Os umbrais do inverno
- Romeo Ernesto Riegel | Crônica

- há 2 horas
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Cada vez que o outono começa a Natureza abre os umbrais do inverno.
Então, suave som, pesado em afeto e meio triste, envolve nossa terra da mesma forma que envolveu quem nos colocou aqui para cuidar dos benignos dons que Deus concedeu a Gramado. E nossa imaginação transfere para as almas de hoje, as mesmas cristalinas emoções que devem ter feito brotar na alma deles.
O sonolento inverno que contempla a paisagem que o outono lhe mostra, tem nele podido repetir o mesmo orgulho de sempre, renovado já há mais de cem anos. Os roçados, que pintavam de ouro o interior do nosso município hoje estão pintados de verde, subindo e descendo montanhas ou guardando água no silêncio de seus vales serenos.
Vê também, uma cidade moderna submetida a cuidados conflitantes, repetindo o espírito exigente que serviu de argamassa para a construção de sua grandeza. Um povo comprometido com a qualidade do que é posto sobre o chão que o sustenta, inventando mecanismos de proteção que, às vezes, parecem excrecências de gente soberba. Mas é a expressão de um povo que luta com límpido entusiasmo por questões comunitárias que a muitos parecem triviais.
Os portões do inverno são abertos em todas as partes, permitindo que ele enxergue as diferenças entre um e outro pedaço do Brasil. E temos certeza de que no esmerado juízo desta estação Gramado, curvado ao peso dos elogios de sempre, não está fazendo feio.





































































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