Quando a tecnologia se torna onipresente, ser humano vira luxo
- Tela Tomazeli | Editora
- há 4 minutos
- 3 min de leitura
Em 2026, ser humano não é o oposto da tecnologia. É sua razão de ser.
GRAMADO SUMMIT 2026 - MAKE IT HUMAN: A IA chegou ao topo, agora a humanidade é a fronteira
Em 2026, a Inteligência Artificial deixou de ser promessa para virar infraestrutura do mundo. Com investimentos globais ultrapassando US$ 300 bilhões e agentes autônomos gerindo 40% das operações corporativas, a tecnologia atingiu uma escala que antes parecia ficção científica. Mas enquanto os algoritmos se tornaram onipresentes, surgiu uma escassez inesperada: a da autenticidade genuína.
Pesquisas sobre tendências de experiência do cliente em 2026 revelam um cenário paradoxal: em um mercado saturado por conteúdos sintéticos, 72% dos consumidores buscam marcas que preservem o "rastro humano" nas interações. Pensamento crítico e sensibilidade se tornaram as competências mais raras e valiosas do mercado. É nessa encruzilhada entre código perfeito e alma humana que a Gramado Summit 2026 (6 a 8 de maio, Serra Park, Gramado), apresenta seu manifesto: MAKE IT HUMAN.
Três frentes da batalha entre máquinas e propósito
Agentes de IA: quando ferramentas viram colaboradores
O salto evolutivo de 2025 foi dramático. Deixamos de apenas "perguntar" ao ChatGPT para ver nascerem os Agentes de IA—sistemas que não apenas conversam, mas agem, navegam e resolvem problemas de forma autônoma. Para 2026, esses agentes prometem se tornar onipresentes em navegadores e rotinas corporativas.
A questão que emerge é incômoda: se a IA agora consegue "fazer" por nós, o que sobra para o humano? A resposta é desconfortavelmente simples: intencionalidade e ética. Delegamos a execução, mas o propósito—o "porquê" fazemos o que fazemos—permanece exclusivamente nosso.
O grande desafio de 2026 será liderar esses agentes sem sacrificar a sensibilidade que apenas o contato genuinamente humano proporciona.
Google Genie 3: quando democratizar criação ameaça criadores
O Google apresentou o Genie 3, uma IA capaz de transformar uma simples foto em um mundo 3D interativo e jogável em segundos. O impacto foi tão sísmico que empresas de games perderam bilhões em valor de mercado, questionando fundamentalmente o futuro das grandes produções.
Se qualquer pessoa pode gerar um universo digital instantaneamente, o que tornará um jogo especial? A resposta que emerge das cinzas é a narrativa e a conexão emocional. A tecnologia democratiza ferramentas de criação, mas a humanização genuína de um jogo—aquela história que nos faz chorar, aquele mundo que reflete nossas dores e sonhos—continua sendo um talento artesanal profundamente humano.
A Singularidade assustadora: quando máquinas conversam sozinhas
Elon Musk e Andrej Karpathy soaram o alarme. O Moltbook—uma rede social povoada exclusivamente por agentes de IA interagindo entre si—se tornou o símbolo de um futuro próximo desconfortável. Musk chamou isso de "início da singularidade", enquanto especialistas alertam para o caos de spams e golpes gerados por bots sem supervisão.
O Moltbook é um espelho assustador: em um vazio digital sem supervisão humana, a inovação vira ruído. Sem o humano no centro, a tecnologia gera spam, não soluções.
O manifesto que 2026 demanda
O conceito "Make It Human" nunca foi tão urgente. Não se trata de luddismo ou rejeição tecnológica, mas de uma necessidade estratégica e existencial: garantir que nossas redes continuem sendo espaços de troca real entre pessoas.
A tarefa para os próximos meses é clara: usar IA para filtrar o caos, não para criá-lo. Preservar a humanidade no coração das operações, mesmo quando máquinas conseguem fazer tudo. Porque uma IA sem propósito humano é apenas um gerador de caos bem otimizado.
Fontes: Fast Company Brasil | The News (Waffle) | Canaltech







































































