Opinião: A sinfonia da mudança e os contrastes de Gramado
- Tela Tomazeli | Editora

- há 2 horas
- 3 min de leitura
Por Tela Tomazeli
A noite de sábado foi, em uma palavra, memorável. Mas não sem antes despertar o que há de mais intrínseco no pensamento gramadense: o questionamento. Quando o nome de Diogo Nogueira surgiu na grade do Gramado In Concert, confesso que as sobrancelhas se ergueram. Temos um conceito enraizado, e por vezes perigoso, de que tudo na cidade precisa flertar com o "padrão Natal Luz", sinônimo de massa. Para os puristas, abrir o In Concert, nossa joia "raiz", para um sambista, soaria quase como uma mácula à sua décima segunda edição.
O que vimos no palco do Expogramado, entretanto, foi uma simbiose necessária. O show ou concerto, como queiram, entre o sambista e a Orquestra Sinfônica de Gramado provou que o evento atingiu um novo estágio de maturidade. É preciso entender o conceito proposto pela organização: a desconstrução sem perda de qualidade. Como bem observou minha amiga Bruna Monteschio Marques, ao notar a leveza do maestro Leandro Serafim: "o maestro está se divertindo". E quando a regência se diverte, a plateia compreende a mensagem.
Em sua 12ª edição, o evento consolida Gramado como um polo de excelência, reunindo mais de 750 inscritos vindos de 22 estados brasileiros e 14 países, incluindo nações como Rússia e Estados Unidos, para aulas com professores renomados mundialmente. A iniciativa não apenas promove apresentações artísticas de alto nível, mas mantém um forte pilar pedagógico e social, oferecendo oficinas e intercâmbio cultural para jovens talentos que buscam o aperfeiçoamento técnico na música clássica.
Ao chegar, o hall já pulsava. Um violonista recepcionava a fila ágil e longa; um termômetro de objetivo alcançado logo na entrada. Confesso, com franqueza que meus ouvidos estranharam a recepção ao som de Raul Seixas. Não era a musicalidade que eu esperava para o In Concert, mas, em meio às minhas bravas batalhas internas de percepção, sigo buscando os novos significados.
O site oficial já avisa: é a junção de orquestras com a gastronomia, hotelaria e o melhor da música. E aqui entra o ponto de reflexão: o Gramado In Concert, assim como a Vindima, passou a ser "envelopado" para o trade turístico. Saem da gaveta do artesanal para a "esteira de produção", como já ocorre com o Natal e o Cinema. Isso é ruim? Se olharmos para a demanda global de Gramado, é o processo natural. O que mexe com o coração do nativo é a saudade do fazer manual, mas o que me acalanta é ver que, finalmente, as coisas acontecem com profissionalismo. A Gramadotur hoje respira uma equipe "raiz", que entende a linhagem local e os princípios sobre os quais esta cidade foi erguida. Isso é perceptível em cada detalhe da entrega.
Tivemos um pavilhão lotado, cerca de 1.500 pessoas (calculo meu) aplaudindo um espetáculo impecável. Diogo e Orquestra foram gigantes. E o festival segue, democrático, ocupando a Rua Coberta e a Matriz São Pedro até o dia 7, culminando com o gigante Maestro João Carlos Martins.
Mas, para além dos aplausos, há o futuro. O projeto do Instituto de Música de Gramado, idealizado pelo diretor Allan John Lino e abraçado pelo prefeito Nestor Tissot alicerça o nosso Turismo Cultural. A ideia de uma escola em meio a um bosque, unindo a natureza à contemplação das notas musicais, coloca Gramado em um patamar internacional definitivo. E, aguardem porque, tendo o projeto e o terreno, vai chegar a hora de passar o chapéu, estaremos engajados nisso.
Diogo Nogueira e Orquestra Sinfônica de Gramado
Fotos: Rafael Cavalli
Porém, nem tudo são acordes perfeitos. Temos um "espinho no sapato": o projeto de lei que tramita na Câmara sobre a cobrança de taxas para eventos. Há uma convergência de opiniões no trade de que a autarquia quer concentrar tudo em si. O discurso de captação de eventos corporativos e casamentos, a reforma da Expogramdo e as captações do Convention & Visitors Bureua parece contradizer o texto da lei, que ainda guarda interpretações dúbias e uma burocracia que pode engessar o setor.
Diogo Nogueira e o público
Vídeos: Tela Tomazeli













































































Comentários