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19 anos: Tela Tomazeli conta a sua trajetória que se confunde com a do site Gramado Magazine, que completa hoje 19 anos no ar.

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    Tela Tomazeli | Editora
  • há 45 minutos
  • 8 min de leitura
Sou Tela Tomazeli, editora do site www.gramadomagazine.com.br há 19 anos.
Sou Tela Tomazeli, editora do site www.gramadomagazine.com.br há 19 anos.


A origem

De pé, ao lado do fogão a lenha, a nona me colocava em cima de um banco. Eu olhava para o horizonte, em direção aos morros, sabendo que lá ao fundo passava o caminhão do leite, que levava os tarros para a Corlac. É uma memória muito viva, pois muitas vezes segui por aquela estrada, que passava pelo moinho do tio Aurélio, para "ir a Gramado" com o nono. Normalmente eu ia em cima dos tarros, mas em dias muito frios arrumavam um lugar para eu sentar na cabine. Essa imagem, talvez uma das lembranças mais nítidas da minha infância, lá no Vinte e Oito, com o nono Pedro, a nona Olga, os tios, as tias e os primos por parte da minha mãe, Bordin, me trazia algo que, morando no centro de Gramado, eu não tinha. Lá no Vinte e Oito, naquele banco, eu sentia vontade de saber o que tinha lá em cima, em Gramado. Só que, quando chegava em casa, essa expectativa não existia mais.

 


O chamado para o jornalismo

Aluna abaixo da média, minha educação escolar foi aos trancos e barrancos, entre maçãs e chocolate da Prawer. Mas eu tinha o DNA de Gramado, e esse sobrenome foi fundamental, possivelmente o que fez eu me tornar uma "revoltada", inquieta com o pensamento de que, não tendo dinheiro, eu precisava encontrar uma forma de me posicionar. Foi assim que, numa manhã, conversando com um amigo que há muito não vejo, Rodrigo Correia Pinto, ele me disse: "tens que ser jornalista!".


Naquela época, vamos dizer, uns 40 anos atrás, gostei da sugestão e a primeira coisa que fiz foi ver o que o jornalista fazia. Na época a referência era a Rede Globo: quando todos tinham que se calar, a família se reunia para assistir TV na sala, e a casa tinha uma única TV. Não lembro se essa foi uma vivência minha, mas era padrão na época.

 


Uma vida pagando o carnê do INSS

Em meio a tudo isso há uma "saga" que resumo a seguir. Não importava por onde eu andasse com minha mochila, eu pagava o carnê do INSS. Lembro que me diziam: na hora de te aposentar, o INSS não vai mais existir. Eu pensava: se eu parar de pagar, o que terei de garantia para o meu futuro? Mas não era sobre dinheiro, era sobre acreditar em alguma coisa. Meio estranho, mas até hoje eu preciso ter referencias, preciso acreditar que existem coisas boas. Assim, decidi que ia seguir pagando, todo mês, e que ia me aposentar, porque acreditava no sistema. Há cerca de 20 anos fui ao INSS de Canela, com todos os carnês, e me aposentei em uma semana. Creio que foi a coisa mais organizada que já fiz na vida, até os atendentes ficaram surpresos.


Hoje recebo um salário mínimo e sou a campeã do consignado. Talvez por ser da antiga, com meus 65 anos, mas para mim é quase, ou totalmente, uma referência de época, de uma vida. Aliás, minha casa é feita de presentes. Tudo tem uma memória, é quase um álbum de fotografias nas paredes. Algumas coisas não tão boas estão guardadas, é praticamente um relato de minha passagem pela vida.

 


Eventos, colunas e a intencionalidade das pessoas

Minha vida e minhas conquistas materiais vieram através da coordenação e organização de eventos, área em que me considero uma das melhores. Paralelamente a isso, eu escrevia para o Jornal de Gramado, o Jornal Pioneiro e o Jornal NH. O foco principal foi o colunismo social, mas me aventurei também pela coluna de moda, pela coluna infantil e pela coluna de política.


Aprendi algumas coisas, aliás, muitas coisas, e a principal delas, lendo várias obras de Antônio Meneguetti, foi a observar a intencionalidade das pessoas. A partir daí, passei a usar isso como estratégia e a observar como, mesmo sem se dar conta, as pessoas também a usavam. Sim, porque para tudo, meus amigos e minhas amigas, há uma intencionalidade. "Não existe picanha de graça", e não é sobre ser bom ou ruim: até mãe tem intencionalidade. É muito fascinante trabalhar com esse aspecto na relação com as pessoas x negócios.

 


O nascimento da Gramado Magazine

Foi através disso que, depois de 15 anos, saí do Jornal de Gramado, e aí percebi de forma explícita o papel que uma pessoa tem a partir do momento em que está, ou não está, com o cargo de imprensa. Passei cerca de um ano transparente. Parecia que tinha enterrado meu CPF. Então fui até a agência Grisè, que hoje é minha agência novamente, e falei com a Carla Leindes: "quero criar uma coluna na internet". E criamos, eu, ela, o Fernando e o Caio, meu irmão, o Gramado Magazine, o primeiro veículo digital da Região das Hortênsias. Comecei com uma coluna social, depois percebi que precisava resguardar a marca, registrar e ter documentação para poder receber anúncios do setor público e do setor privado, que só trabalhavam com nota fiscal.

 

 

Dezesseis anos depois, o fim de um ciclo

Assim nasceu a Revista Digital Gramado Magazine, que durante 16 anos atualizei semanalmente, em paralelo aos eventos. Nesse período, atuava fortemente como organizadora de eventos sociais e corporativos e na logística de feiras. Depois da pandemia, ainda fiz eventos por mais dois anos e parei, porque a humilhação chegou ao limite máximo. Aprendi que, enquanto eu fazia parte da construção do conceito, eu tinha valor; depois, quando era apenas execução, esse valor mudava, e não falo de dinheiro. É sobre isso, sobre se dar conta da hora de sair. Terminei uma feira na quarta-feira e, na quinta, enviei aos meus clientes um e-mail dizendo que não faria mais eventos. Os protocolos da pandemia foram cruéis. Até hoje escuto as vozes me xingando.

 


O Caminho de Caravaggio

Na semana seguinte, fui fazer o Caminho de Caravaggio, nove dias caminhando e chorando compulsivamente. Quando cheguei a Farroupilha, o último local antes do Santuário, havia uma lomba para subir até a Vinícola Colombo. Eu olhei e desmoronei, não tinha mais forças. Sentei na grama de uma casa e chorava como se fossem as chuvas de 24. Veio em minha direção, do meio das parreiras e do galpão, em um trator, um agricultor, e me perguntou: "por que tu chora tanto?". "Cansaço", respondi. Ele disse: "não, isso é choro de quem se separou do namorado". Eu respondi que não tinha namorado. Ele me deixou à vontade ali, regando a grama dele com as minhas lágrimas.


Este ano entendi o que aconteceu. Peregrinar é sobre isso, há coisas cujo insight vem anos depois, ao menos comigo. Não era sobre separação de namorado, era sobre a separação dos eventos. Eu tinha terminado tudo, sem a possibilidade de dar um tempo, e isso foi devastador.

 


Recomeçar: pastéis, currículos e Uber

Voltando da caminhada, fui até o escritório do Poloni e da Tizi levar meu currículo. Isso me lembrou a pandemia, quando entrei numa loja para pedir trabalho, pois eventos foi o último setor a voltar, e a gerente me disse: "não podemos te colocar como vendedora, isso não é pra ti". Mandei currículo para muitos outros lugares, e nada era pra mim. Eu me perguntava o que eu era, e óbvio, o pensamento sempre ia para o lado ruim. Não foi fácil.


Fui fazer filtros, artesanato, até resolver colocar no mercado os meus pastéis. Lembro que minhas costas doíam, então mandei fazer quatro tocos para levantar a mesa. Fazia cerca de 300 pastéis por semana, em uma panela que fritava de dois em dois (guardo ela até hoje). Encomenda até quarta, preparo quinta, entrega sexta, sábado e domingo. Pronto, resolvidos os boletos. E seguia atualizando a Revista Digital Gramado Magazine uma vez por semana, sem nenhuma notícia negativa, porque esse sempre foi o meu propósito: mostrar ao leitor um olhar de beleza, mostrar o melhor do mundo, mesmo que por dentro eu estivesse chorando. Aprendi, nos eventos, que o cliente não está interessado no seu drama. Se você se propõe a servir, sirva. Outra lição que a vida me trouxe foi sair do papel de vítima. Mas não me peçam isso em caso de doença: nessa situação eu chamo até o prefeito, porque tenho dificuldade em lidar com isso, mas sigo trabalhando para o enfrentamento.


Quando chegou a época do Uber, creio que um ano depois, quando Gramado começou a ser invadida e talvez tenha começado um divisor de águas no atendimento, entendi que, para falar sobre o tema, eu tinha que saber como funcionava. Aliás, minha vida no jornalismo é sobre isso: preciso viver para poder falar, e, mesmo assim, não sou a voz da razão. Comecei a fazer Uber, fiz durante um ano, e aí descobri a variedade de pessoas, de culturas e, principalmente, a falta de educação e de respeito de muitos turistas. Olha, posso contar nos dedos os que não foram invasivos e desaforados. Mas, no final do dia, eu tinha um dinheiro para arcar com as despesas. Minha mãe me ligava a todo momento, ficava neurótica comigo trabalhando nisso.


Encerrei essa etapa quando, por volta das 18h30, fui até a Piratini atender a um chamado. Um homem, uma bolsa. Ele sentou na frente, tinha cheiro de álcool. Confesso que meu corpo amorteceu. Quando chegou ao centro, perguntei a ele qual era o endereço, e ele me disse que era no presídio de Canela, que estava no semiaberto. Sem preconceito, mas eu gelei. Pedi a ele um momento, pois precisava avisar meu filho que estaria em casa até as 19h30, senão ele ficaria preocupado, já que eu sempre chegava às 19h. Mandei a mensagem me sentindo mais segura, pois assim alguém sabia até onde eu estava indo fazer a corrida.

 


De jornalista a empresária da comunicação

Passados esses perrengues, e algum tempo depois da conversa com Poloni, entendi que eu tinha um negócio, a então Revista Gramado Magazine. Sou lerda mesmo, taurina! A partir daí, reformulei o site para atualização diária e passei a trabalhar integralmente como jornalista, vivendo dos anúncios aqui inseridos. Hoje sou uma empresária da comunicação e uma pessoa realizada, principalmente por entender o meu posicionamento.

 

 


Tela Tomazeli

Sou formada em Turismo pela Universidade de Caxias do Sul, curso que escolhi no lugar da formação em Jornalismo, por entender que já vivia em meio a essa área e que, para buscar informações, precisava de formação. Tenho Registro Profissional de Jornalista, número 10501, assinado pelo Sindicato dos Jornalistas do RS em 2002, DRT 017518/02. Tenho também formação profissional de Terapeuta em Registro Akáshico. Sou cidadã gramadense, empreesária, jornalista, gaúcha, brasileira, mãe, irmã, filha, amiga, madrinha, dona de casa.


Olhando para trás, entendo que a/o Gramado Magazine nunca foi só um site. Ela nasceu da necessidade de continuar contando a história da minha cidade mesmo quando tudo ao redor parecia incerto, e cresceu junto comigo: nos eventos, nos pastéis, no Uber, em cada recomeço. Carrega o mesmo propósito que aprendi lá no banco ao lado do fogão a lenha, de olhar para o horizonte com curiosidade e contar o que vejo com olhos de beleza. Por isso, há 19 anos ela/o segue sendo o primeiro veículo digital da Região das Hortênsias, feito com a mesma intencionalidade que dedico a cada relação: um leitor que confia, um anunciante que sabe que aqui é tratado como parceiro, e uma cidade que reconhece sua própria voz em cada matéria que publico.


Agradeço a cada leitor e a cada anunciante que, ao acompanhar meu trabalho, dá voz a uma comunicação respeitosa e confiável.


Tela Tomazeli




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