Convention & Visitors Bureau: A força do trabalho e as dores pela falta de estrutura
- Tela Tomazeli | Editora
- há 18 minutos
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O Gramado, Canela Convention & Visitors Bureau (CVB) Região das Hortênsias tem protagonizado uma série de iniciativas estratégicas para consolidar o destino como referência nacional no segmento de eventos corporativos, congressos e turismo de negócios. As ações recentes demonstram o compromisso da entidade em articular o setor e gerar oportunidades concretas para o trade local.
Em uma parceria inédita com a Rádio Clube 885, o Convention lançou a série "Conheça o Convention & Visitors Bureau Região das Hortênsias", integrada ao programa GJR Entrevista.1 O projeto, veiculado na emissora e no canal do Youtube, conta com a participação do presidente Felipe Fioreze e dos executivos Luciano Gonçalves e Régis Stuani, que explicam o trabalho de captação de eventos e o impacto econômico dessa atividade para Gramado, Canela e região. Os dois primeiros episódios já estão disponíveis, evidenciando a importância do turismo MICE (Meetings, Incentives, Conferences and Exhibitions) como motor de desenvolvimento econômico regional.
No campo da captação de eventos, o CVB recebeu recentemente a promotora Mara Lins e o organizador Marcelo Bento, responsáveis pelo V Congresso Internacional CEFI/FACEFI, da área de saúde mental, que acontecerá de 21 a 23 de maio no Hotel Master, em Gramado.2 O congresso deve reunir aproximadamente 500 participantes, e os organizadores solicitaram apoio do Convention para articulação com o trade local. Está agendada para 24 de fevereiro uma reunião de briefing com segmentos selecionados, incluindo agências, comércio e apresentações culturais, para integrar diferentes setores à programação.
Pensando na experiência dos visitantes e na geração de negócios para os associados, o CVB ampliou até 20 de fevereiro o prazo para adesão ao Cupom de Vantagens 2026.3 Desenvolvida em parceria com o aplicativo Roterin, a iniciativa oferece benefícios e descontos exclusivos para participantes de congressos nos dias de realização dos eventos, estimulando a circulação dos visitantes por restaurantes, comércio e parques da região. Empresas interessadas podem entrar em contato com Bárbara, do setor de Relacionamento, pelo telefone (54) 99178-5449.
A equipe de relacionamento do CVB também intensificou as visitas técnicas aos associados. Na semana passada, foram realizados encontros com gestores de parques da região, incluindo Wesley Matos, do Grupo Dreams, e Adriana Spier, da Aldeia do Papai Noel.4 Nas reuniões, foram apresentadas oportunidades estratégicas como o uso dos espaços para eventos, consulta ao calendário de congressos para prospecção de clientes e ações de ativação de marca junto aos congressistas.
Importante destacar que, devido ao recesso de Carnaval, o escritório do Convention estará fechado nos dias 16 e 17 de fevereiro (segunda e terça-feira), retornando ao atendimento normal na quarta-feira, dia 18.
As iniciativas demonstram o papel estratégico do CVB como articulador entre promotores de eventos, cadeia produtiva e comunidade, consolidando a Região das Hortênsias como destino competitivo e qualificado para o turismo de negócios e eventos no cenário nacional.
A captação de eventos na Região das Hortênsias: Desafios e perspectivas
A região das Hortênsias, composta por Gramado, Canela e Nova Petrópolis, vive um momento crucial no setor de eventos. O Convention Bureau da região, que atua há mais de 26 anos na captação de congressos e eventos, enfrenta desafios estruturais significativos, ao mesmo tempo em que apresenta resultados expressivos no cenário nacional.
Demandas de um Centro de Eventos
"Congressos de acima de 2.000 pessoas, tu vai trabalhar com mais de 20 salas simultâneas, porque como é um congresso, ele tem muita atividade paralela", explica Regis Stuani, responsável pela captação de congressos associativos.
As entidades exigem infraestrutura adequada para atividades simultâneas, capacidade de auditório proporcional ao número de participantes, além de requisitos de logística, rede hoteleira e gastronômica.
"A gente tem uma série de requisitos que se cumpre dentro de um edital, desde a capacidade do centro de eventos até de logística. Aonde a pessoa desce no aeroporto, como ela vai chegar até a cidade, como é a rede hoteleira, a rede gastronômica", detalha Regis.
Não adianta uma cidade com menos de 2.000 leitos querer sediar um evento de 5.000 pessoas, pois terá problemas de hospedagem.
Infraestrutura atual nos espaços de eventos
A situação da infraestrutura revela limitações importantes. "Hoje a gente tem dois equipamentos que comportam eventos desse porte de acordo com o PPC, que é o ExpoGramado, que é o centro de eventos do município, adquirido pela prefeitura de Gramado. E o Serra Park, que é um centro de eventos privado", afirma Regis Stuani.
A região registra aproximadamente 680 congressos e eventos anualmente apenas em Gramado e Canela, segundo o monitoramento realizado pelo Convention Bureau.
Para Regis Stuani, "não adianta dar uma tapeada. Tem que ter uma melhoria de um modo geral, não é só fazer uma pintura, melhorar o telhado e o piso, tem que ter parede modular, tem que ser um centro de eventos inteligente, que tu possa receber desde shows, feiras, congresso técnico, evento cultural, enfim, tem que ser uma coisa multiuso mesmo."
"Nossa estrutura está no limite", alerta Luciano Gonçalves, gerente executivo do Convention Bureau. "Acabamos de alguma maneira afetando toda a economia, já passamos do momento de ter equipamentos adequados".
Entendimentos e propostas das prefeituras
O Convention Bureau tem trabalhado ativamente junto aos governos municipais para viabilizar soluções.
"Nós gestionamos junto à prefeitura, pegando exemplos de Brasil, que esse equipamento fosse dado em sessão pública, em cedência pública, uma cedência onerosa, por um prazo de 25 ou 30 anos", explica Luciano Gonçalves.
Ele cita como exemplos bem-sucedidos a Expominas (Belo Horizonte), o Rio Centro, e centros de convenções de Salvador e Santos, que passaram de equipamentos públicos para cedência privada.
Em Canela, houve avanço significativo. Um grupo empresarial do Vale dos Vinhedos possui um projeto para construir um hotel com centro de eventos capaz de comportar cerca de 3.000 pessoas.
"Felizmente, a prefeitura foi sensível a esse pleito, ela entendeu a relevância disso", comenta Luciano. O plano diretor municipal foi alterado na Câmara de Vereadores, permitindo o necessário para o centro de eventos. "É um projeto de três anos de construção", prevê o gerente executivo.
Quanto ao centro de feiras de Canela, a proposta é estabelecer parcerias público-privadas. "A prefeitura só ganha com isso. Além de ter uma estrutura e um equipamento muito melhor, ela ganha valores em cima de locação", argumenta Felipe Fiorese, presidente do Convention Bureau em 2025.
Como funciona o trabalho de captação
"Atrair o turismo de negócios é muito complexo, porque a gente precisa desenvolver um trabalho a longo prazo", afirma Luciano Gonçalves, que atua há 21 anos no Convention.
O processo envolve negociações financeiras, logísticas e de estrutura.
"A gente precisa entender as nuances de cada congresso para tentar fazer a melhor proposta para que a gente saia vencedor, porque é uma concorrência a nível Brasil", explica.
Desde 2016, o Convention implementou o programa de embaixadores, que já conta com mais de 50 profissionais.
"São pessoas que fizeram congressos na região das Hortênsias anos anteriores", explica Regis. "Pelo foco de ela ser uma pessoa influente dentro da entidade que ela promove, ela continua nos ajudando a prospectar eventos".
Eventos itinerantes: Como funcionam
"Quando um congresso vem para a região, se o evento é itinerante, ele está acontecendo no sul, na próxima vez ele vai para o norte, se é do norte, vai para o sudeste", esclarece Regis Stuani.
Essa rotação é uma questão comum dentro das entidades, que priorizam a logística para facilitar o acesso de participantes de diferentes regiões do Brasil.
"Existe um processo político dentro desse andar até definir a sede do evento", compara Regis. "Eu comparo a um processo de candidatura de um país para uma Olimpíada ou Copa do Mundo". É preciso inscrever-se junto a quem promove o evento, apresentar proposta e cumprir requisitos de um edital.
Perfil das entidades que realizam eventos
O trabalho de captação foca em congressos associativos, "eventos promovidos por entidades de classe, das mais diversas áreas, desde os eventos médicos até os eventos técnico-científicos", detalha Regis Stuani.
"O trabalho de relacionamento é importante porque ela tem que entender que trazendo o evento dela para a região das Hortênsias, ela vai ter mais inscritos, ela vai ter uma visibilidade muito maior", explica. "Muitas vezes, essas entidades que promovem o evento, o lucro do evento é o que sustenta ela o ano todo. Então, ela não pode ir para uma cidade que ela vai ter prejuízo com o congresso".
Além dos eventos associativos, o monitoramento mostra que "o maior tipo de evento que tem na cidade é o corporativo e o social pelo número de equipamentos que tem menores".
Por que se perde eventos
"A gente perde muito evento também, por muitos motivos", admite Regis Stuani. "Perdemos por motivo de estrutura, algum outro estado fazia mais tempo que não acontecia, teve questões políticas dentro da entidade que levou para uma outra cidade".
Um caso emblemático ilustra a persistência necessária. Em 2008, o Convention candidatou Gramado para sediar um congresso nacional de bombeiros com cerca de 2.500 pessoas. A candidatura foi vencedora para 2009, mas o evento acabou transferido para Santa Catarina devido às enchentes que mobilizaram os bombeiros naquele estado. "A gente tentou mais cinco tentativas", conta Regis. Somente em 2020 conseguiram nova aprovação, realizando o evento no Serra Park em setembro de 2022. "Em 14 anos, foram cinco tentativas de candidatura", resume.
"Perder um evento não significa que tu nunca mais vai trazer ele. Significa que tu vai perder essa edição, mas vai tentar uma próxima", filosofa Regis.
Apesar das limitações estruturais, a região acumula resultados expressivos. "O Convention, por 21, 22 e 23, foi o Convention que mais captou eventos no Brasil", orgulha-se Luciano Gonçalves. "Um Convention do interior do estado, interior do Brasil, que não dispõe de aeroporto próximo", mas que se destaca pela hotelaria, gastronomia, atrativos turísticos e segurança. Tanto que Campos do Jordão recentemente solicitou consultoria para implantar um departamento de captação de eventos inspirado no modelo das Hortênsias.






































































