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Joaquina Rita Bier: Lago vai ganhar ponte circular, mirante e café em maior reforma da história do parque

  • Foto do escritor: Tela Tomazeli | Editora
    Tela Tomazeli | Editora
  • há 5 dias
  • 9 min de leitura

Atualizado: há 2 dias

As obras têm início previsto para março e devem se estender por aproximadamente 24 meses




GRAMADO - Projeto vencedor de concurso nacional prevê investimento de R$8.5 milhões para transformar os 3,18 hectares do parque em espaço mais aberto, acessível e integrado ao bairro Planalto.

 

A Prefeitura de Gramado inicia em março a revitalização do Lago Joaquina Rita Bier — a maior transformação já realizada no parque desde sua criação. O projeto prevê a retirada dos cercamentos que hoje isolam o lago, a construção de uma ponte circular sobre a água, um mirante com vista panorâmica, um café com mesas voltadas para o lago, nova praça infantil com superbalanço e um circuito completo de caminhada que vai unir, pela primeira vez, todas as áreas do parque em um único percurso. As obras têm duração estimada de dois anos.


A revitalização abrange 3,18 hectares no bairro Planalto e é resultado de um concurso público de arquitetura da paisagem conduzido pela Secretaria de Planejamento, Urbanismo e Parcerias Estratégicas de Gramado em parceria com o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-RS). O escritório vencedor, OCRE Arquitetura, desenvolveu o projeto em conjunto com a equipe técnica da Secretaria, que também será responsável pela fiscalização e pelo acompanhamento de toda a execução da obra.



O PARQUE QUE A CIDADE USA — E O QUE FOI SE PERDENDO COM O TEMPO

O lago foi construído nos anos 1930 pelo agrimensor Leopoldo Rosenfeld, que doou a área à Prefeitura. Com 17 mil metros quadrados de espelho d'água, o local rapidamente se tornou o coração do bairro Planalto e um dos principais cartões postais de Gramado. O entorno era tomado por hortênsias, azaleias, xaxins e araucárias centenárias.


Junto ao lago foi erguido o Parque Hotel, por décadas o principal ponto de encontro de moradores e veranistas. O prédio sobreviveu ao tempo e hoje abriga a Secretaria de Cultura de Gramado, na Rua Leopoldo Rosenfeld, reunindo cursos, teatro, música e o museu de artes da cidade. A memória do Parque Hotel está no nome que os gramadenses mais velhos ainda usam para se referir ao local.


Mas o lago foi mudando. Com o passar dos anos, cercamentos foram sendo instalados em seu perímetro, o que surgiu como medida de gestão e segurança acabou criando uma barreira física entre a água e as pessoas. A qualidade do lago também se deteriorou: problemas de saneamento e baixa oxigenação chegaram a inviabilizar a vida de peixes. O paisagismo original, as hortênsias, os jardins, as árvores que emolduravam o espelho d'água, foi sendo alterado ao longo das décadas.


Por muitos anos, o lago foi também o cenário do Nativitaten, o tradicional espetáculo natalino de Gramado. O evento, que se estendia de outubro a janeiro, exigia a montagem de grandes arquibancadas com meses de antecedência, o que, na prática, deixava o parque inutilizado por boa parte do ano e tornava qualquer projeto de revitalização praticamente inviável.


Além da relação com a água, o parque passou a funcionar como dois espaços desconectados: de um lado, o entorno do lago com seus caminhos e a área de lazer; do outro, o chamado Território Criativo, onde ficam as cabanas de artesanato e a Secretaria de Cultura que, por uma coincidência rica de sentido, ocupa justamente o prédio histórico do antigo Parque Hotel. Entre os dois, uma divisão que ninguém planejou, mas que foi se consolidando com o tempo.


O projeto vencedor do concurso parte justamente desse diagnóstico e propõe, ao mesmo tempo, devolver o lago às pessoas e costurar as duas áreas do parque em um único espaço contínuo. Em certo sentido, é também um gesto de restauração: resgatar, com os olhos do presente, algo do que Joaquina Rita Bier, Leopoldo Rosenfeld e o Parque Hotel um dia representaram para a cidade.



O QUE VAI MUDAR NA PRÁTICA

A intervenção é ampla e vai reorganizar praticamente toda a área do parque. As mudanças mais visíveis para quem usa o espaço no dia a dia serão:


Fim das cercas e novos acessos pelo bairro

A retirada dos cercamentos ao longo das bordas voltadas para a Rua F. G. Bier e a Rua Leopoldo Rosenfeld vai abrir múltiplos pontos de entrada diretamente das calçadas para o interior do parque. Para quem mora no entorno, a mudança é imediata: o lago passa a ser acessível como parte natural do trajeto a pé, sem portões ou grades no caminho.

 

Ponte Infinita

Em substituição à passarela existente, será construída uma ponte circular em estrutura de aço e deck de madeira, com 1,5 m de largura, que contorna a ilha no centro do lago. O formato circular permite ao visitante uma vista panorâmica de 360 graus sobre o lago e a vegetação , e deve se tornar um dos pontos de maior apelo visual do parque, tanto para moradores quanto para turistas.

 

Mirante Joaquina

Em um trecho estratégico do circuito de caminhada, o percurso se desvia sobre a água: uma passarela com estrutura em aço avança sobre o lago, colocando o visitante lado a lado com o chafariz e oferecendo uma visão ampla do parque ao redor. Os guarda-corpos em madeira ripada garantem segurança no trecho, o mesmo padrão visual adotado na Ponte Infinita, mantendo a coerência entre as intervenções.

 

Superbalanço na Praça Silvia Zorzanello

O espaço próximo à Rua F. G. Bier vai ganhar um grande arco metálico azul que funciona como balanço para adultos e crianças , o superbalanço. O equipamento ocupa o centro da Praça Silvia Zorzanello e é pensado como elemento de destaque visual e ponto de encontro. A praça receberá ainda labirinto de troncos, carrossel inclusivo, área de mesas e banco linear sombreado, tornando o espaço funcional para diferentes faixas etárias.

 

Largo Hortênsias: a memória do parque junto ao lago

O projeto prevê uma ampla área livre às margens do lago, com arquibancada linear curva voltada para a água. O espaço é projetado para ser flexível, recebe desde o morador que quer sentar e contemplar o lago até atividades coletivas ao ar livre. O nome não é por acaso: canteiros de hortênsias serão plantados abaixo da calçada da Avenida Borges de Medeiros, resgatando uma característica que marcou a configuração original do parque, e que muitos moradores mais antigos ainda lembram.

 

Praça Cultural: o lago sem grades, finalmente acessível

Em frente à Secretaria de Cultura, o circuito de caminhada se alarga formando uma nova praça. O projeto propõe a retirada dos cercamentos do lago nesse trecho, substituídos por uma faixa de vegetação e pedras que delimitam a borda sem criar barreiras físicas. Bancos, arquibancadas e canteiros acompanham os desníveis do terreno, todos voltados para as vistas do parque e da água.

 

Largo Festivais: mais espaço para os eventos da cidade

O Lago Joaquina é, há anos, um dos principais palcos da agenda cultural de Gramado. É ali que acontecem o Festival Internacional de Cultura e Gastronomia, já na 17ª edição, em outubro e a Feira Criativa Joaquina aos fins de semana de inverno, a Semana Farroupilha em setembro, o Gramado Fantasia em fevereiro e o espetáculo Illumination durante a temporada do Natal Luz. Eventos que movimentam moradores e atraem visitantes, mas que hoje funcionam num espaço que não foi pensado para recebê-los com estrutura adequada.


O Largo Festivais vai mudar isso. A área próxima ao anfiteatro será ampliada e pavimentada, com acesso dedicado para carga e descarga de equipamentos e palcos. O resultado prático é direto: menos improvisação na montagem, mais conforto para quem vai e um espaço que finalmente está à altura dos eventos que já acontecem nele.


Café do Lago: Gastronomia com vista para a Ponte Infinita

Uma nova edificação será construída em frente à Ponte Infinita, com salão, copa e sanitário. As fachadas envidraçadas vão enquadrar as vistas para as árvores e o lago, e o espaço poderá disponibilizar mesas no gramado para quem quiser aproveitar a paisagem ao ar livre. O telhado será vegetado, seguindo o padrão das demais edificações novas do parque. O café deve funcionar como ponto de apoio tanto para moradores quanto para turistas que visitam o lago.

 

Sanitários, fraldários e bicicletários renovados

As duas antigas casas de bombas serão unificadas em uma única edificação, que passará a abrigar cabines sanitárias com acessibilidade (quatro cabines regulares mais uma adaptada), fraldário e bicicletário com capacidade para 12 bicicletas. Os sanitários existentes na área da Rua Leopoldo Rosenfeld serão reformados e ampliados para seis cabines regulares mais uma adaptada, com fraldário e bicicletário para oito bicicletas. Todas as edificações terão cobertura vegetada.

 

Circuito de caminhada: o parque inteiro em um único percurso

Uma trilha principal em concreto pigmentado de coloração terrosa, com 2 m de largura, vai percorrer todo o perímetro do parque, conectando pela primeira vez todos os seus espaços em sequência. Ao longo do trajeto, alargamentos pavimentados funcionam como pontos de pausa, convivência e pequenos eventos. A tonalidade terrosa do concreto foi escolhida para dialogar com os telhados cerâmicos das edificações existentes e com as cores da vegetação ao redor.

 

Menos carros, mais pedestres

A via interna do parque será adaptada para dar prioridade a quem circula a pé ou de bicicleta. Sinalização e recursos físicos vão reduzir a velocidade dos veículos e reforçar que o pedestre tem passagem preferencial. Os estacionamentos ficam concentrados nas entradas: 30 vagas junto à Rua F. G. Bier e 10 vagas na Rua João Alfredo Schneider. A ideia é simples, o carro fica na borda, e quem chega continua o percurso a pé.

 

Paisagismo: Mais cor, mais sombra e mais memória

O projeto de paisagismo é um dos mais abrangentes da proposta, e os números mostram a dimensão do que está previsto. Serão plantadas quase 25 mil mudas de arbustos e forrações em toda a área do parque, além de novas árvores distribuídas ao longo dos percursos para ampliar o sombreamento. Entre as espécies arbóreas, estão seis ipês-amarelos, quatro ipês-roxos e três ipês-brancos — que vão colorir o parque nas floradas —, além de oito aceres de folhagem outonal, quaresmeiras, senas, feijoas e araçás. Dois xaxins e um cedro existente serão transplantados e preservados.


Nos canteiros, a hortênsia lidera em volume: serão 3.371 mudas plantadas, especialmente abaixo da calçada da Avenida Borges de Medeiros, um gesto deliberado de resgate da memória do parque, que outrora era repleto dessas flores. Completam o paisagismo lavanda, verbena, moreia, azaleia, agapanto, samambaia-preta, capim e bulbine, entre outras espécies.


Mais de 8 mil metros quadrados de gramado também serão implantados, ampliando as áreas de lazer ao ar livre.

O projeto também prevê ajustes na vegetação existente para abrir novas vistas para o lago em pontos onde a vegetação densa hoje bloqueia o visual. No perímetro da água, arbustos substituirão os gradis metálicos, criando uma borda mais viva e acessível entre as pessoas e o lago.

 

 

CRONOGRAMA, ETAPAS E O QUE ESPERAR DAS OBRAS

As obras têm início previsto para março e devem se estender por aproximadamente 24 meses. A execução será organizada em etapas, com frentes de trabalho avançando de forma a manter partes do parque acessíveis sempre que possível. Ainda assim, é preciso ser claro: em determinadas fases, especialmente nas intervenções mais próximas ao lago e às edificações — alguns trechos precisarão ser interditados temporariamente.


A Secretaria de Planejamento se comprometeu a comunicar as interdições com antecedência, para que moradores e visitantes possam se planejar. Nos próximos meses, será lançado um portal online com informações atualizadas  sobre o andamento das obras, as áreas em intervenção e as previsões de entrega por etapa. O endereço será divulgado pelos canais oficiais da Prefeitura assim que estiver disponível.


Os eventos que tradicionalmente acontecem no parque, feiras, festivais e atividades culturais , a viabilidade de cada um durante as obras será avaliada conforme o estágio de execução em cada área.

 

O QUE O PARQUE VAI SER QUANDO ESTIVER PRONTO

Quando concluído, o projeto deve transformar o Lago Joaquina em um dos espaços públicos com infraestrutura mais completa da Serra Gaúcha, com acessibilidade universal em todos os equipamentos, diversidade de usos (contemplação, lazer ativo, eventos, cultura e gastronomia), integração com o entorno e uma identidade visual coerente com a arquitetura característica de Gramado.


O circuito peatonal contínuo vai permitir caminhadas completas sem sair do parque, algo que hoje é impossível por causa dos cercamentos internos. A nova iluminação cênica vai ampliar a segurança e a possibilidade de uso noturno, estendendo o horário de movimento no espaço. O café junto ao lago e ao Atelier deve estimular permanência mais longa no parque, o que, na prática, significa mais movimento, mais segurança e mais vida pública num espaço que hoje esvazia com facilidade.

 

Para os moradores do bairro Planalto, o impacto mais concreto talvez seja o mais simples de descrever: o Lago Joaquina vai deixar de ser um destino, um lugar para onde se vai, e vai se tornar parte do bairro, um espaço que se atravessa, se usa e se encontra no caminho de casa.

 


DADOS DA OBRA

O projeto foi desenvolvido pelo escritório OCRE Arquitetura Ltda., com sede no Rio Grande do Sul, vencedor do concurso público de arquitetura da paisagem promovido pela Prefeitura de Gramado em parceria com o IAB-RS. A equipe é formada pelos arquitetos Ananda Maciel Oliveira, Diego Flamia e Thiago Yuuki Kajiwara, com colaboradores nas áreas de luminotécnica, estruturas, instalações hidrossanitárias e elétricas.


O investimento total previsto é de R$ 8,5 milhões, integralmente viabilizado por meio da Operação Urbana Consorciada Planalto, instituída pela Lei Municipal nº 3.509 de 2016. O mecanismo permitiu a regularização de imóveis construídos em desacordo com o Plano Diretor da época, mediante o recolhimento de contrapartidas financeiras por parte dos proprietários.


A fiscalização técnica da obra — incluindo acompanhamento de prazos, qualidade dos materiais e conformidade com o projeto — é responsabilidade da equipe da Secretaria de Planejamento, Urbanismo e Parcerias Estratégicas de Gramado.





 

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