O que faz o pão com linguiça de Gramado ser único no país e de relevante interesse cultural?

INSTITUCIONAL
A Câmara Municipal de Gramado votou e aprovou, na Sessão Ordinária desta segunda-feira (5), o projeto que declara o modo de fazer do pão com linguiça artesanal de relevante interesse cultural, para inscrição como Patrimônio Cultural Imaterial do município. A proposta cria o selo promocional "Pão com Linguiça de Gramado, Patrimônio Cultural" e prevê ações de proteção, valorização e transmissão desse saber-fazer entre gerações.
E o que torna esse modo de fazer tão especial? Em Gramado, a linguiça vai para dentro da massa crua, antes de o pão entrar no forno.
O PLO 054/2026, de autoria do Executivo Municipal, tem manifestação técnica favorável do Conselho de Proteção Histórico, Artístico, Ambiental e Cultural (CONPHAAC).

Um preparo que não se vê em outras regiões
O projeto é acompanhado pelo Relatório do Patrimônio Imaterial: Pão com Linguiça, assinado por Patrícia Ibarros dos Santos (coordenadora do museu Hugo Daros, Gramado) e Márcio Dillmann de Carvalho (Museólogo concursado da Prefeitura de Gramado). Em outras regiões, o pão e a linguiça são preparados separadamente. Em Gramado, o processo é único e artesanal, com a linguiça colocada na massa ainda crua. O resultado, descreve o relatório, é um sabor singular, característico e reconhecível em qualquer feira, evento ou praça da cidade.
Os cinco critérios que Gramado atende
O relatório aponta cinco critérios que justificam o reconhecimento:
Relevância cultural: uma tradição viva, com saberes e práticas transmitidos entre gerações desde os primórdios da imigração.
Relevância econômica: uma cadeia produtiva que envolve produtores rurais, agroindústrias, feirantes e comerciantes.
Relevância social: a produção e a venda geram trabalho e renda e mantêm vivas as tradições familiares e comunitárias.
Relevância turística: o pão com linguiça é um dos principais atrativos gastronômicos da cidade e é muito valorizado pelos visitantes.
Singularidade: o método de preparo diferencia o produto de qualquer outro semelhante encontrado em outras regiões do país.
Herança dos imigrantes
A história do pão com linguiça se entrelaça com a própria formação de Gramado, marcada pela chegada dos imigrantes europeus, em especial alemães, italianos e portugueses, a partir do final do século XIX e início do século XX. Eles trouxeram não apenas seus costumes, suas línguas e suas tradições, mas também seus saberes culinários, que foram sendo adaptados às condições locais e à convivência multicultural.
Lurdes Weber, moradora da Linha Moreira, é uma das pioneiras na produção e venda do pão com linguiça e já representa a terceira geração dessa prática na família.
Das feiras para as ruas turísticas
As primeiras combinações surgiram nas feiras, quando os produtores vinham ao centro da cidade vender seus produtos e precisavam matar a fome durante o dia. Nas décadas de 1970 e 1980, com o fortalecimento do turismo, o pão com linguiça se consolidou como um dos principais atrativos gastronômicos de rua de Gramado.
"Essa trajetória histórica demonstra que o pão com linguiça não é um produto ocasional, mas sim resultado de um processo sociocultural contínuo, que integra saberes ancestrais, práticas comunitárias e a capacidade de adaptação e inovação dos gramadenses", destaca o documento.
Mil pães por dia na Linha Moreira
Faz parte dessa história a Associação de Fornos de Gramado (AFG). Criada em 2003, a entidade reúne mais de 160 sócios de todas as linhas do interior, organizados em 13 grupos, e funciona em um espaço na Praça das Etnias.
Só o grupo da Linha Moreira produz cerca de mil pães com linguiça por dia, segundo Luiz Nelson Pereira Dias, representante dos fornos coloniais da localidade.
A cidade conta ainda com a Associação dos Fornos da Várzea Grande, que atende principalmente a comunidade local e reúne mais de 40 pessoas em seis grupos.
Na alta temporada, o consumo dispara. Estimativas locais citadas no relatório apontam crescimento de mais de 300% em períodos como o Natal Luz, a Festa da Colônia e o Festival de Cinema.
Próximo passo: Capital Nacional?
Pela legislação municipal, o reconhecimento se concretiza com a inscrição definitiva do bem no Livro Tombo, depois da promulgação da lei.
Na justificativa assinada pelo prefeito Nestor Tissot, o Executivo lembra que cabe aos municípios a responsabilidade inicial de proteger os bens culturais. "Quando uma cidade reconhece e valoriza uma prática cultural, isso fortalece a preservação da sua cultura local e facilita que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) reconheça oficialmente essa atividade na região", diz o texto.
O relatório mira ainda mais longe. O documento defende o reconhecimento oficial pelo Município como Patrimônio Imaterial para, quem sabe, futuramente requisitar o título de Capital Nacional do Pão com Linguiça no Rio Grande do Sul.
Saiba mais sobre o assunto:

Este conteúdo contou com apoio de inteligência artificial, usada como ferramenta de produção, com apuração e revisão da redação do Gramado Magazine.




























































Comentários