Economia Criativa: Painel em Gramado debateu o Futuro da Cultura como vetor de Desenvolvimento
- Tela Tomazeli | Editora

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GRAMADO – Na última quarta-feira, o projeto Gramado Natural promoveu um painel dedicado à Economia Criativa, reunindo especialistas e a comunidade para discutir como o talento humano e o território podem gerar valor que vai além das cifras financeiras. Com a participação da Profa. Dra. Laura Dalla Zen (UNISINOS) e do Prof. Dr. Cristiano Max (PUCRS), o evento explorou o potencial das indústrias culturais no Brasil e no mundo, destacando que a criatividade é hoje a principal fonte de vantagem competitiva e crescimento econômico na era pós-industrial. Painel aconteceu no espaço de eventos do Sicredi, São Pedro, Gramado.
O conceito: Talento como ativo econômico
A economia criativa não se limita apenas ao setor artístico, mas abrange um ecossistema onde o valor é extraído da propriedade intelectual. Segundo a definição de David Throsby, apresentada pelo Prof. Cristiano Max, trata-se de um modelo de negócio fundamentado na habilidade e na criatividade humana. Esse setor é estruturado em diferentes camadas:
Núcleo (Core): Envolve as artes visuais, performáticas, música e literatura.
Ampliação: Inclui setores como audiovisual, publicidade, design e moda.
Potência e infraestrutura: Engloba a tecnologia, redes de acesso e dispositivos que permitem a difusão da cultura.
Panorama global e brasileiro
Os dados apresentados revelam que a economia criativa é uma força global de dois trilhões de dólares, sustentando cerca de 50 milhões de empregos em todo o mundo. No Brasil, a tendência é de crescimento constante desde os anos 2000. Em 2023, o PIB Criativo nacional atingiu a marca de R$ 393,3 bilhões, representando 3,59% do PIB total do país.
O setor é notável por empregar jovens e mulheres em taxas superiores às indústrias tradicionais, ajudando a enfrentar desafios demográficos e de gênero. Exemplos internacionais, como o polo cinematográfico nigeriano Nollywood, demonstram como a produção local (cerca de 2.500 filmes por ano) pode se tornar um pilar de subsistência para centenas de milhares de pessoas.
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Valor Econômico vs. Valor Cultural
Um dos pontos centrais da fala da Dra. Laura Dalla Zen foi a distinção entre preço e valor. O debate enfatizou que certas obras podem possuir alto valor cultural, mas baixo valor de mercado, e vice-versa. A economia criativa busca equilibrar essas tensões, focando não apenas no consumo material, mas no desenvolvimento humano e no bem-estar social.
A palestrante alertou para desafios como:
Precarização: O discurso do "trabalhe com o que ama" pode, por vezes, mascarar a falta de garantias trabalhistas e a baixa remuneração.
Desigualdade Regional: A concentração de recursos em grandes centros urbanos ainda dificulta a visibilidade de produções em outras regiões.
O Futuro e a Governança
Para o fortalecimento do setor, o Prof. Cristiano Max destacou a necessidade de uma nova mentalidade de "artista empreendedor" e de estruturas de governança robustas que vão além de simples formalidades. O engajamento do setor e o uso da tecnologia como aliada, e não como obstáculo, são fundamentais para que cidades como Gramado possam definir quem querem ser no mapa da criatividade global.
O evento encerrou-se com uma reflexão sobre a identidade local, reforçando que, independentemente da tecnologia ou das cifras, a economia criativa será sempre sobre pessoas e pertencimento.
Acesse o conteúdo das palestras. Clique no PDF.

Presentes na palestra do Prof. Cristiano, o secretário de Turismo Ricardo B. Reginato e o vereador Ike Koetz. Já o secretario da Cultura de Gramado, não vi no local.

































































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