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As carícias do outono

  • Foto do escritor: Romeo Ernesto Riegel | Crônica
    Romeo Ernesto Riegel | Crônica
  • há 18 horas
  • 2 min de leitura

Segundo especialistas, pouco literais, as estações do ano foram criadas para afastar o mundo da monotonia. Para comprovarem sua teoria, testemunham com a lastimável criatividade e as potentes reclamações de quem vive às margens do equador ou muito longe dele – onde o invólucro ambiental é sempre o mesmo – apenas perdoando o Criador sob o argumento de que ninguém é perfeito. Mas, para ajustar a balança universal dos sentimentos, Ele criou o outono.


Junto aos pedaços de terra ou mar por onde está passando, o outono oferece carinhosamente, durante três longos meses, lições de beleza e equilíbrio. Com a persistência de muitos séculos, insiste que só a repetição conduz à excelência. Então, pede ao céu que se limpe de nuvens, à terra que espere o inverno sem rancor e ao céu e à Lua que calibrem as forças de suas luzes de modo a confirmar a suavidade que lhes cabe oferecer como essencial missão. E em nenhum outro lugar do mundo o outono se mostra mais belo e caprichoso do que no Rio Grande do Sul.


Sob a carícia dos tempos outonais, que a Natureza despeja sobre esses pagos, a cobertura vegetal ressente-se da falta de mais luz solar, intimida-se e, descaracterizada pelo medo, prepara-se para receber o frio. Heroicamente, porém, algumas espécies vegetais consagram-se em resposta a algumas sombras do desânimo, adornando a estação com mil cores, distribuindo maravilhas no ocaso de mais um ciclo de seu caminhar.


Então, curvando-se à fidelidade de conceitos longamente purificados, o outono submete-se ás normas do Universo, escuta os últimos ruídos do verão e os primeiros gemidos do inverno. Enquanto isso, para enfeitar o chão que aceita descuidados passos, oferece a delicadeza de tapetes de folhas que cobrem as calçadas, pintando figuras que têm as cores dessa terra e o perfume de seus bosques.


Assim, o outono propicia a quem estiver desanimado pelo confinamento determinado por algum vírus menos fraternal, o remédio de abrir as janelas de suas emoções e agradecer pela linda suavidade panorâmica que ele oferece como consolo.

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