A cidade deles
- Romeo Ernesto Riegel | Crônica

- há 2 horas
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Gramado, no mês de fevereiro, é uma cidade de beleza triste. Lamentando ruas vazias, constrangida pelo silêncio de poucos carros percorrendo ruas e alamedas impecavelmente limpas. Pintadas por pedestres caminhando sobre calçadas riscadas entre canteiros de flores, traduzem um lamentável quadro de ausências. É que falta a presença dos donos da cidade.
Os nativos que permanecem, ficam cuidando dos bens imóveis de donos que estão se tostando com o sol das praias ou gastando sorrisos pelo mundo afora. Eles capricham para não serem demitidos por ineficiência, embora seus patrões enxerguem apenas a periferia da sujeira. Exercem seu mister convictos, alegres e honrados, cumprindo o feliz desígnio de que em Gramado sempre foi assim. Só que os donos de então eram chamados de veranistas.
A ausência dos donos guarda o singelo benefício de oferecer espaço para restaurações, melhorias e novidades e, quando eles voltarem, trarão de volta o esplendor de uma cidade pequena que suporta a presença de oito milhões de pessoas por ano sem perder, a cada tempo, a ordem, a beleza e o encanto.
Os que ficam por aqui, verão e inverno com chuva ou sem chuva, perderam parte da cisma de serem os donos absolutos do pedaço. E movem-se como dignos guardiões históricos de um projeto concebido para ser original com límpido afeto e ardorosa competência.
No fim, a metáfora de que a terra é deles, cria nos moradores permanentes o conforto de que, embora poucos como são, respondem pelo princípio de que Gramado é mais que uma cidade. É um conceito.
































































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