Pizzaiolo Mirim 2026: em Gramado, uma comunidade construída a partir de um propósito

Opinião

Sobre como eu entro e como eu saio de um evento...
Sou uma pessoa que aprecia o bom tratamento, seja qual for a experiência. E não falo de penduricalhos: falo de pessoas. Também não falo de gente invasiva, mas de compreensão na arte do relacionamento. Isso não quer dizer que eu tenha ganhado o “Kikito de Simpatia”. Muito pelo contrário: tenho fama de “grossa”. Não que eu seja. Apenas ando pedindo que não me peçam opinião, porque, mesmo querendo ser “educada”, meus traços dizem o contrário.
Por que esta ladainha inicial? Para falar do Pizzaiolo Mirim 2026, realizado na terça-feira, 13 de outubro, no Porto Cara de Mau, em Gramado, do qual participei como jurada. Minha experiência ali começou antes mesmo de eu entrar, e está totalmente ligada ao que entendo como real “experiência”.
Cheguei pontualmente, como sempre. Não havia vaga nas redondezas, e o estacionamento do restaurante estava lotado. Um homem veio em minha direção: “Está lotado.” Ali surgiram duas Telas Tomazeli: a que briga e a que está em movimento para uma nova forma de olhar a vida.
Explico. Pintei na janela do meu lavabo uma frase de Osho: “Se você sente que todo mundo é seu inimigo, você se comporta de um jeito que todo mundo tenha que ser seu inimigo.” Sim, minha casa é toda customizada com presentes e ditos, para que façam parte deste novo eu. Levo essa frase para a vida. Foi ela que me conduziu, e segue conduzindo, a sair da defesa, da agressividade e da vitimização, e a olhar o mundo como aliado, não como inimigo. É, meus amigos: cavar uma nova existência a partir de um enraizamento não é tarefa fácil. Mas a gente consegue. Basta ter propósito.
De volta ao estacionamento: uma Tela gritando, a outra dizendo “está tudo bem”. E ficou tudo bem, porque perguntei: “E se eu deixar a chave contigo?” “Sim”, ele respondeu. “Preciso entrar pela frente?” “Não, pode entrar por aqui.” Esse foi o cartão de visita da Cara de Mau. Não pela solução em si, mas porque eu estava desarmada e, assim, pude entender que as coisas podem ser conduzidas de várias formas.
Gente, vai ser um textão!
O Pizzaiolo Mirim 2026 foi organizado pelas famílias Cara de Mau, Navio Cara de Mau, Porto Cara de Mau Porto Alegre, Gatzz Fondue & Show e Pizzaria Scur. O envolvimento das equipes parecia um Gre-Nal.

E me chamou muito a atenção a leveza, a discrição e, principalmente, a suavidade e o amor estampados nas mulheres da família Scur. Que belas mulheres, em todos os sentidos. Sabe quando a pessoa está presente, mas flutua? Quando sabe o que construiu, como construiu, de onde veio e o que alcançou, e carrega uma paz infinita que não precisa se salientar nem aparecer? É disso que falo: discrição.
Não fiquei parada analisando as pessoas, não é sobre isso. Mas, depois de ler algumas obras da Ontopsicologia, de Antonio Meneghetti, passei a perceber a “intencionalidade”. E afirmo: é sensacional ter esse “dom” e, mais ainda, saber lidar com ele. Aí entra a palavra “política”, não no sentido eleitoral, mas no de saber conduzir. Cada lugar aonde vou (e ando selecionando) traz uma contribuição para a minha caminhada.
O Capitão Cara de Mau sabia que o momento era seu, mas, assim como as mulheres da família Scur, mantinha-se na observação. Um grupo que confia na sua equipe e uma equipe que tem não apenas liberdade, mas a confiança de fazer acontecer, formavam uma esteira que se comunicava por olhares e gestos, como se a rota fizesse parte do DNA. Ninguém era mais do que ninguém.
Mas vamos às crianças, que são o que importa. As entidades (PAMA, Santíssima Trindade, Semear e Casa Lar) dividiram seus grupos entre o artístico e a gastronomia. No final, todos participaram da apresentação, com o tema Anos 80. Foi espetacular. A entrega das crianças arrancou lágrimas de alguns jurados. Outros se levantaram para dançar (eu, entre eles). Os mais contidos ficaram nas palmas. Foi muito “potente”, como gosta de dizer o curador do Festival de Cinema de Gramado, Marcos Santuario, ao se referir a um bom filme selecionado.
Qual a lição, além do óbvio? O propósito. Foi um concurso de pizzaiolo mirim em que, na minha visão, falamos de tudo, menos de pizza. Falamos de humanidade? Também. Mas, acima de tudo, falamos de propósito: levar crianças e adolescentes para além do lugar de quem apenas recebe cuidado (um cuidado que vai do psicológico ao material) e ampliar sua visão de vida. Nossa perspectiva de vida parte da nossa “caixa-preta”. O que vimos naquela terça-feira foi o resultado do trabalho que as entidades fazem com seus acolhidos para que eles cheguem a uma apresentação como aquela. Isso é propósito. Isso é construção emocional.
Como diz o presidente da Agência Visão, Jorge Maldaner, “quando o propósito vai além do negócio, as entregas são incríveis”. Foi o que vi no Pizzaiolo Mirim 2026: um grupo empresarial e entidades unidos para despertar, em crianças e adolescentes, suas potencialidades e, quem sabe, um novo olhar sobre a própria vida. Trouxeram à tona algo que foi muito além de uma receita de pizza. Foi uma receita de como uma iniciativa pode criar perspectiva. E foi também um recado para nós, adultos, que achamos já ter atravessado o rio, mas tantas vezes seguimos à deriva, sem ânimo, sem propósito. Eu me incluo. Aí olhamos para essas crianças e entendemos que é hora de reavaliar as nossas braçadas, antes de afundar.
E, para finalizar, volto ao título: uma comunidade construída a partir de um propósito. Gramado é assim. Os empresários de Gramado são assim. A comunidade de Gramado é assim: projetos que constroem cidadãos.
Por isso Gramado é o que é!
Tela Tomazeli
Imagens: Tela Tomazeli
Semear, a grande vencedora. Leia aqui!






























































Comentários