Intoxicação por bebidas adulteradas em São Paulo é alerta grave de saúde pública
- Tela Tomazeli | Editora

- 2 de out. de 2025
- 5 min de leitura

GRAMADO - A Abrasel Hortênsias emitiu este comunicado após questionarmos o presidente Marcelo Wazlawick sobre o crescente problema da falsificação e adulteração de bebidas no país. Com base em informações da Abrasel Nacional, ele alerta para a necessidade de redobrar a atenção especialmente no consumo de destilados. A orientação é clara: só consuma bebidas de procedência confiável, adquiridas em estabelecimentos regularizados. Produtos falsificados podem causar danos irreversíveis à saúde, inclusive levar à morte. "Pais e responsáveis também têm papel fundamental neste momento, é essencial conversar com os filhos e conscientizá-los sobre os riscos reais envolvidos. Segurança vem sempre em primeiro lugar", conclui o Presidente da Abrasel Hortênsias.
ABRASEL NACIONAL - Associação Brasileira de Bares e Restaurantes é uma organização de cunho associativo empresarial que tem como missão representar e desenvolver o setor de alimentação fora do lar (AFL), facilitando o empreender e melhorando a qualidade de vida no País.
COMUNICADO
A Abrasel manifesta profunda preocupação com o quadro de casos de intoxicação por metanol em São Paulo. Segundo o governador Tarcísio de Freitas são cinco mortes (das quais apenas uma teve comprovada a intoxicação por metanol) e 22 ocorrências suspeitas em investigação. A entidade se solidariza com as famílias de todas as vítimas e espera que os demais afetados encontrem pronta recuperação.
Entre os casos, há por enquanto um único relato (não fatal) de consumo de bebida contaminada em um estabelecimento de alimentação fora do lar. O consumo teria sido feito em um bar localizado na região dos Jardins, em São Paulo, que já foi alvo de fiscalização pelas autoridades. Até o momento, não há registro de outros casos associados a bares ou restaurantes, e a Abrasel espera que o problema no setor fique circunscrito a este único caso isolado.
A falsificação e adulteração de bebidas são crimes graves contra o consumidor, que colocam em risco a saúde da população e geram prejuízos diretos aos estabelecimentos sérios e comprometidos com a legalidade. Estes estabelecimentos também são vítimas dos criminosos. Além disso, o setor de alimentação fora do lar como um todo sofre com a desconfiança causada por estas ações ilegais. Trata-se de um problema de saúde pública, que exige ação coordenada entre autoridades, setor produtivo e sociedade.
A Abrasel lamenta que, mesmo sendo um problema antigo e conhecido no Brasil, a atuação preventiva das autoridades ainda seja insuficiente. A entidade reforça que ações de fiscalização em fábricas ilegais, como a que foi fechada hoje em São Paulo, são fundamentais para conter esse tipo de crime. A fiscalização de distribuidoras e empresas também seria altamente eficaz, pois nenhum dono de bar ou restaurante agiria de má fé sabendo da possibilidade de contaminação e dos riscos envolvidos.
Além de alertar os estabelecimentos sobre os sinais de adulteração — como preços muito baixos, lacres tortos, erros de impressão e odor semelhante a solventes — a Abrasel recomenda que garrafas vazias sejam inutilizadas (quebradas) antes do descarte, impedindo que sejam reaproveitadas por falsificadores para enganar consumidores com produtos adulterados.
A entidade lamenta ainda que a primeira ocorrência tenha demorado mais de um mês para vir a público, retardando medidas importantes de prevenção. A Abrasel se coloca à disposição das autoridades para contribuir com o esforço de conscientização, de fiscalização e com a punição exemplar dos responsáveis, colaborando na construção de soluções eficazes e responsáveis para proteger a população e fortalecer o setor de alimentação fora do lar.
Metanol em bebida: ‘Por que esperaram mais de 20 dias para falar de assunto tão grave, com mortes?’

Presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes reclama da falta de fiscalização frequente a produtores e distribuidores
Presidente-executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Paulo Solmucci reclama que as autoridades do País demoraram para vir a público falar sobre os possíveis casos (e mortes) de intoxicação por metanol em bebidas alcoólicas adulteradas. Segundo ele, o anúncio deveria ter sido feito antes para que medidas de prevenção fossem tomadas o mais rapidamente possível.
“Por que esperaram mais de 20 dias para falar sobre um assunto tão grave, envolvendo mortes?”, questionou Solmucci. “Só soubemos o que estava acontecendo depois da morte de mais pessoas. Isso demonstra inépcia e letargia do nosso estado.”
Solmucci reclamou também da falta de fiscalização frequente a produtores e distribuidores de bebidas alcoólicas. Segundo o presidente-executivo da Abrasel, ainda é cedo para mensurar impactos da crise na frequência de bares e restaurantes de São Paulo.
Quais são as bebidas mais comumente adulteradas no País?
Antes de mais nada, queria destacar nossa solidariedade às famílias envolvidas, principalmente aquelas que tiveram perdas. Gostaria de registrar também que o problema da falsificação de bebidas é antigo no País. Segundo estudo da USP, 1/3 das bebidas comercializadas no Brasil sofre algum tipo de adulteração. Lamentavelmente, as autoridades demoram a agir.
Mas desta vez é diferente, não?
Sim. Segundo o Centro de Informações de Saúde e Assistência Toxicológica (Ciatex), a maior parte das ocorrências desse tipo registradas no País é entre pessoas muito vulneráveis, em situação de rua, viciados em drogas.... Não temos ocorrências associadas ao consumo em bares e restaurantes, especialmente os formais.
Até agora, a rigor, não há confirmação ainda de que o problema tenha acontecido em bares. Agora, uma coisa chama atenção: por que esperaram mais de 20 dias para falar sobre um assunto tão grave, envolvendo mortes? Só soubemos do que estava acontecendo depois da morte de mais pessoas. Isso demonstra inépcia e letargia do nosso Estado.
Como é a fiscalização de distribuidoras de bebidas, bares e restaurantes?
Há muito pouca fiscalização por parte do poder público. Há fábricas com irregularidades, e sempre denunciamos. É mais fácil fiscalizar fábricas e distribuidoras do que criar hipóteses de que as pessoas vão passar mal nos bares. Nas fronteiras, a obrigação é da Polícia Federal. Nos Estados, da Polícia Civil. Mas nosso poder público tem sido ineficiente no combate a falsificações e contrabandos.
Outro problema são os tributos muito altos, mais altos do que em outros países. Isso acaba criando um estímulo para a falsificação e o contrabando. Nosso país é muito extenso, tem fronteiras permeáveis, e o poder público tem limitação na fiscalização, é um grande desafio. O fato é que deveria haver fiscalização mais frequente, a gente sempre pleiteia isso. Um terço das bebidas com adulteração (segundo dados da USP) é assustador.
O senhor acha que o PCC pode estar por trás desse problema, como está sendo aventado?
Acho um pouco leviana essa associação. A ideia seria que o metanol que o PCC usava em postos de gasolina que foram fechados teria ido para a bebida. Ora, são centenas de milhares de litros de metanol, se isso estivesse acontecendo, não teríamos uma ocorrência, mas uma crise nacional de proporções absurdas. Temos que ser cautelosos.
Quais precauções o consumidor e os donos dos bares devem tomar?
É preciso ver se estão comprando as bebidas de um fornecedor ou distribuidor com história de mercado, boa reputação, ver se o preço está equilibrado. Se o preço estiver muito baixo, é preciso desconfiar. É preciso também verificar o rótulo e o lacre das embalagens. As falsificações em geral são muito mal feitas, é um lacre torto, um rótulo mal posicionado. Um conselho que damos sempre aos bares e restaurantes é destruir as garrafas das bebidas destiladas, de marcas de maior valor agregado, justamente para que não sejam reaproveitadas.
O problema é só com as bebidas destiladas? Ou pode haver adulteração de vinho e cerveja também?
Normalmente falsificam produtos de alto valor agregado. A cerveja tem valor muito baixo, é pouco rentável. A preferência é pelas bebidas mais caras, um gim, uísque, vodka. Do ponto de vista da bandidagem, a vantagem é colocar volume em produtos de valor agregado mais alto. No caso do vinho, o que acontece é substituir um vinho caro por outro mais barato, mas não adulteração. Não conhecemos nenhum caso relevante.
E as barraquinhas que vendem bebidas nas praias ou mesmo nas ruas?
Olha, pensa bem, o cara da barraquinha também não quer correr esse risco. Ninguém quer perder cliente. Eu mesmo sou um grande consumidor das barraquinhas, elas são ótimas. É preciso ter cuidado ao apontar o dedo sem ter dados e acabar prejudicando quem está ali trabalhando honestamente. Não podemos nos precipitar.
Foto: Divulgação
Fonte: ABRASEL HOSRTÊNSIAS






































































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