Páscoa: Ofício das Trevas
- Tela Tomazeli | Editora

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GRAMADO ALELUIA
Uma celebração de profunda reflexão e espiritualidade no coração de Gramado.
Nesta Quarta-Feira Santa (01), a Igreja Matriz São Pedro realizou o Ofício das Trevas, uma das cerimônias mais simbólicas da Semana Santa. Entre luzes que se apagam e o silêncio que convida à oração, a celebração nos conduz pela memória da Paixão de Cristo e a espera pela luz da Ressurreição.
Um momento de fé intensa que toca moradores e visitantes, preparando o espírito para o Tríduo Pascoal.
O Ofício das Trevas (ou Tenebrae) é uma das tradições mais ricas e dramáticas da Igreja Católica, remontando aos primeiros séculos do cristianismo. Embora tenha sofrido alterações com a reforma litúrgica de 1955 e o Concílio Vaticano II, sua essência permanece viva, especialmente em comunidades que preservam o rito extraordinário ou formas adaptadas. Abaixo, apresento os fundamentos históricos e estruturais baseados em fontes litúrgicas oficiais, como o Breviário Romano e o Missal Romano.
Origem e significado
O termo Tenebrae (Trevas, em latim) refere-se às celebrações de Matinas e Laudes do Tríduo Pascal (Quinta-feira Santa, Sexta-feira Santa e Sábado de Aleluia). Historicamente, essas orações eram feitas de madrugada, mas foram antecipadas para o entardecer dos dias anteriores para permitir a participação dos fiéis.
O Simbolismo da Luz
O elemento central é o Saibreiro (ou Tenebrário), um candelabro triangular que sustenta 15 velas de cera amarela.
As velas são apagadas uma a uma após cada salmo cantado.
Isso simboliza o abandono de Jesus por seus discípulos e a escuridão que cobriu a terra durante a Crucificação.
A Estrutura Litúrgica (Fonte: Breviarium Romanum)
Diferente de outras celebrações festivas, o Ofício das Trevas é marcado pela austeridade absoluta, refletindo o luto da Igreja:
Ausência de Glória e Bênçãos: Não há o "Glória ao Pai" ao final dos salmos, nem saudações iniciais ou bênçãos finais.
As Lamentações de Jeremias: Um dos pontos altos é o canto das Lamentações, que chora a destruição de Jerusalém, servindo como analogia ao sofrimento de Cristo.
O Miserere: O Salmo 50 (51), o grande clamor por misericórdia, encerra a parte vocal enquanto a última vela permanece acesa.
O "Strepitus" (O Estrondo)
Ao final do ofício, a última vela (que representa Cristo) não é apagada, mas escondida atrás do altar. Nesse momento, ocorre o Strepitus:
Os clérigos e fiéis batem os livros nos bancos ou batem os pés no chão, criando um ruído súbito e forte.
Significado oficial: Esse barulho simboliza o terremoto que ocorreu no momento da morte de Jesus e a confusão da natureza diante da morte de seu Criador. Após o estrondo, a vela acesa é trazida de volta, simbolizando a esperança da Ressurreição.
Evolução e astado atual
Historicamente, o ofício foi consolidado no período medieval e mantido quase intacto até o século XX.
Reforma de Pio XII (1955): O Papa Pio XII restaurou o horário das celebrações da Semana Santa para a tarde/noite, o que fez com que o Ofício das Trevas perdesse sua "necessidade" de antecipação, sendo integrado ao Ofício das Leituras.
Uso Contemporâneo: No rito ordinário (pós-Vaticano II), ele é conhecido como Ofício das Leituras e Laudes. No entanto, muitas catedrais e ordens religiosas mantêm a forma tradicional com o candelabro e o Strepitus por sua profunda força pedagógica e espiritual.
Imagens l Vídeos : Evelin Reis Pauli, Augusto Ecker, Júlia Frizzo Dornelles, Valentinna Roloff Basei










































































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