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Gramado e Suas Mães de Sempre

  • Foto do escritor: Tela Tomazeli | Editora
    Tela Tomazeli | Editora
  • há 3 horas
  • 10 min de leitura

Atualizado: há 21 minutos


Foto: Gustavo Merolli
Foto: Gustavo Merolli

A homenagem da AGLA- Academia Gramadense de Letras e Artes, no evento "Gramado e Suas Mães de Sempre", é uma celebração marcada pela emoção e pelo reconhecimento da força materna que atravessa gerações. O evento busca valorizar não apenas o papel tradicional das mães, mas também sua presença constante como fonte de afeto, inspiração e resiliência.


Esse tributo ganha ainda mais significado por se transforma em um cenário de memória e gratidão, onde cada gesto e palavra reforçam a ideia de que ser mãe é um vínculo eterno, que ultrapassa o tempo e as circunstâncias. A iniciativa da AGLA ressalta a importância de manter vivas essas histórias e afetos, criando um momento de união e reflexão sobre o legado das “Mães de Sempre”.


As homenageadas, ou seus familiares, enviam uma fotografia e uma síntese da vida da homenageada. Os ilustres membros da Academia trazem ao público a essência de cada uma, pelo seu olhar. Esse olhar é significativo, íntimo e valoroso, pois é vindo dos nossos. Pode-se dizer que, hoje, é o que possui mais raiz histórica no município.


A Sociedade Recreio Gramadense participa como sede desde a primeira edição do evento e indica uma homenageada, neste ano, foi a editora deste site, Maristela Tomazeli, "a nossa Tela Tomazeli", como diz a presidente do clube, Gabriela Ruschel Michaelsen. As demais indicações são feitas pelas personalidades que integram a Academia. A empresa Rossi & Zorzanello é parceira em todasa as edições, na organização do evento.






Fernanda Seibel Aranha




Fernanda Seibel Aranha resolveu, pelos começos de sua vida, que  seria advogada e foi, que seria mãe e foi,  que seria policial e foi. Sob apelo de seus princípios naturais ficou contagiada pela observação de que os fracos tinham que ser defendidos mais pela proteção do afeto do que pela grosseria da força. Assim, consolidou o ideal de dar às mulheres a força física reservada mais aos homens, predicado esse que nem sempre respeitava os propósitos de Deus.


Sempre fiel à sinceridade das doutrinas, definiu a formação acadêmica como alicerce de seus movimentos profissionais. A advogada, sob garantia dos bancos universitários, pós graduou-se nas áreas de Direito Público e Enfrentamento à Violência Contra a mulher.


Porém, como Delegada de Polícia, definiu a direção de suas atividades, mais a propósitos de criação de conceitos, do que ao imediatismo de ações policiais, entendo que a violência se esgota nela mesma, mas as regras de comportamento contêm as letras da sensibilidade natural da natureza humana. E para alcançar os propósitos a si traçados não se contentou com a comodidade de um gabinete. Buscou patamares de maiores efeitos normativos, como  Membro Examinador do concurso para ingresso na carreira de Delegado de Polícia do RS, assessora do Ministério Público Estadual e da Procuradoria Geral do estado.


Assim, além de mãe, Fernando Seibel Aranha traçou uma vida sempre dedicada a garantir justiça, ao vigor físico que as mulheres não têm.




Ieda Maria de Siqueira Gonçalves




Ieda Maria de Siqueira Gonçalves, ou “Prof Ieda” como é chamada pelos seus alunos, nasceu no interior de Bom Jesus. Filha única da Dona Maria Loeni e do Seu Luis Siqueira, recebeu de berço valores que o acompanham por toda vida: Responsabilidade, dedicação e respeito ao próximo.


Professora a mais de 30 anos é casada com Gildo Gonçalves, com quem construiu uma família sólida e amorosa. É mãe de três filhos: Samara, Rodrigo e Gabriel Siqueira Gonçalves e avó do Benjamin Reis Gonçalves.


Formou-se em Letras pela Universidade de Caxias do Sul, mas foi na nossa querida Cidade de Gramado onde floresceu o sonho de uma menina: Ser professora.


Ieda é daquelas mulheres que faz o extraordinário, que cria laços eternos com a comunidade, abraçando não apenas os alunos, mas também suas histórias e corações. Com um olhar maternal, ela puxa a orelha quando necessário, mas também oferece o aconchego que conforta e acalma, tornando-se mãe para cada criança e adolescente que cruza o seu caminho.


Existe um momento em que os pensamentos de uma criança voam para o encontro das brincadeiras, escrevendo laços eternos no livro da vida. Nessa fase, em que estamos no berço da aprendizagem ecoa a mensagem de uma professora: Integridade e propósito.


Gramado é lembrada no mundo inteiro pela educação e a força de seu povo, e a professora é responsável por esse eterno legado gramadense.

                                                                                                  



Iraci Fries dos Santos


Em memória.
Em memória.


Iraci Fries dos Santos integrou Gramado por duas características que eram seu mais completo retrato. Era chegada em lidar com lojas que vendiam tecidos e sorria sempre. A terceira foi que ela era casada com o Baiano, cuja simpatia combinou com o sorriso dela e fez com que ele nunca mais pensasse em voltar para a Bahia.


A loja criada pela Iraci, fazia par com a de Orestes   Dalle Molle ,  Arno Michaelsen e a Konrat do famoso Biriba, que juntos pintavam o romantismo do comércio de então. Dizia-se que seus pais, nascidos em Dois Irmãos, acumulavam 25 tentativas de se fixar em algum lugar antes de fazer aqui seu ninho, onde deixaram saudades e seus corpos entregues à nossa terra.


Era uma mulher que sempre trabalhava, também fora de casa, o que na época era pouco comum. Mas sempre convivendo diretamente com outras pessoas, em que sua cordialidade era valorizada por seu marcante bom humor, registro de uma pessoa de bem com a vida.


Tinha tanto jeito em lidar com gente que foi representante do jornal Brasil Post, o Jungle Post, da Alemanha. Mas não era jornaleira: os assinantes   levavam o jornal para ler em casa e depois devolviam na loja de Iraci para que ele fosse distribuído aos  colonos alemães, aqui, então predominantes.


A Iraci marcou lugar na história de Gramado porque foi a primeira mulher empresária profissional que tivemos e que abriu coragem para que muitas outras fizessem o mesmo. E, também, porque ela e o Baiano retrataram um quadro matrimonial tão contrastante quanto encantador.




Hanna Christine Trein Drecksler


 


Hanna Christine Trein Drecksler nasceu em São Pedro do Sul,  e desde de 1977 fez de Gramado o palco de sua vida. Muito  cedo descobriu sua vocação: cuidar. No consultório médico onde trabalhava, presenciou um nascimento e, em vez de medo, sentiu encantamento. Ali entendeu que a vida se renova em cada parto e decidiu que seus filhos viriam ao mundo de forma natural. 


Casou-se em 1981, viveu três gestações, enfrentou uma perda e celebrou dois nascimentos. Amamentou com dedicação, mesmo entre fissuras e noites difíceis, e descobriu que maternar é reinventar-se. Entre salas de aula e tarefas domésticas, escolheu estar presente, reorganizando a vida para cuidar da família. 

 

Com os filhos crescidos, buscou novos caminhos, produziu pães e granolas, tornou-se microempreendedora e mergulhou em cursos de massoterapia, shiatsu e bioenergética. Em 2003 conheceu o termo doula e nele encontrou seu chamado. Tornou-se presença em partos, voz que acalma, mãos que confortam. Há 25 anos auxilia dezenas de nascimentos na cidade, deixando sua marca em cada história. 

 

Participa de projetos voluntários, acompanha gestantes em hospitais e casas, fala em rádios e jornais, sempre espalhando a ideia de que nascer é humano e poético. Enfrenta resistências, sem nunca perde a ternura. 

 

Sua trajetória se escreve no presente, feita de coragem e delicadeza. Hanna transforma dor em sabedoria e rotina em missão. Cada gesto é convite à vida, cada palavra um sopro de esperança. Sua história é celebrada como uma crônica de amor, escrita no compasso da respiração e no milagre dos nascimentos.




 Jane Elizabete Pozzo


                          


Jane Elizabete Pozzo nasceu em Santo Ângelo emitindo em dó sustenido menor seu primeiro choro. E com o tempo fez brotar choros de emoção que chegaram até a Inglaterra e a França, no compasso da força telúrica dos cantos que carregou para  muitos outros lugares.


Misturou-se com a música em todas as formas em que ela entrou no seu espírito, sem preconceitos nem limites de importância. Ela tem lhe acompanhado em participações esparsas desde a escola até os bancos universitários de pós-graduação. Aprendeu a usar a música como remédio e a regência sinfônica e de coral como molduras de uma personalidade simples. E em qualquer nível alimentou a convicção de que a música representa mais do que ela mesma, pois é pilar de bons costumes eternos, trazendo em si aconchego para sonhos da imaginação e da vida, nos momentos de procura por tempos mais felizes.


Mas, apesar de enrolada na música, Jane tirou tempo para passear em jardins de outras artes que, misturadas, resultaram numa bela imagem cultural. Iluminou como Primeira Prenda salões tradicionalistas, encheu ares com as poesias de Jaime Caetano Braun e subindo ao palco de atividades cênicas.


Seu retrato de entusiasmo pela vida levou-a a ser artista de cinema, produtora cultural, agente turístico e até voz política a serviço da cultura. Tanto que hoje é presidente do nosso Conselho Municipal de Cultura. E o mais sensível de tudo: Gramado foi o pano de fundo desse retrato.




Jurema Nunes da Silva


           

 

Jurema Nunes da Silva chegou em Gamado um dia depois do seu casamento trazendo consigo o marido Antônio Gonçalves e o diploma de professora.   E, daqui, nunca mais saiu.


Lecionou em várias escolas gramadenses sempre com uma proximidade profissional e emocional, poucas vezes vistas em trabalhadores de qualquer natureza. A escola foi tanto sua vida quanto pedaço sua família.


Sua já longa e exemplar vivência de gramadense se caracterizou pela paciência e pelo heroísmo. Sem jamais negligenciar seus deveres de mãe e de esposa, claramente demonstrou que sua vida acontecia mesmo era dentro de uma escola e o som que consolava sua alma era a voz das crianças e o motivo central de seus dias era mesmo o ensino.


A sala de aula era seu sagrado, consolador e santo lugar, sua principal fonte de realizações e límpida e desafiadora tarefa de educar e não de apenas ensinar.


Dados os estreitos limites de instituições de ensino gramadenses de então frequentou esparsos cursos de aperfeiçoamento, alguns noturnos com filho pequeno e marido esperando o fim da aula para irem juntos pra casa. 


Porém, o período formal de sua atividade docente não terminou com a aposentadoria. Retribuindo a Deus a longa vida que recebeu criou tempo para ajudar crianças com dificuldades de aprendizado ou prematuras ambições de alcançar o conhecimento. E com isso alcançou espaços de sabedoria para conviver a serenidade de mãe, avó e professora de sempre. Uma imagem de santa aos pés de quem sempre Gramado vai rezar.  




Loide Tissot




Como criança, Loide Beatriz Martins Tisott conviveu com a terra e como adulta conviveu com os desafios da escola. Nascida à luz de um pai amante da enxada tanto quanto dos livros, alfabetizou-se com ele, mesmo antes de conhecer uma professora. E não foi só um aprendizado, foi o nascimento de uma vocação. Além disso, uma construção moral, alicerçada em intocáveis valores de conduta. 


Os rigores que a vida lhe ofereceu, expuseram desafios muito exigentes e incomuns. Todos eles serviram para modelar uma personalidade preparada para nunca desistir, nunca procurar culpados e sim soluções. E foi com uma estrutura pessoal assim que Lóide viveu com sua família a dignidade das lágrimas e dos sorrisos.


Como professora e Diretora do Ramos Pacheco por dez anos, demonstrou que a educação ia muito além dos livros; que entender os profundos  motivos da vida estava acima das letras que dormiam numa biblioteca. Nunca abriu mão de sua liberdade de trabalhar a verdade administrativa, nem descansar à sombra de comodidades políticas.


Com abnegado e sempre oportuno auxílio de seu marido Osvaldo, fez de tudo para estender as paredes da escola ao alcance dos pais de seus alunos e da própria comunidade gramadense. Também, nunca se mostrou menor do que o peso das dificuldades que a vida lhe ofereceu na família ou no trabalho.


 E foi com um pouco de tudo isso que Gramado marcou Loide Tisot como inesquecível e exemplar personalidade que nunca se encolheu perante os desafios da vida, e nela caminha hoje a serenidade do dever cumprido com afeto, e fiel aos impulsos nascidos em seu coração.




Maristela Tomazeli




Maristela Tomazeli nasceu sob as sagradas e imortais influências de nossa Linha 28. Aí aconchegou os modelos espirituais que construíram seu  sucesso profissional, brilhante, distinto e moralmente intocável. A prematura percepção dos afetos que rodearam sua infância construiu um apego municipal que foi mais do que um vínculo com a alma, foi um instinto telúrico que orientou e orienta cada tempo de sua vida. E deu conteúdo à sua preparação universitária.


A personalidade pública de Tela Tomazeli, assim como sua caminhada sempre vinculada à nossa terra, gerou ricos desafios conceituais e contagiosas regras de trabalho fora do lugar comum. Integrou um patamar turístico original e compatível com as alturas que Gramado atingiu como a maior pequena cidade do Brasil. Mostrou com isso, que a força e as ambições afastadas da timidez são marcos de glórias independentes de tamanho.


O acúmulo de suas vivência gramadense vinculada ao turismo e sua terra, levou-a a se vincular ao jornalismo. Porém, manteve seus princípios individuais e tem se mantido afastada dos caminhos voláteis da imprensa comum.  Desse modo, confronta a voracidade cibernética que vulgariza o romantismo e a pureza das letras depositadas sobre papel.


Assim, a história gramadense reserva para Tela Tomazeli um afetivo pedestal, levando compreensão a todos os sins e a todos os nãos, que rotularam sua trajetória de louvada filha de nossa terra.




Similda Fisch Riegel


Em memória
Em memória


Similda Fisch Riegel conheceu a luz no primeiro mês de agosto do século XX. Era filha única de João Fisch Sobrinho, lendária personalidade gramadense do começo deste século, duas vezes Intendente Distrital e nome que percorre, até hoje, os caminhos da nossa história.


Ela acabou começando um curso para ser professora. Durou pouco porque seu pai comprou um hotel e, como precisava de gente para ajudar, retirou-a da escola. Porém, suas mãos grossas nunca apagaram sua alma de professora: de seus cinco filhos três foram professores profissionais, contentes e ensinando por si e por sua mãe.


Similda manteve a racionalidade da sala de aula, mas perdeu o controle emocional sobre os filhos. Para ela, jamais houve no mundo pessoa mais perfeita do que um filho dela. O equívoco, porém, fez com que eles admirassem mais um livro do que um sapato novo e achavam meio sem graça as histórias dos tiroteios de seu avô nos tempos de revolução.


Determinação sustentada pelo afeto fez Dona Similda chegar à velhice sem ter junto  em Gramado nenhum filho ou neto. Alimentava-se das lembranças e das  notícias que eles sempre lhe mandavam, cuidando para não informar qualquer acontecimento triste. E os relatórios foram tão cuidadosos, que ela deve ter morrido pensando que seus filhos eram perfeitos mesmo.


Examinando hoje em dia a personalidade dessa mãe, parece que seus exageros, santos e inteligentes, fizeram  parte de um plano. Sem nunca dizer o que seus filhos devessem fazer, eles fizeram tudo o que ela queria.




Vera Schwingel de Oliveira


                 


Vera Schwingel de Oliveira nasceu em Gramado e acumulou variados méritos perante nossa comunidade. Porém, do ponto de vista telúrico, o mais importante é o de ser filha do Ronaldo.  Na verdade, seu pai foi um dos personagens mais queridos, oportunos e eficientes na construção da identidade que temos hoje, tanto na área de afeições pessoais quanto nas econômicas ajudando a dar vida ao  mundo gramadense do chocolate.


Pois, criada onde foi Vera acumulou um espírito empreendedor que passou pelo comércio, pela produção artística de notável espectro criativo e que desembocou no lugar mais parecido com ela, a educação. Em cada passo de seu empenho profissional, demostrou o inquieto espírito do pai, fazendo ser diferente o igual por onde passou. Tanto que ilustrou peças de madeira, motivos sazonais para invólucros de chocolate até a sublime calmaria do mundo das aquarelas.


Enriqueceu, por estímulos fundamentais, o espírito de crianças que guardaram valores mostrando que ela era mais do que uma diretora de importante escola, mas artífice de um lindo caminho por onde passeou a esperança d duas gerações.


Hoje, a Vera trabalha descansando a eficiente simplicidade de suas conquistas. Reparte seu tempo entre a família, o pincel e a consciência dos justos louvores que os gramadenses têm escrito   nas mais carinhosas paginas de sua história.




Fotos: Gustavo Merolli
Fotos: Gustavo Merolli


Fotos do evento: Gustavo Merolli

Foto perfil das homenageadas: Arquivo pessoal





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