Tecnologia: Crianças na internet, o que mudou e como proteger os pequenos no ambiente digital
- Tela Tomazeli | Editora

- há 2 horas
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ARTIGO
Naíla Gonçalves Dalavia
Sócia da Persona Consultoria & Negócios e Atz & Dalavia Boutique Jurídica.

A presença das crianças na internet deixou de ser exceção faz tempo. Hoje, faz parte da rotina, seja para estudar, jogar ou simplesmente assistir vídeos. O problema é que o ambiente digital evoluiu muito mais rápido do que a nossa capacidade de impor limites claros.
Nos últimos anos, isso começou a mudar.
As novas regras passaram a tratar a criança como alguém que precisa de proteção reforçada no ambiente digital e não como um “usuário comum em versão menor”.
O que mudou na prática?
A principal mudança está na responsabilização das plataformas e no reconhecimento de que crianças não têm maturidade para tomar certas decisões online.
E isso não é só teoria. Dá pra ver no dia a dia.
Dados pessoais: menos coleta, mais controle
A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) deixou claro: dados de crianças só podem ser coletados com consentimento dos pais e dentro de limites.
Sabe quando um aplicativo pede nome completo, idade, localização e até acesso à câmera, mesmo sendo um joguinho simples?
Hoje, isso é questionável e, em muitos casos, irregular.
E quando uma criança baixa um app de desenho? O aplicativo não pode simplesmente começar a coletar comportamento, preferências e localização para direcionar publicidade sem autorização dos responsáveis.
Conteúdo: o algoritmo também tem responsabilidade
As plataformas não podem mais fingir que “o algoritmo decidiu sozinho”.
Se uma criança assiste a um vídeo inocente e em poucos cliques o sistema começa a sugerir conteúdos inadequados ou até perturbadores? Isso passou a ser um problema jurídico, não só técnico.
Perfis infantis em plataformas de vídeo ou streaming agora tendem a ter filtros mais rígidos, justamente para evitar esse efeito “bola de neve” de conteúdo impróprio.
Tempo de tela e estímulos viciantes
Aqui entra um ponto que muitos pais já percebiam na prática: as plataformas são desenhadas para prender atenção.
Rolagem infinita, recompensas em jogos, notificações constantes… tudo isso não é por acaso.
No caso dos jogos que oferecem recompensas a cada poucos minutos para manter a criança conectada o máximo possível ou do aplicativos que disparam notificações o tempo todo para puxar o usuário de volta, as novas diretrizes tentarão limitar esse tipo de estratégia quando o público é infantil.
E onde entram os pais nas situações reais do dia a dia?
· A criança diz que está “vendo vídeo”, mas na verdade está navegando sem controle entre conteúdos;
· Um jogo aparentemente inofensivo começa a ter chat com desconhecidos;
· Um aplicativo gratuito começa a induzir compras dentro da plataforma.
Sem acompanhamento, isso passa despercebido.
Nenhuma regra substitui presença. A tecnologia ajuda, mas não resolve sozinha.
O que funciona na prática?
Mais do que proibir, o que funciona é criar repertório:
· Estabelecer limites claros de tempo (e cumprir);
· Saber quais aplicativos a criança usa, de verdade;
· Conversar sobre o que ela assiste (sem interrogatório);
· Evitar acesso totalmente livre, principalmente em idades menores.
·
Controle parental ajuda, mas conversa ainda resolve mais.
Por que isso importa?
Não se trata só de segurança digital, estamos falando de formação.
Exposição precoce a conteúdo inadequado, coleta excessiva de dados e estímulos constantes impactam comportamento, atenção e até relações sociais.
As novas regras são um avanço importante, mas ainda dependem de fiscalização e, principalmente, de participação ativa dos responsáveis.
A internet não virou um ambiente seguro por conta das novas regras, ela só passou a ter limites mais claros.
E, como em qualquer outro espaço da vida da criança, limite sem acompanhamento não funciona.
A Lei na íntegra: Lei: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2025/lei/L15211.htm

































































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