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A monotonia do trânsito

  • Foto do escritor: Romeo Ernesto Riegel | Crônica
    Romeo Ernesto Riegel | Crônica
  • há 1 dia
  • 1 min de leitura

Ainda bem que o mês de fevereiro ficou para traz e com ele um punhado de manchas emocionais e físicas que costumam atormentar a população gramadense nessa época do ano. Os lamentos que chegam aos nossos céus, durante esse fatídico mês, têm por motivo principal a monotonia do trânsito, o desprezo a que são submetidas nossas ruas tão limpas e lisas como mesas de banquete. É que nossas intimidades não estão acostumadas a se manifestar nos domínios da solidão.


Nossas faixas de segurança, por exemplo, sentem-se desprestigiadas por não poderem consolar passos descrentes e apressados, tendo que se submeter a andares cansativos e sem sabor. Mas desencantados e decepcionados corais de passarinhos acabam desafinados, cansando os ouvidos de quem circula por aí. Os improváveis turistas que aparecem por aqui, mergulham em sentimentos de nostalgia, com saudade dos barulhos que normalmente compõem suas vidas


A doença espiritual que se estabelece carrega tantas decepções que até os saudosistas ficam entristecidos porque lhes aumenta as dores de ficar se consolando com o que não existe mais. Eles voltam à realidade da vida, costume que perderam há muito tempo. A falta da balbúrdia milionária que celebrizou nossa cidade assombra as algibeiras de muita gente que amaldiçoa fevereiro, um mês que deixa Gramado com cara de pobre. E o mais vergonhoso e inconfessável ânimo dos habitantes locais é a promissora vontade de voltar para o Brasil.

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