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Câmara Gramado: 'Nova Centralidade Norte' passa por sua última Audiência Pública

  • Foto do escritor: Tela Tomazeli | Editora
    Tela Tomazeli | Editora
  • há 17 minutos
  • 15 min de leitura
"O município não é proprietário de nenhuma área. O município esta regrando o uso e ocupação da região." Rafael Bazzan, secretário de Planejamento de Gramado

Informe-se sobre todos os detelhes no projeto
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O papel da Câmara de Vereadores na audiência pública, sobre a “Nova Centralidade Norte” de Gramado


GRAMADO - A audiência pública realizada na noite de quarta-feira, 15, na Câmara de Vereadores de Gramado, tendo como tema a “Nova Centralidade Norte” de Gramado, foi aberta e presidida pelo Vereador Ike Koetz, que atua como presidente da Comissão de Mérito responsável pela análise do projeto. Conforme as normas do Regimento Interno da Câmara de Vereadores de Gramado, projetos de grande repercussão exigem a realização de audiências públicas para debate com a comunidade. A comissão presente no evento foi composta pelos seguintes vereadores: Ike Koetz:, presidente e condutor dos trabalhos; Roberto Cavallin e Professora Denise membro.


 

O papel da Câmara e a condução de Ike Koetz

O evento ocorreu no Teatro Elisabeth Rosenfeldt (anexo à Câmara), local escolhido para comportar a apresentação técnica do Poder Executivo e a participação popular. Foi disponibilizado um número de WhatsApp para que a comunidade que acompanhava virtualmente pudesse enviar perguntas e sugestões. Servidores da casa circularam com formulários de inscrição para aqueles que desejassem falar ao final da apresentação e foi ressaltado que a audiência ficaria gravada e disponível nas mídias da Câmara para consulta posterior por toda a comunidade.

 

 Condução do Projeto após a Audiência

O vereador Ike Koetz detalhou as etapas protocolares que se seguem à audiência pública:

  • Manifestação da comunidade: A Câmara de Vereadores permanecerá aberta por mais 72 horas para receber manifestações por escrito da comunidade, que podem ser protocoladas fisicamente ou enviadas por e-mail (protocolo@gramado.rs.leg.br).


  • Reunião de Comissão: Após esse prazo, haverá uma reunião de comissão com a participação de todos os vereadores para a elaboração do relatório.


  • Votação em Plenário: Se houver entendimento favorável, o projeto segue para votação em plenário; caso contrário, podem ser solicitadas diligências ou novas conversas.


  • Protocolo de Projetos Privados: Após a aprovação e sanção do prefeito, os proprietários poderão protocolar seus projetos individuais na Secretaria de Planejamento.



Visão geral do projeto

O Secretário de Planejamento, Rafael Bazzan, e a Secretária de Meio Ambiente, Cristiane Bandeira, destacaram que o projeto é fruto de dois anos de estudos técnicos e debates com a comunidade e conselhos municipais.


  • Necessidade de expansão: Gramado cresceu 24,36% entre 2010 e 2022, um índice muito superior à média estadual de 1,76%.


  • Desafios atuais: A cidade enfrenta saturação da área central, problemas de mobilidade, falta de habitação acessível e pressão do mercado imobiliário (como o fenômeno do Airbnb).


  • Conceito de desenvolvimento: O objetivo não é apenas criar novos bairros, mas planejar uma centralidade regional que ofereça serviços, lazer e trabalho fora do eixo turístico tradicional, reduzindo o movimento pendular de trabalhadores.


  • Integração urbana: O planejamento utiliza conceitos modernos como a "Cidade de 15 minutos", onde as necessidades básicas estão a uma curta distância, e incentiva a mobilidade ativa (ciclovias e passeios confortáveis).



O novo paradigma ambiental de Gramado

Rompendo com a ideia de que a preservação da natureza impede o progresso, a Prefeitura de Gramado apresenta uma proposta onde o meio ambiente deixa de ser uma restrição para se tornar o principal ativo do desenvolvimento econômico. Através de um mapeamento minucioso, o projeto da Nova Centralidade estabelece que a urbanização deve ser uma resposta resiliente aos desafios climáticos, integrando corredores ecológicos e áreas de preservação ao desenho urbano da cidade.

 


Desmistificação e dados técnicos

A secretária Cristiane Bandeira enfatiza que "meio ambiente não quer dizer falta de desenvolvimento". Pelo contrário, o projeto utiliza dados reais (Plano de Arborização e levantamentos biológicos) para criar uma Cidade Resiliente.



A estrutura ambiental fundamental

O planejamento baseia-se em uma hierarquia de proteção que não pode ser revogada pela ocupação urbana:

  • Zonas de amortecimento: Áreas próximas a unidades de conservação (como o Parque dos Pinheiros) possuem regras específicas para proteger as bordas do ecossistema.


  • Corredores ecológicos: Mapeados para garantir o fluxo da fauna silvestre e a preservação da flora nativa, funcionando como áreas de fruição pública, mas proibidas para ocupação predial.


  • Preservação hídrica: Respeito rigoroso aos raios de APP (Área de Preservação Permanente) em torno de cursos d'água e declividades.

 


Inovação: O protetor-recebedor

Uma das grandes inovações é a inversão do conceito de "poluidor-pagador" para o de "protetor-recebedor".


  • Proprietários que mantiveram suas matas preservadas ao longo dos anos não serão penalizados.


  • Eles poderão utilizar a Transferência do Direito de Construir, movendo seu potencial construtivo para áreas mais aptas à urbanização, garantindo que a preservação ambiental gere valor financeiro ao proprietário.

 

O projeto se fundamenta em quatro pilares principais, começando pela Sustentabilidade, que busca a compatibilização da urbanização com a preservação do bioma da Mata Atlântica. Na área de Mobilidade, o foco é a implementação de um sistema intermodal, contemplando propostas como um teleférico e um terminal intermodal para melhorar a conectividade. O eixo da Equidade dedica-se ao desenvolvimento de programas de habitação voltados para faixas de renda entre 6 e 12 salários mínimos, visando a inclusão social no território. Por fim, a Gestão Inteligente prevê a criação do Escritório da Nova Centralidade, órgão responsável por monitorar indicadores e orientar as decisões de desenvolvimento da região ao longo do tempo.

 

Vereador Roberto Cavallin

O vereador expressou preocupações fundamentais sobre a preservação da identidade de Gramado e os impactos sociais do projeto:

  • Arquitetura e telhados: Questionou se o esboço apresentado respeitaria a arquitetura e a história da cidade, especialmente em relação aos telhados.

    • Resposta: Foi aprovada recentemente uma lei de estilo arquitetônico que deve ser rigorosamente cumprida na Nova Centralidade, garantindo que o desenho urbano mantenha a "pele da cidade" e seja reconhecido como a identidade de Gramado.


  • Prédios de 8 andares e meio ambiente: Demonstrou receio com a verticalização em áreas anteriormente não habitáveis e o risco de desmatamento ou crimes ambientais após a construção.

    • Resposta: Esclareceu-se que os empreendimentos passam por licenciamento ambiental rigoroso, com laudos de cobertura vegetal. Não se trata de desmatamento, mas de supressão autorizada com medidas de compensação ou reposição florestal. Sobre a altura, explicou-se que em áreas de Mata Atlântica em estágio avançado, as árvores já possuem altura compatível com essa edificação.


  • Habitação de interesse social: Questionou como garantir que essas moradias sejam acessíveis e como evitar a especulação imobiliária ou o mercado irregular (vendas sucessivas) em uma área que será muito valorizada.

    • Resposta: O projeto utiliza incentivos urbanísticos para tornar esse mercado rentável ao empreendedor, em vez de obrigações rígidas. Para controlar a ocupação, as transferências de imóveis exigirão anuência do escritório de gestão da Nova Centralidade, e as regras serão averbadas no registro de imóveis para inibir o mercado irregular.



Vereador Neri e vereadora Vivi Cardoso

Os vereadores focaram na situação dos atuais residentes e no cronograma de infraestrutura:


  • Proprietários Atuais: Questionamento de como ficam as pessoas que já possuem sítios ou residências na região e não têm intenção de empreender no momento.

    • Resposta: Quem não tem interesse em empreender pode continuar com sua propriedade sem alterações. O processo de urbanização ocorrerá de forma gradual, à medida que os proprietários decidirem desenvolver seus projetos ou vender para investidores.


  • Parque dos Pinheiros: Questionamento sobre a previsão de uso da comunidade para este espaço.

    • Resposta: O Parque é uma Unidade de Conservação de Proteção Integral, o que impede o livre acesso para lazer comum. No entanto, é utilizado para educação ambiental guiada, treinamentos (como o dos Bombeiros) e, em breve, abrigará um centro de tratamento de animais silvestres em parceria com o Estado. Visita deve ser agendada.


  • Saneamento e Infraestrutura: Preocupação se a estrutura atual (água e esgoto) suportaria a expansão.

    • Resposta: A migração do contrato da Corsan para concessão incluiu cláusulas que obrigam a concessionária a atender a demanda projetada de expansão urbana. Além disso, o escritório de gestão articulará com outras concessionárias (RGE, Sulgás, Correios) para garantir que a infraestrutura acompanhe o crescimento.


O projeto prevê que a cidade se desenvolva "por partes", com a infraestrutura viária (como a extensão da Borges de Medeiros) sendo construída em conjunto entre o poder público e os empreendedores à medida que a ocupação avançar. 

 


 O futuro da saúde em Gramado


Dr. César Maciel, presidente do Conselho da Saúde de Gramado

"Rafael, é uma pena que você não tenha aceitado nossos convites para discutir isso com o Conselho de Saúde. Minha preocupação é clara: essa 'Nova Centralidade' não terá um hospital para a cidade, mas sim para o empreendimento. Se tirarmos os convênios privados do Hospital São Miguel para levar a esse novo complexo, o São Miguel, que já teve um prejuízo de 5 milhões, vai falir. Quem vai pagar a conta do SUS? Não podemos aprovar isso sem um estudo profundo sobre o impacto na saúde da nossa comunidade."

 

 

Professor Benamy:

"Dr. César, entendo sua visão médica, mas este projeto foi pensado sob a premissa do Net Gain (ganho ambiental e social). O maior capítulo do nosso diagnóstico é dedicado à saúde porque Gramado tem a vocação de ser um refúgio regenerativo. Nossa análise aponta para uma centralidade regional que atraia tratamentos de alta complexidade, hoje concentrados em Porto Alegre. Cidades como Miami e Palm Springs combinam turismo com excelência médica; queremos que Gramado seja um centro de pesquisa, capacitação e atendimento de ponta que beneficie toda a região até Montenegro."

 

Promotor Max Guazzelli:

"Doutor, nós somos parceiros na luta pelo São Miguel. Eu praticamente administrei aquele hospital durante a pandemia em 2020 e sei o quanto tentaram nos enganar para retirá-lo da cidade. Mas precisamos diversificar nossa economia; o turismo sozinho nos deixa vulneráveis, como vimos nas enchentes de 2024. A saúde agrega valor. Quanto ao São Miguel, o Ministério Público não o deixou cair desde 2013 e não será agora. Inclusive, acabamos de ajuizar uma ação para garantir o aumento do repasse e colocar as contas do hospital no azul. O senhor não se preocupe com o São Miguel, pode deixar isso comigo."

 

 

Rodrigo Paim (Ex-vereador)

O ex-vereador Rodrigo Paim expressou fortes preocupações sobre a viabilidade e a intenção do projeto de habitação popular:

  • Êxodo Populacional e Mão de Obra: Ele argumentou ironicamente que, em breve, Gramado não precisará mais do SUS, pois as pessoas que dependem dele estão se mudando para outras cidades por não conseguirem morar em Gramado. Ele apontou que a cidade enfrenta uma grave crise de falta de mão de obra.


  • Ceticismo sobre o Incentivo: Paim questionou a eficácia do modelo de "incentivo" à habitação, sugerindo que, se não houver obrigatoriedade real, os empreendedores podem optar por não construir esse tipo de moradia.


  • Crítica ao Perfil de Renda: Ele criticou as faixas salariais previstas (de 3 a 12 salários mínimos), afirmando que o projeto não atende a quem realmente precisa e não possui carro, dependendo de um transporte público que ele classificou como "caótico".


  • Sugestão de Investimento em Outros Bairros: Propôs que, em vez de focar apenas na área nobre da Nova Centralidade, o município utilize índices construtivos para incentivar prédios em bairros periféricos como Carazal, Piratini e Várzea, onde já existe infraestrutura de escolas e saúde.


Dra. Vanesca Buzelato Prestes (Consultora Jurídica)

A Dra. Vanesca respondeu aos questionamentos técnicos e jurídicos levantados por Paim:

  • Continuidade do Plano Diretor: Esclareceu que as regras de habitação popular do Plano Diretor de 2022 continuam vigentes e que a Nova Centralidade traz "elementos adicionais" para potencializar o que já existe.


  • Limitações Municipais: Explicou que o município não tem poder legal para regular preços de imóveis ("congelar preços"), por isso utiliza o instrumento do incentivo com obrigatoriedade. Se o empreendedor quiser usar o incentivo de construir mais, ele é obrigado a destinar um percentual para habitação.


  • Controle de Aluguel por Temporada: Refutou a ideia de que as moradias populares seriam usadas para Airbnb, afirmando que haverá um Escritório de Gestão para monitorar e garantir que as unidades cumpram sua finalidade social.


  • Conceito de Habitação: Defendeu que o projeto foca em quem trabalha e vive em Gramado, permitindo financiamento e acesso à moradia dentro de modelos compatíveis com a legislação brasileira.


Prof. Dr. Benamy Turkienicz (Fundação Luiz Englert)

O Dr. Benamy complementou a defesa técnica do modelo urbanístico proposto:

  • Modelo de urbanização inovador: Afirmou que o projeto se inspira em modelos europeus e escandinavos, onde a atividade econômica deve estar atrelada à provisão de habitação para os trabalhadores próximos ao local de trabalho.


  • Mistura social (Miscigenação): Enfatizou que o objetivo é permitir que diferentes classes sociais convivam no mesmo espaço territorial, combatendo a injustiça social histórica relacionada a salários e oportunidades de vida.


  • Viabilidade econômica: Relatou que o modelo de cotas imobiliárias foi testado com empreendedores locais, que aceitaram a ideia de não destinar os empreendimentos exclusivamente à classe alta.


  • Visão gradual: Admitiu que a Nova Centralidade não resolverá todos os problemas de Gramado sozinha, mas serve como um modelo que pode ser expandido gradualmente para outras áreas da cidade se for bem-sucedido.


 

Preocupações de Luiz Quevedo (Ex-Secretário de Trânsito de Gramado)

  • Conexões viárias regionais: Destacou a importância de planejar as vias considerando o futuro aeroporto de Caxias do Sul.


  • Limitações da Ponte do Raposo: Ressaltou que a estrada que liga Caxias a Gramado via Ponte do Raposo não possui estrutura para transporte de carga.


  • Logística de cargas: Apontou que o fluxo de carga deve ser direcionado pela Estrada do Juá, que conecta o distrito industrial de Canela.


  • Preservação do atual centro de Gramado: Expressou receio de que o desenvolvimento da "nova centralidade" leve ao abandono do centro antigo de Gramado em um horizonte de 10 a 20 anos.


  • Novas vias: Questionou se há previsão de novas conexões, como o enlace da RS-235 diretamente com a nova centralidade.

 

Resposta de Rafael Bazzan

  • Plano de mobilidade: Confirmou que o plano já prevê o alargamento da via de acesso que liga o centro atual à nova centralidade.


  • Malha estruturada: Propôs novas conexões, incluindo o acesso à Estrada do Caracol e o alargamento da Estrada do Meleiro, visando uma malha viária menos dependente de uma única via.

  • Desafios topográficos: Concordou que as vias rurais (como a que passa pela Linha 15) têm topografia difícil, o que impede um acesso direto e pesado do aeroporto de Caxias; a conexão principal continuará sendo pela RS-476.


  • Vitalidade do centro: Citou Porto Alegre (região do Iguatemi) como exemplo de que novas centralidades exigem um olhar cuidadoso para manter a atratividade e vitalidade do centro tradicional.


3. Complemento do Professor Benamy

  • Sincronia Gramado-Canela: Revelou que o plano diretor de Canela foi desenvolvido simultaneamente ao de Gramado para garantir uma transição suave entre as duas cidades.


  • Integração regional: Destacou a criação de um "anel de circulação urbana" em Canela que se conectará diretamente com a nova centralidade de Gramado, facilitando a mobilidade entre os municípios.

 

Destaque: Um ponto muito positivo mencionado pelo Professor Benamy foi o esforço para fazer as duas cidades "conversarem" em termos de planejamento, algo que historicamente sempre foi um desafio na região.

 

 

Eric Bronger, bisneto do projetista do Bairro Planalto

Apesar de se apresentar como um "outsider" por sua chegada recente à vida comunitária, Eric Bronger possui raízes históricas profundas na região, iniciadas com a vinda de seu bisavô ao antigo quarto distrito de Taquara em 1910. Esse legado familiar é marcado pelo protagonismo urbanístico, uma vez que seu antepassado foi o projetista do Loteamento Planalto, e por estreitos laços sociais, evidenciados pela convivência de seu pai com figuras tradicionais da localidade, como o Sr. Érico e Dona Iraci.


Questionamentos:  Eric Bronger

  1. Cronograma: Quais são os próximos prazos para aprovação do projeto pelos vereadores e quando os empreendedores poderão apresentar a primeira versão de seus projetos?


  2. Zona de amortecimento: Qual o impacto exato dessa zona nas áreas urbanas, dado o seu traçado circular em torno do Parque dos Pinheiros?


  3. Unidades territoriais de vizinhança (UTVs): O que são exatamente as UTVs (1 a 8) mencionadas no Plano Diretor e se elas são todas iguais?


Respostas de Rafael Bazzan e Cristiane Bandeira

Sobre as Unidades Territoriais de Vizinhança (UTVs)

Rafael Bazzan explica que as UTVs são ferramentas de gestão e organização do território:

  • Análise correlacionada: Servem para que o escritório da "Nova Centralidade" analise projetos de parcelamento do solo não apenas de forma isolada (dentro da gleba), mas em relação à vizinhança, evitando problemas históricos de falta de conexão entre loteamentos em Gramado.


  • Mobilidade e Meio Ambiente: Visam garantir a continuidade de diretrizes viárias e corredores ambientais entre propriedades vizinhas.


  • Cidade de 15 Minutos: O tamanho de cada unidade é projetado para ser percorrível a pé em 15 minutos, auxiliando o município no planejamento de equipamentos públicos como escolas.

 

Sobre a Zona de Amortecimento

Cristiane Bandeira detalha que o formato e a função desta zona seguem critérios técnicos:

  • Critérios de delimitação: O traçado não é um raio perfeito porque considera a bacia hidrográfica, cursos d'água, fauna e a vegetação nativa (flora) ao redor do Parque dos Pinheiros.


  • Função de filtro: Funciona como uma área de borda para proteger a unidade de conservação, filtrando os impactos da atividade humana.


  • Restrições graduais: A zona permite intervenções humanas e atividades econômicas, porém as regras (definidas em decreto) são mais restritivas quanto mais próxima a área estiver da borda do parque.

 


Questionamentos e respostas (Jéssica Rama e Equipe Técnica)

A participante Jéssica Rama levantou dúvidas técnicas sobre a infraestrutura e o planejamento da região. Abaixo, as perguntas e as respectivas respostas de Rafael (Secretário) e do setor Jurídico:


1. Responsabilidade pela abertura de vias e custos

  • Pergunta: Existe um projeto de vias onde a prefeitura executa e a iniciativa privada arca com os custos, ou o mapa ainda não está definido?

  • Resposta (Rafael): A urbanização é de responsabilidade total do setor privado. O projeto traz diretrizes viárias e ambientais que devem ser seguidas. Caso um proprietário não queira urbanizar sua área agora, o município pode receber a área antecipadamente (dentro do percentual de 40%) e realizar a conexão viária por interesse público.


2. Índice construtivo e zoneamento

  • Pergunta: Os índices construtivos de cada setor (como o Corredor Verde e a Centralidade) já estão definidos ou serão debatidos em um plano diretor futuro?

  • Resposta (Rafael): Os requisitos urbanísticos já estão pensados e incluídos no projeto de lei. O projeto já contempla o zoneamento com detalhes sobre tamanho de lote, taxa de ocupação e testada para cada setor, de forma semelhante ao Plano Diretor.


3. Detalhamento do Traçado das Ruas

  • Pergunta: O projeto atual já deixa "gravado" (descrito) onde passarão as ruas, diferentemente do que ocorre hoje?

  • Resposta (Vanesca/Rafael): Sim, as diretrizes já estão gravadas e descritas em um anexo no plano diretor, indicando por onde as vias devem passar. No entanto, Rafael ressaltou que essas são diretrizes que ainda dependerão de projetos de engenharia específicos para a execução final.



Eduardo Carvalho expressou preocupação com a segurança geológica da nova área de expansão urbana de Gramado, citando o aumento drástico de áreas de risco mapeadas pelo Serviço Geológico Brasileiro (de 7 para 68 áreas em 2024).

 

Cristiane Bandeira que coordenou o gabinete de crise, afirmou que essa preocupação é uma prioridade constante e detalhou as ações que o município já está executando para garantir a segurança da nova centralidade:


1. Mapeamento e Restrições Ambientais

  • Foram mapeadas todas as Áreas de Preservação Permanente (APPs) de declividade.

  • A ocupação dessas áreas já sofre restrições automáticas devido à inclinação do terreno, visando prevenir movimentos de massa.


2. Projeto "Adaptação" (Ministério das Cidades)

  • Gramado foi um dos poucos municípios selecionados para o projeto Adaptação, junto ao Ministério das Cidades.


  • Este projeto busca cruzar instrumentos ambientais com instrumentos urbanísticos, criando medidas de adaptação às mudanças climáticas especificamente para áreas de expansão urbana.


3. Rigor na licitação e fiscalização técnica

  • Manejo Mineral e Sondagens: Desde 2024, a Secretaria do Meio Ambiente exige termos de referência muito mais rigorosos para manejos minerais e contenções, solicitando um maior volume de sondagens e dados técnicos do solo.


  • Responsabilidade Técnica (ART): A Secretaria do Planejamento agora exige Anotações de Responsabilidade Técnica (ARTs) específicas para a estabilidade das edificações, especialmente em terrenos que envolvem cortes significativos.


4. Desmistificação de Aterros

  • Cristiane ressaltou que, com base em estudos técnicos realizados pelo gabinete de crise, nem toda área com aterro sofreu movimentação de massa. Isso indica que o problema não é o aterro em si, mas a qualidade técnica e o planejamento por trás dele, o que reforça a necessidade das novas regras de engenharia mencionadas.


Conclusão: A resposta de Cristiane indica que as sugestões de Eduardo já estão sendo integradas através de novos termos de referência técnicos, parcerias federais e um zoneamento rigoroso baseado na declividade do terreno.

 

  

A visão do planejamento integrado

Vitor Ferrari, profissional com mais de 30 anos de experiência em urbanismo, defende que o projeto não é apenas uma expansão, mas um planejamento integrado.


  • Ele argumenta que, ao planejar a zona de forma sistêmica, é possível conhecer melhor a região e integrar o sistema viário à infraestrutura de abastecimento e, crucialmente, às questões ambientais.


  • O foco está na criação de corredores ecológicos pontuais e permanentes, evitando que áreas de preservação (APP) fiquem isoladas e vulneráveis a problemas como aterramentos e falta de fiscalização na periferia.


Densidade e Urbanismo "Fino"

Ferrari destaca que a densidade é necessária devido ao alto custo do metro quadrado em Gramado. No entanto, ele propõe um urbanismo fino, focado na experiência humana:

  • Calçadas largas para que o pedestre não "tropece".


  • Espaços de convivência como parklets.


  • Uma arquitetura que respeite a topografia, evitando "monstros" no topo dos morros.



Delimitação e restrições ambientais

Em resposta aos questionamentos de Beatriz Masotti sobre a localização e as regras para os 900 hectares do projeto, os técnicos esclareceram a abrangência geográfica:


Localização geográfica

A área está situada em zonas que eram rurais e se tornaram urbanas após 2022. Os limites principais são:

  • Estrada do Parque dos Pinheiros: Delimita uma das faces da área.


  • Estrada da Lageana (Linha 15): O perímetro circunda o topo do morro nessa região, mas não desce em direção à Furna devido à diferença acentuada de nível.


  • Golf Club: A estrada do Golf também serve como marco, com o projeto contornando o topo do morro sem avançar para o outro lado.

 

Aplicação da Lei da Mata Atlântica

Cristiane enfatizou que a lei municipal não revoga a Lei da Mata Atlântica.

  • Áreas em estágio avançado de regeneração têm supressão proibida (100% de restrição).

  • Áreas em estágio médio permitem até 50% de uso, seguindo as regras de transição federais.


Inovação: O "Protetor-Recebedor"

Uma das maiores inovações apresentadas é a evolução do instrumento de Transferência do Direito de Construir (TDC).


"O cálculo da TDC geralmente é baseado no valor imobiliário puro. Na Nova Centralidade, estamos inserindo o valor ambiental como componente do preço."


Equipe Técnica.

  • Como funciona: Um proprietário que possui uma área de preservação (onde não pode construir nada) poderá vender esse "potencial construtivo" para empreendedores em áreas onde a construção é permitida.


  • Objetivo: Isso transforma o proprietário de áreas verdes em um recebedor, compensando-o financeiramente por preservar a floresta e manter a conectividade dos corredores ecológicos, que futuramente poderão ser usados pela população para caminhadas e ciclovias.


 

Mapa de Gramado. Área demarcada, da Nova Centralidade Norte. Fotos: Tela Tomazeli
Mapa de Gramado. Área demarcada, da Nova Centralidade Norte. Fotos: Tela Tomazeli

 


A narrativa final do encontro reforça que o papel do Escritório de Planejamento será fundamental para monitorar e corrigir rotas ao longo do desenvolvimento, garantindo que Gramado não perca sua essência enquanto busca novas matrizes econômicas, como o setor de saúde.



Assista a Audiência na íntegra. É informação completa.






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