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Corpo de Cristo celebrado com missa e procissão na Matriz São Pedro

  • Foto do escritor: Tela Tomazeli | Editora
    Tela Tomazeli | Editora
  • há 2 horas
  • 4 min de leitura


Por: Redação Gramado Magazine

Editoria: Cidade e Comunidade

 

GRAMADO - Na tarde desta quinta-feira (4), a Igreja Matriz São Pedro, em Gramado, recebeu a tradicional celebração de Corpus Christi. À frente do templo, fiéis confeccionaram um colorido tapete de serragem, que serviu de caminho para a procissão. Às 14h, teve início a missa presidida pelo Padre Neimar Pies, com homilia (sermão) proferida pelo Diácono Melquisedec, da Paróquia São Rafael, do bairro Vista Alegre, no Rio de Janeiro.


Corpus Christi, expressão latina que significa “Corpo de Cristo”, celebra a transubstanciação, a crença de que o pão e o vinho se tornam verdadeiramente o Corpo e o Sangue de Cristo. Instituída oficialmente em 1264 pelo Papa Urbano IV, após o Milagre de Bolsena, a solenidade é marcada pela adoração pública ao Santíssimo Sacramento, que neste dia é levado em procissão pelas ruas.


Durante a procissão, os fiéis rezavam e entoavam cânticos, reforçando o caráter comunitário e espiritual da celebração. O percurso incluiu a quadra, a Borges de Medeiros, a Avenida das Hortênsias, a Rua São Pedro e a Rua Pedro Benetti. Houve paradas em altares preparados pela Adega Cavichioni e pela Casa São Pedro, seguindo a tradição de moradores e comerciantes que ornamentam suas fachadas com flores, velas e imagens religiosas para acolher a passagem do Santíssimo. O ostensório, objeto litúrgico que carrega a hóstia consagrada, foi conduzido pelo diácono convidado. Para os católicos, como explica o Padre Neimar, nele não está apenas a representação de Jesus, mas o próprio Cristo, reafirmando assim a fé na presença real de Cristo.


O Coral São Pedro, grupo histórico da Paróquia, participou da celebração. Com quase 40 integrantes e sob regência desde 2016, de Alexandre Meneguzzo, o coral executou cânticos eucarísticos como “Eu te adoro, Jesus Hóstia”, o Kyrie da missa Orbis Factor e o Hino Eucarístico da liturgia, acompanhando os momentos da missa e a bênção final do Santíssimo Sacramento.


O tapete de Corpus Christi confeccionado em frente à Igreja Matriz São Pedro, foi elaborado com serragem colorida e se destacou como símbolo da preparação do caminho para Cristo. Considerado uma obra de arte efêmera, sua beleza e significado se unem ao propósito universal dessa tradição, presente em diversas comunidades católicas ao redor do mundo.


O sentido do tapete vai além da estética: ele é criado para ser percorrido primeiramente pelo Santíssimo Sacramento, conduzido pelo sacerdote com a hóstia consagrada. Somente após essa passagem os fiéis caminham sobre ele, em sinal de reverência e devoção. Essa prática reforça a sacralidade do espaço e a centralidade da presença real de Cristo na Eucaristia.


Assim, o tapete diante da Matriz São Pedro não apenas embeleza a celebração local, mas também conecta Gramado a uma tradição secular da Igreja Católica, que transforma ruas em templos a céu aberto e une fé, arte e cultura em homenagem ao mistério da Eucaristia.



Tapete de Corpus Christi, em frente a Igreja Matriz São Pedro. Crédito: Tela Tomazeli
Tapete de Corpus Christi, em frente a Igreja Matriz São Pedro. Crédito: Tela Tomazeli


A fé que sustenta: síntese da homilia de Corpus Christi, conduzida pelo Diácono Melquisedec, durante a Missa na Matriz São Pedro


Quando ocorre o milagre que dá origem à festa, nasce também um sentimento de inspiração tão grande que já se torna título dado aos Apóstolos. E no meio desse louvor, Jesus nos convida à fé: “Venha a fé como suplemento, os sentidos vão falhar”. Os sentidos podem enganar, mas a fé permanece.


O Evangelho de São João nos mostra que, quando Jesus disse “quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele”, muitos não compreenderam. Alguns discípulos se afastaram, dizendo que aquela palavra era dura demais. Mas Pedro, humilde e firme, respondeu: “Senhor, aonde iremos nós? Só tu tens palavras de vida eterna”.


Essa é a lição para nós hoje. Em momentos de dor, de dúvida, quando parece que Deus não nos escuta, é a fé que nos sustenta. A cruz e a esperança nos mantêm cristãos. Quantas vezes, em hospitais, em situações difíceis, não sentimos a ausência de Deus? Mas Ele está ali, presente na dor, próximo de cada um.


A fé não é argumento intelectual, é dom. É ela que guia e impede que o coração se vingue ou se perca. É ela que nos faz confiar mesmo quando não entendemos. Como aquela frase simples diante de uma imagem antiga: “Senhor Jesus, eu não estou entendendo nada, mas eu confio”.


A Eucaristia é o centro dessa fé. Quando o sacerdote levanta a hóstia consagrada, não é apenas pão. É o próprio Cristo presente. É o mistério que nos sustenta desde sempre. Por isso, nos ajoelhamos diante do Santíssimo Sacramento: não é símbolo, não é lembrança, é Jesus vivo.


Ao longo da história, milagres eucarísticos confirmaram essa presença. Mas não precisamos de milagres para crer. Deus permite sinais para fortalecer nossa fé, mas a certeza já está na promessa: “Eu estarei convosco até o fim dos tempos”.


A Eucaristia é a forma de perpetuar a presença de Cristo entre nós. É ela que sustenta a Igreja e dá sentido à nossa caminhada. Por isso, cada celebração de Corpus Christi, em qualquer parte do mundo, é um testemunho da fé que une os cristãos e nos lembra que Jesus está conosco, real e presente, no pão e no vinho consagrados.

 







Parada na São Pedro Casa de Pães, onde estava montado um altar. Foto: Tela Tomazeli
Parada na São Pedro Casa de Pães, onde estava montado um altar. Foto: Tela Tomazeli

Fotos e vídeos: Tela Tomazeli






 

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