em cinco áreas:
segurança dos alimentos;
saúde e segurança dos trabalhadores;
sustentabilidade ambiental;
rastreabilidade da produção;
manejo da propriedade.
"Para o produtor, ela representa uma oportunidade de organizar e aprimorar os processos de produção, reduzir riscos, aumentar o controle sobre as atividades e demonstrar o compromisso com a qualidade, a segurança, a sustentabilidade e a responsabilidade na produção. Além disso, acresce credibilidade ao trabalho já realizado, demonstrado por meio de uma avaliação independente", destaca Gabriel.
Como funciona, passo a passo?
Consultoria: um consultor orienta o produtor a entender e aplicar as boas práticas na propriedade.
Auditoria: um auditor analisa documentos e registros, faz entrevistas e verifica as condições no local.
Ajustes: se encontrar algo fora do padrão, o produtor recebe um prazo para corrigir. Depois, o auditor avalia de novo.
Decisão: com os critérios atendidos, o auditor emite parecer favorável, e a certificação é decidida conforme as regras do programa.
O certificado vale por um ano.
"Dessa forma, o processo busca garantir que a orientação, a avaliação e a decisão de certificação sejam etapas distintas, proporcionando maior transparência, imparcialidade e credibilidade ao Programa", explica o analista.
O produtor pode ter juros menores?
Pode, no futuro. O programa foi estruturado de acordo com a Portaria MAPA nº 876/2025. A intenção é buscar o reconhecimento oficial do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), que ainda não foi concedido.
Hoje, o Plano Safra 2026/2027 prevê redução de 0,5 ponto percentual nos juros de determinadas operações de crédito rural de custeio. A redução vale para produtores ligados a programas de Boas Práticas Agropecuárias reconhecidos pelo MAPA que atendam às condições estabelecidas.
"Esse reconhecimento poderá permitir que os produtores certificados sejam integrados aos mecanismos do Agro Brasil + Sustentável, ampliando a comprovação das Boas Práticas e da sustentabilidade da produção", aponta Gabriel. "Dessa forma, a certificação pode representar também melhores condições de acesso ao crédito, maior valorização do produtor e novas oportunidades de mercado", ressalta.
Que experiência embasa o programa?
O Consevitis-RS já apoia a assistência técnica e extensão rural (ATER) e a certificação PFA/GlobalG.A.P. Essas ações contribuíram para a construção do programa.
"Proporcionaram ao Instituto conhecimento prático sobre processos de adequação, auditoria e certificação. Além disso, ao conhecer referências reconhecidas internacionalmente, conseguimos traduzi-las para a realidade da viticultura gaúcha, considerando a legislação brasileira e as particularidades produtivas da região", salienta o analista.
Quais são as metas?
Médio prazo: consolidar o programa e buscar o reconhecimento do MAPA.
Longo prazo: fazer das boas práticas parte da cultura produtiva da viticultura gaúcha, alcançando o maior número possível de produtores.
"Queremos que o viticultor incorpore essas práticas e compreenda que elas melhoram a propriedade, protegem as pessoas e os recursos naturais e qualificam a produção. A certificação é o reconhecimento de um trabalho que começa muito antes dela, dentro da propriedade. Ao disseminar essa cultura, estaremos contribuindo para uma viticultura gaúcha cada vez mais preparada para o futuro, sustentável e segura, fortalecendo não apenas o produtor certificado, mas todo o setor", conclui Gabriel.


Este conteúdo contou com apoio de inteligência artificial, usada como ferramenta de produção, com apuração e revisão da redação do Gramado Magazine.





























































Comentários