O Coração da nossa Gente: O legado de Noreh Michalski na Festa da Colônia
- Tela Tomazeli | Editora

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Atualizado: há 1 hora

GRAMADO - Na abertura da 35ª Festa da Colônia, a Gramadotur realizou um gesto de profunda justiça histórica ao homenagear Noreh Michalski. Ao lado de figuras como Pedro Bertolucci, Luciano e Marlene Peccin, Noreh não apenas planejou um evento; ele compreendeu que Gramado precisava, acima de tudo, honrar suas raízes para projetar o futuro.
Minha memória guarda com nitidez a imagem de Noreh, um homem de elegância impecável, sorriso generoso e sempre disposto ao diálogo. Em seu escritório na Rua Coronel Diniz, ele acolhia minhas ideias quando eu ainda estava "crua", buscando meu espaço, mas já transbordando essa essência gramadense. Impossível não registrar Ivonete, sua esposa, pessoa indescritivelmente amável.
Foi ele quem me incentivou a realizar a exposição fotográfica sobre o interior de Gramado, registros que hoje pertencem ao Centro Municipal de Cultura Arno Michaelsen e que permanecem vivos nas paredes do segundo andar.
A Festa da Colônia, sob a batuta de Noreh, Pedro e Luciano, materializou o ditado: "Nós saímos da colônia, mas a colônia não saiu de nós".
Luciano Peccin foi o arquiteto desse resgate, consolidando o orgulho de um povo pelas suas origens.
Noreh não entregava apenas uma festa; ele entregava uma vivência. Sua "escola de vida" ensinou o valor do detalhe, da decoração à instrução dos colonos.
O resultado desse esforço é visível hoje: famílias e herdeiros rurais preparados para receber o turista com profissionalismo, sem perder a autenticidade de suas terras.
A vida é feita de escolhas e caminhos. Noreh escolheu servir, e sua contribuição moldou a Gramado que conhecemos. No entanto, fica a reflexão: em tempos de imediatismo, é preciso cuidado para não trocarmos tijolos por adesivos. Afinal, como diz o ditado, cada um dá o que tem, e Noreh nos deu alicerces sólidos.
"Nós tivemos a oportunidade de trabalhar por esta comunidade, e essa chance foi o que de mais importante nos aconteceu." Noreh Michalski
Obrigada, Noreh. Estamos aqui com a festa, celebrando sua visão. E obrigada, Prefeito Nestor Tissot, por continuar promovendo a qualidade de vida àqueles que são a base de nossa terra: nossos agricultores. Não é sobre ter o melhor discurso, mas sim, sobre quando nossa memória nos reporta a momento que vivemos e, sobre isso, sou muito grata!
Mais prosa emocional
Se me permites aqui, vou trazer uma reflexão sobre o que somos, o que seremos ou não. O que eu falo vem neste momento em que edito este conteúdo e serve para mim.
Qual o verdadeiro valor da existência? Dinheiro, posses, terra, carros, roupas... Sim, tudo isso é e deve fazer parte; se não fosse, não teria sido criado. Mas, ao promovermos o dia a dia da nossa existência, o que realmente nos move intencionalmente? E não é sobre o bem e o mal, porque muitas vezes isso é involuntário.
A grande verdade nisso tudo, que me vem ao pensamento, é aquilo que a nossa memória registra, sem o julgo externo. A grande verdade é que nos ampara. E, penso que a verdade é sobre como, ao deitar a cabeça no travesseiro, sorrio Agradecendo, e durmo.
Muitas vezes eu digo a amigos que os amo incondicionalmente, e é verdade. Eu tinha amigos que contava nos dedos; hoje preciso de duas mãos. E não é sobre o que me trazem em troca, é sobre o quanto podem contar comigo.
Noreh, eu te confesso que ver-te como estás me traz questionamentos, não sobre ti, mas sobre mim. Sob um olhar amplo de como nos comportamos frente às adversidades. Eu não sou, com certeza, a tua melhor resposta, mas tenho duas pessoas que zelam por ti e por muitas pessoas em Gramado. E, será quantas zelam por elas, além de mim?
É apenas uma reflexão e, perdoe-me quem chega, mas vocês são meus, vocês são a minha história e não abro mão.
Tela Tomazeli






































































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