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O valor invisível que atrai ou repele: Como a Reputação e o Compliance moldam o sucesso dos negócios

  • Foto do escritor: Tela Tomazeli | Editora
    Tela Tomazeli | Editora
  • há 8 horas
  • 3 min de leitura


"O mercado atual não se resume apenas à entrega de um bom produto ou serviço".



Por: Redação Gramado Magazine

Editoria: Negócios



GRAMADO - No palco do Connectio, o advogado Fabiano Machado trouxe uma reflexão profunda sobre o impacto real da reputação na sobrevivência e no valor das marcas. Longe de ser apenas um emaranhado de regras jurídicas, o conceito de compliance surge como uma ferramenta viva de integridade, capaz de blindar e valorizar empresas de todos os portes, desde a hotelaria e a gastronomia até os grandes bancos.

Fabiano Machado. Foto: Rafael cavalli
Fabiano Machado. Foto: Rafael cavalli

A palavra compliance, originária do inglês, significa estar em conformidade. No ambiente corporativo, isso se traduz na criação de sistemas que garantem que o negócio caminhe lado a lado com a lei e com a construção de uma cultura genuinamente ética. Embora o termo muitas vezes ganhe as ruas associado a escândalos ou operações financeiras negativas, o grande convite do especialista é enxergar o tema sob uma ótica positiva: como o alicerce que protege o patrimônio mais valioso de qualquer empreendimento, que é o seu nome.

 


A dualidade do valor: O açafrão de La Mancha e o diamante de sangue

Para ilustrar como a percepção pública transforma o valor de um produto, Fabiano propôs uma metáfora visual poderosa baseada em duas riquezas da terra. De um lado, o açafrão de La Mancha, colhido minuciosamente à mão na Espanha. São necessárias mais de 150 mil flores para se obter um único quilo dessa especiaria, avaliada em seis mil dólares. O cuidado, a sustentabilidade e o respeito à denominação de origem transformam esse ingrediente no precioso ouro vermelho, disputado pelos restaurantes mais sofisticados do mundo.


Do outro lado, o diamante. Uma pedra preciosa que possui valor intrínseco, mas que perde o seu brilho e o seu mercado quando associada a condições sub-humanas, exploração e ilegalidade, tornando-se o que o mundo passou a condenar como diamante de sangue. A proibição e a rejeição global a esse produto não nasceram de sua origem geográfica, mas sim do processo de extração manchado pela desumanidade. Essa dualidade mostra que os processos e a ética empregados na produção são determinantes para somar valor ou destruir mercados.

 

 

O peso da imagem nas decisões de compra e no valuation

No cenário dos negócios, a reputação deixou de ser um conceito abstrato para se tornar um elemento central de precificação. Em negociações de fusões e aquisições, o chamado valuation de uma empresa é diretamente impactado pela imagem do negócio, de seus líderes e de seus produtos. A conduta individual e corporativa hoje dita o preço de mercado. Quando uma marca falha gravemente em seus processos, o dano ecoa na percepção do consumidor de forma imediata e duradoura.


A dinâmica de consumo atual é moldada por fatores psicológicos profundos, onde a confiança atrai e o medo repele. Da mesma forma que um restaurante fechado pela vigilância sanitária afasta os clientes pelo receio, marcas associadas a escândalos de sustentabilidade ou direitos humanos sofrem boicotes imediatos. O público não deseja consumir um produto que carregue o peso de uma conduta antiética.

 


A reputação como o coração da experiência do cliente

A história da criação do Guia Michelin exemplifica como a reputação bem trabalhada move o mundo. Criado originalmente por uma fabricante de pneus para instigar as pessoas a viajarem e consumirem, o guia estabeleceu um sistema de estrelas onde a terceira estrela representa uma experiência tão excepcional que justifica uma viagem exclusiva. A reputação constrói destinos, promove o turismo e transforma produtos simples em vivências históricas e culturais.


Em uma sociedade global cada vez mais atenta, conectada e polarizada, os consumidores utilizam seus valores pessoais como critérios de escolha. O público deixa de voar em determinada companhia aérea se perceber condescendência com o racismo, recusa-se a comprar roupas que possam estar ligadas ao trabalho análogo à escravidão e evita locais que não sejam acolhedores. Proteger a reputação do CNPJ e do CPF é, portanto, a estratégia mais inteligente para garantir a saúde financeira e a longevidade de qualquer negócio que pulse no mercado atual.



Sobre o palestrante: Fabiano Machado é advogado especializado em Compliance e Gestão de Crises Corporativas, também é escritor, professor, palestrante, comentarista jurídico do canal de televisão CNBC Brasil e coordenador do Comitê de Auditoria da Rede Brasil do Pacto Global da ONU.



 

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