O Gramado, Canela Convention & Visitors Bureau anunciou a retomada da cobrança do Room Tax
- Tela Tomazeli | Editora
- 14 de mai.
- 5 min de leitura
GRAMADO - Contribuição voluntária realizada pelos visitantes por meio da hotelaria, em parceria com o Sindtur Serra Gaúcha, assume papel da TTS.
Diferente da antiga Taxa de Turismo Sustentável (TTS), que era compulsória, o Room Tax volta em formato voluntário, com recursos destinados integralmente à promoção do destino e à captação de eventos, dois dos principais vetores de desenvolvimento econômico da região. Inicialmente, a arrecadação será concentrada em Gramado, município que manteve a cobrança da TTS por mais tempo e já possui estrutura consolidada para a operação. A partir dessa base, o modelo será expandido para Canela e Nova Petrópolis, em diálogo com a hotelaria local.
A parceria com o Sindtur Serra Gaúcha é considerada estratégica para ampliar a adesão dos empreendimentos e fortalecer o engajamento do trade turístico. Segundo Claudio Souza, presidente do Sindtur:
“Essa parceria com o Convention fortalece a gestão da Room Tax e marca um novo momento de integração entre as entidades, permitindo que avancemos com ações conjuntas mais estruturadas, ampliando a promoção do destino e a atração de novos eventos para a Serra Gaúcha.”
Felipe Fioreze, presidente do Convention Bureau, reforça o impacto da iniciativa:
“O turismo é o principal motor econômico da nossa região e precisa ser trabalhado de forma integrada. Com a retomada do Room Tax em parceria com o Sindtur, conseguimos ampliar a base de arrecadação e fortalecer os investimentos em promoção turística, o que impacta diretamente na atração de visitantes e eventos.”
Os números comprovam a relevância do setor. Apenas em 2025, o turismo de eventos gerou R$ 958,8 milhões na economia de Gramado e Canela, com a realização de 681 eventos e a participação de cerca de 272,6 mil pessoas. O novo modelo colaborativo reafirma o compromisso com o desenvolvimento sustentável e a manutenção da competitividade da região como um dos principais destinos turísticos do Brasil.
O Gramado, Canela Convention & Visitors Bureau é uma entidade sem fins lucrativos que atua na promoção do destino e na captação de eventos, conectando hotéis, restaurantes, espaços de eventos e demais serviços do setor. Já o Sindtur Serra Gaúcha representa empresas de hotelaria, gastronomia, parques, museus e similares em cidades como Gramado, Canela, Nova Petrópolis, São Francisco de Paula e Picada Café, apoiando o desenvolvimento sustentável do turismo e fortalecendo o ambiente de negócios.
Além disso, o Mini Mundo, primeiro parque temático de Gramado, lançou o programa educacional Mini Empreendedores, gratuito e voltado a estudantes do 3º ao 9º ano. A iniciativa busca estimular a visão empreendedora em crianças e adolescentes, incentivando-os a refletir sobre a pergunta: “O que é empreender?”, utilizando o parque como ambiente criativo para o aprendizado.
Questionamentos as entidades:
Durante a explanação sobre a retomada do Room Tax em Gramado e Canela, os representantes das entidades envolvidas, Luciano Gonçalves (Convention) e Lisa Gottschalk (Sindtur), responderam a uma série de perguntas feitas pelos interlocutores presentes.
Quando questionado sobre a diferença entre a nova taxa e a anterior, Luciano Gonçalves explicou:
“A futura taxa ainda está sendo trabalhada pela prefeitura, esperamos que seja compartilhada com as entidades. A diferença é que Room Tax é voluntário, enquanto a TTS era compulsória por força de lei. Todo hóspede era obrigado a pagar a TTS, e se o turista recusasse, o hoteleiro absorvia o custo. Já o Room Tax será oferecido no check-out. Se o turista não quiser pagar, o hotel estorna e não deve nada. Isso torna a taxa mais democrática. O valor permanece o mesmo da TTS: R$ 3,43 por dia.”
Sobre o destino dos recursos, Luciano esclareceu:
“O Room Tax vai direto para o Convention, que depois compartilha com o Sindtur (ainda não sabe qual será a divisão de valores). Na TTS, por ser tributo municipal, o hoteleiro não podia descontar impostos e repassava integralmente à prefeitura. No Room Tax, permitimos que o hoteleiro desconte custos como cartão de crédito. Fizemos uma média de 15% de desconto para ser justo entre hotéis que pagam tributações diferentes.”
A respeito da divisão dos valores entre as entidades, Luciano destacou:
“O Convention seguirá investindo em captação e promoção de eventos, fortalecendo o turismo de negócios e participando de mais feiras MICE, que são caras e exigem recursos. Com mais arrecadação, poderemos trazer mais visitantes e movimentar a economia local.
” Já Lisa Gottschalk complementou: “No caso do Sindtur, o objetivo é ampliar ações fora do estado e em outras regiões do Brasil, para atrair mais turistas de lazer. Além disso, os empresários terão voz ativa na definição de como o recurso será aplicado, seja em feiras, marketing ou infraestrutura.”
Quanto à estimativa de arrecadação, Luciano afirmou:
“O ideal seria alcançar o mesmo valor da TTS, que repassava cerca de R$ 71 mil mensais ao Convention. Mas como o Room Tax é opcional, estimamos arrecadar entre 30% e 40% desse valor. Vai depender da adesão da hotelaria e da conscientização das equipes.”
Lisa acrescentou: “É um movimento ainda embrionário, mas muitos hotéis já se manifestaram positivamente. O mais importante é que os empresários terão proximidade e poder de decisão sobre onde investir o recurso, o que aumenta o engajamento e a confiança.”
Sobre a importância da taxa para o Convention, Luciano foi enfático:
“O Convention vive basicamente dessa contribuição. Diferente do Sindtur, não temos outras receitas. No Brasil, a maioria dos Conventions é mantida pela hotelaria, chegando a 80% da receita. No nosso caso, a dependência é ainda maior: 85% da receita vem dessa taxa. Sem ela, não conseguimos manter a captação de eventos e a promoção turística.”
Lisa complementou: “O Sindtur já realiza ações em outras localidades e possui o sistema Flutua, que analisa dados em tempo real sobre a origem dos turistas. Com essa informação, conseguimos direcionar campanhas e eventos para atrair visitantes de regiões estratégicas, como São Paulo. Agora, com a parceria e o recurso do Room Tax, poderemos ampliar ainda mais essas ações.”
Por fim, ao serem questionados sobre a ausência da hospedagem no Observatório do Turismo de Gramado, Luciano explicou:
“A análise do Observatório é com dado passado. Já o sistema do Flutua, do Sindtur, é totalmente diferente. Ele permite visualizar não só o passado, mas também o presente e o futuro, porque integra diretamente os sistemas de gestão dos hotéis (PMS).”
Lisa completou: “O Observatório utiliza dados da Claro e das praças de pedágio, enquanto o Flutua coleta informações diretamente da hotelaria. São bases diferentes. O Flutua não está contemplado dentro do Observatório porque é uma criação de uma entidade representativa, com um papel distinto da prefeitura, que trabalha com ações mais globais. Por isso, o Sindtur não participa oficialmente do Observatório.”

Foto: Tela Tomazeli
Informação
Em um núcleo que tem por meta o mesmo objetivo, o isolamento de informações soa inadequado. O Observatório do Turismo é hoje um mecanismo absolutamente democrático, enquanto o Flutua, embora seja um sistema amplamente elogiado, permanece restrito ao acesso dos associados do Sindtur.
Em conversas com colegas, foi unânime o entendimento de que os jornalistas locais não recebem dados de forma direta, já que a entidade prioriza encaminhar informações para veículos da capital em detrimento dos meios de comunicação da cidade. Além disso, há relatos de certa indisposição em atender a demanda local, o que reforça a percepção de distanciamento entre a entidade e a imprensa de Gramado.
Esse cenário levanta questionamentos sobre a integração e a transparência das informações, especialmente em um setor que depende da união de esforços para fortalecer o turismo e ampliar sua competitividade. Ainda que seja uma iniciativa privada, é inegável que, na hora de captar resultados, o poder público desempenha papel fundamental.
É importante destacar que não se trata de uma crítica ao projeto do Sindtur, mas sim de um questionamento sobre os motivos que levam, em tantas ocasiões, à escolha por um caminho próprio, isolando esforços da hotelaria e da entidade. Novamente, não se discute a validade da iniciativa, mas sim a falta de integração e o acesso limitado aos dados da hotelaria, que poderiam contribuir de forma mais ampla para a informação.
Tela Tomazeli
Editora





































































