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A Beleza da Permanência: um passeio pelos ícones da moda

  • Moda l Por Juliana Zanettini
  • há 39 minutos
  • 2 min de leitura

 


Por Juliana Zanettini

Designer de Moda

 


As engrenagens da moda são movidas pela dinâmica das tendências. A cada temporada, inúmeras coleções são lançadas, alimentando o motor do consumo de uma indústria que movimenta mais de US$ 2,5 trilhões globalmente. Entretanto, esse mesmo universo abriga um interessante contraponto: em meio ao efêmero, existem criações que resistem ao tempo. São os ícones, ou seja, símbolos cuja relevância ultrapassa sua forma e função originais e passa a representar estilos, valores e comportamentos reconhecidos por diferentes épocas e contextos.


Toda indústria possui os seus ícones. No design, a cadeira Wassily, desenvolvida por Marcel Breuer em 1925 e inspirada no artista Wassily Kandinsky, permanece tão contemporânea hoje quanto há um século. No segmento automotivo, o Volkswagen Beetle de 1938, mais conhecido como Fusca no Brasil, tornou-se um dos automóveis mais emblemáticos da história.


A moda também construiu suas próprias referências, e Coco Chanel foi responsável por algumas delas. O perfume Chanel Nº 5, criado em 1921 em parceria com o perfumista Ernest Beaux, se transforou num clássico da perfumaria mundial. Na mesma medida, a bolsa 2.55, lançada em 1955, revolucionou os acessórios femininos ao introduzir a alça de ombro em uma época em que as mulheres os carregavam exclusivamente nas mãos. Já o famoso little black dress, ou pretinho básico, apresentado em 1926, permanece até hoje como sinônimo de elegância e sofisticação. São exemplos que comprovam uma verdade simples: uma boa criação pode ser longeva.


Outro ícone do vestuário surge da combinação jovem, descomplicada e transgressora entre o jeans five pockets, criado por Levi Strauss e Jacob Davis em 1873, uma t-shirt branca e sua sobreposição mais emblemática: a jaqueta de couro. Poucas composições atravessaram tantas décadas mantendo a mesma força estética. Nascido entre trabalhadores, aviadores, motociclistas, artistas e rebeldes, esse trio foi constantemente reinterpretado sem nunca perder sua essência.

 

A própria trajetória da jaqueta de couro ajuda a explicar sua permanência. Os modelos Bomber surgiram no início do século XX para fins militares, e a Perfecto, concebida pela Schott Brothers em 1928, tornou-se um símbolo da cultura motociclista e, posteriormente, da rebeldia juvenil eternizada pelo cinema. Mais do que produtos, essas jaquetas representam uma rara combinação entre funcionalidade, identidade e estilo. Trata-se de criações cuja essência permaneceu praticamente intacta, mesmo após décadas de releituras.


É provável que o segredo da longevidade dos ícones esteja justamente na autenticidade. Enquanto tendências surgem e desaparecem, eles continuam relevantes porque são imbuídos de história e tornam-se companheiros de uma jornada. Uma boa jaqueta de couro pode caminhar ao lado de um jeans por muitos anos, acumulando algo além das marcas de uso: as memórias de quem os veste. Juntos, preservam a autenticidade que os transformou em ícones e provam que não pertencem a uma temporada, mas a gerações inteiras.


E talvez seja justamente em um mundo tão acelerado que esses ícones encontrem seu maior significado. Eles nos lembram que nem tudo precisa ser substituído. Muito além de objetos de consumo, tornam-se símbolos de permanência em uma cultura orientada pela urgência. E é aí que reside a sua maior beleza: a capacidade de ressignificar o tempo e dar sentido àquilo que escolhemos conservar.

 

Legenda da imagem: O icônico modelo Perfecto, reinterpretado pela Black Bull.

Crédito:  Black Bull/Divulgação




 

 

 

 

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