Arena do Gramadense terá centro de convenções e quer colocar Gramado na rota dos grandes shows

Empresa de Porto Alegre assume a gestão de tudo o que não é futebol no estádio e prevê dois grandes eventos entre março e abril de 2027

A Hawi Group, de Porto Alegre, passa a administrar todas as atividades que não envolvem futebol na arena do Gramadense, em Gramado. A ideia é transformar o estádio em centro de convenções, espaço para feiras e palco de grandes shows. Os dois primeiros grandes eventos estão previstos entre a segunda quinzena de março e a primeira quinzena de abril de 2027. As informações são de Zi Saldanha, da Hawi Group, em entrevista ao Gramado Magazine.
Sociedade com o clube

A Hawi Group entrou em sociedade com o Gramadense por meio de um contrato por tempo determinado e renovável. A divisão funciona assim: o futebol profissional e de base fica com o clube, e o restante do estádio fica sob a gestão da empresa.
“Foi um casamento muito rápido, porque juntou as duas coisas. A nossa expertise e o nosso core de funcionamento são o entretenimento e os eventos, e o Gramadense, com o futebol. Juntou nesse equipamento maravilhoso, cujo projeto a gente comprou desde sempre”, explica Saldanha.
O grupo reúne duas produtoras de eventos e outras empresas. A Experiência Z, de Zi Saldanha, atua em produção, live marketing, experiências, criatividade e festivais. A Bolico Produções, do sócio, é voltada à produção musical e de shows. O grupo também vai lançar um instituto ligado ao terceiro setor e já tem contrato com a Boca do Lobo, em Pelotas, onde ajuda na reformulação do estádio.
Centro de convenções com vista para o Vale
O projeto prevê quatro salas de convenção, fechadas com vidro, cada uma com capacidade para 300 a 350 pessoas sentadas ou 500 em pé. Juntas, somam pelo menos 1.200 lugares. Com divisórias e banheiros ao centro, o espaço pode ser usado de forma integrada, por exemplo, para um casamento.
Para Saldanha, o diferencial está na paisagem.
“Normalmente, as salas de convenção são um lugar fechado, um ‘não lugar’, como a gente chama: se você estiver ali dentro, não sabe se está em Paris, Londres ou Porto Alegre. Aqui, você vai assistir a uma palestra, olhar para o lado e ver o pôr do sol do Vale, uma vista eterna”, afirma. O objetivo da empresa, segundo ele, é fazer o estádio mais bonito do Brasil.
Na primeira fase, serão cerca de 500 vagas de estacionamento. Segundo Saldanha, a falta de centros de convenção com estacionamento é outro problema de Gramado.
“Ou as salas são centrais, mas não têm estacionamento, ou são mais longe, ou são muito grandes e não dá para dividir, ou é custoso dividir. Então a gente entrou nesse mercado para ter um faturamento diário”, diz.
A operação começa com equipe enxuta, formada por um CEO, um comercial e um atendimento, que ficarão no dia a dia da arena. A empresa pretende firmar parcerias com o convention de Gramado.
Feiras no estacionamento
Montar feiras sobre o campo seria caro, pela necessidade de piso especial e cobertura. A alternativa é usar um dos bolsões de estacionamento, com pavilhão de lona. Nesse caso, o número de vagas diminui, mas há outro bolsão nos fundos, com acesso direcionado que não interfere na rodovia.
“A gente sempre gosta de fazer nos nossos projetos uma coisa meio papel em branco: a gente tem tudo isso aqui, vamos desenhar com vocês”, diz.
Gramado na rota dos grandes shows
Um dos principais objetivos é trazer grandes shows para Gramado. Segundo Saldanha, Porto Alegre saiu dessa rota por falta de equipamento. Ele lembra que muitas arenas construídas para a Copa do Mundo de 2014 nasceram de sociedades entre clubes e construtoras, o que gerou conflitos entre o interesse de locação e o calendário do futebol.
Hoje, alugar um estádio por uma semana, entre montagem e desmontagem, custa entre R$ 500 mil e R$ 600 mil. Nesse período, o clube deixa de realizar pelo menos um jogo, e a renda de uma partida, mesmo pequena, supera o que ele ganharia com um evento. Por isso, os clubes não têm liberado seus estádios para shows. Ao mesmo tempo, a empresa identificou que 80% a 85% dos shows são para até 20 mil pessoas, público que a arena do Gramadense comporta “tranquilamente”, segundo ele, com a vantagem de o clube ainda ter um calendário menos extenso.
A rede hoteleira e o apelo turístico da cidade completam a aposta. Saldanha conta que, em março, esteve em Cruzeiro do Sul, no Acre, a 12 horas de Rio Branco, e ouviu do taxista: “Meu sonho é ir para Gramado”.
“Se eu trago uma banda internacional para tocar aqui, olha o imaginário: é meio Vegas. Eu vou para Vegas ver o show de fulano. Eu vou para Gramado, tenho a rede hoteleira, já faço esse turismo inteiro, já movimenta”, compara.
A Hawi Group tem como parceiras a Ticketmaster e a Live Nation, que, segundo ele, são a maior empresa de venda de ingressos e a maior produtora do mundo.
“O nosso estádio já está no radar deles. A gente já tem algumas coisas sendo estudadas para trazer para cá”, afirma.
Saldanha relata que conversou com o prefeito sobre uma possibilidade, e o prefeito pediu que a ideia fosse levada adiante. Detalhes ainda não podem ser adiantados enquanto não houver contrato assinado.
Ele observa ainda que, nos shows internacionais e nos jogos da dupla Grenal em Porto Alegre, a maior parte do público vem do interior. Trazer eventos para a Serra aproxima esse público. A perspectiva do aeroporto e de novos equipamentos, como o Club Med, amplia esse horizonte, segundo ele.
Estrutura pensada para palco
A arena tem um portão nos fundos para entrada de equipamentos e uma estrada que contorna todo o perímetro, permitindo circulação de carretas. Para um show de 20 mil pessoas, o palco fica nos fundos. Em shows menores, ele pode ser trazido para mais perto, até a linha do campo, aproveitando as arquibancadas.
O gramado sintético é do tipo 1 da Fifa, o mais moderno do mundo, segundo Saldanha. Por não ser natural, não corre o risco de morrer, mas precisa de proteção. A ideia é comprar e manter no estádio o Easy Floor, piso de placas plásticas encai.xáveis. Na área do palco, é usado outro tipo de piso, apenas sob as sapatas da estrutura. “É um equipamento realmente muito versátil”, resume
Sem pressa no calendário
Saldanha reconhece que o setor ainda se recupera. Na pandemia, lembra, a área de eventos foi “a primeira a parar e a última a voltar”. Depois veio a enchente em Porto Alegre, que elevou os custos. Ele cita um show na festa do Grêmio, organizada pela empresa, em que o gasto com passagens aéreas, estimado entre R$ 30 mil e R$ 35 mil, chegou a R$ 120 mil. Agora, com a ameaça do El Niño, a empresa cancelou o que tinha programado, assim como várias outras produtoras.
“A gordura já foi queimada. Então o que a gente fez: não vamos ter pressa, isso aqui vai ficar aqui”, diz. A previsão é realizar dois grandes eventos entre a segunda quinzena de março e a primeira quinzena de abril de 2027. Um deles, adianta, “vai emocionar a cidade”, com a proposta de já nascer como tradição.
Patrocínios em patamar nacional
Saldanha também quer contribuir para mudar a forma como Gramado capta patrocínios para seus eventos, como o Natal Luz.
“Normalmente as pessoas chegam e dizem: vim fazer uma nova Gramado. Não, viemos fazer uma Gramado 2.0, ajudar a construir uma Gramado 2.0. A autoestima do gramadense é grande, mas é proporcional à competência. O que vocês fizeram aqui é case mundial”, avalia.
Para ele, a cidade ainda busca patrocínio em verbas regionais, embora seja um destino nacional. Ele cita uma pesquisa segundo a qual Porto Alegre é a décima cidade que mais compra ingressos para o Natal Luz. O Rio de Janeiro aparece em primeiro lugar, e São Paulo, o interior paulista e Minas Gerais também estão entre os maiores compradores.
“Eu não tenho por que pegar uma verba em que vou competir com o Planeta Atlântida. Eu tenho que sentar na mesma mesa de Barretos, do Carnaval do Rio de Janeiro, de Parintins, porque é uma verba nacional”, defende.
Com um Natal Luz que recebe pouco mais de 2 milhões de turistas, ele vê espaço para as grandes marcas.
“A pessoa está aqui em Gramado realizando o sonho dela. Pode olhar um QR Code e lembrar que tem que comprar um presente, porque está aqui em novembro”, exemplifica.
Segundo Saldanha, nas conversas sobre patrocínio, as pessoas do centro do país se surpreendem com o que Gramado realiza com os recursos atuais.
“A gente quer ajudar a botar o valor financeiro no mesmo patamar do valor intangível de Gramado”, afirma.
O lema da empresa na cidade, segundo ele, resume a proposta: “A gente não veio ganhar dinheiro em Gramado, a gente veio trazer dinheiro para Gramado. Ganhar junto com Gramado”.

Este conteúdo contou com apoio de inteligência artificial, usada como ferramenta de produção, com apuração e revisão da redação do Gramado Magazine.





























































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