Parque do Caracol, em Canela, abriga duas espécies de bromélias únicas no mundo


Dyckia irmgardiae e Dyckia nigrospinulata, ameaçadas de extinção, mobilizam projeto de conservação e podem ser vistas no novo Jardim Rupestre do atrativo
A mesma escarpa da famosa queda d’água de 131 metros, que faz do Parque do Caracol, em Canela, um dos cenários mais representativos do turismo no Rio Grande do Sul, abriga duas espécies que costumam passar despercebidas pela maioria dos visitantes. Pequenas e adaptadas à vida entre as rochas, as bromélias Dyckia irmgardiae e Dyckia nigrospinulata não foram localizadas em nenhum outro lugar conhecido do mundo além desse paredão, na Serra Gaúcha.
Classificadas como espécies ameaçadas de extinção, elas passaram a integrar uma estratégia de conservação que combina proteção no ambiente natural, produção de mudas, monitoramento e educação ambiental.
Jardim Rupestre aproxima visitantes das espécies
De acordo com a gerente-geral do Parque do Caracol, Sandra Ferraz, a iniciativa ganhou também um local próprio para aproximar essa flora singular dos visitantes. Implantado junto ao Mirante da Cascata, o Jardim Rupestre ocupa aproximadamente 60 metros quadrados e foi concluído em abril deste ano.
“Quem visualiza a paisagem do Parque do Caracol enxerga as grandes dimensões da natureza, mas há uma biodiversidade que exige um olhar muito mais atento. Em poucos centímetros de uma rocha pode estar uma parte insubstituível da história natural de Canela, como nos mostram essas espécies únicas de bromélias”, destaca.
Atualmente, o Jardim Rupestre reúne três exemplares das espécies de bromélias trabalhadas pelo projeto. Elas são endêmicas, ou seja, ocorrem naturalmente em uma área geográfica específica e restrita e não são encontradas, em condições naturais, fora dessa região.
Monitoramento e levantamento na escarpa
Sandra acompanha as estratégias e os protocolos dos biólogos e especialistas que participam do projeto. Segundo ela, o objetivo não é apenas preservar as plantas, mas também manter as condições que permitem sua existência, em um ambiente marcado por sol intenso, disponibilidade sazonal de água, solos rasos e substrato rochoso.
“Conservar uma espécie que tem uma distribuição tão restrita exige olhar para a planta e para o lugar onde ela vive. O monitoramento realizado pelos especialistas nos permite entender como essas bromélias estão respondendo às condições do ambiente e decidir estrategicamente as ações necessárias para sua proteção”, acrescenta.
Sandra adianta que, para os próximos meses, está previsto um levantamento na escarpa da Cascata do Caracol para apurar a quantidade de exemplares das duas espécies.
Parceria com o Jardim Botânico de Porto Alegre
O trabalho de preservação da Dyckia irmgardiae ganhou um reforço fora dos limites do Parque do Caracol. Em novembro de 2024, uma ação com participação do Jardim Botânico de Porto Alegre e da Fepam localizou a população dessa bromélia e permitiu, a partir de protocolos cuidadosos, a coleta manual de exemplares e sementes. O material foi encaminhado para conservação no Jardim Botânico, na capital gaúcha.
A conservação da Dyckia irmgardiae tem uma dimensão ainda mais urgente. A espécie foi descrita cientificamente em 1966 e é considerada “Criticamente em Perigo no Rio Grande do Sul”. Sua ocorrência conhecida está concentrada em uma única população, e o avanço da vegetação arbórea, o sombreamento, o acúmulo de matéria orgânica e a presença de espécies exóticas podem comprometer as condições necessárias à sua sobrevivência.
A partir das sementes coletadas no Parque do Caracol, foram obtidas 12 mudas saudáveis e com variabilidade genética. Os exemplares adultos foram incorporados à coleção científica de Bromeliaceae do Jardim Botânico. O desenvolvimento da espécie é lento: as plantas levaram cerca de 18 meses para chegar a aproximadamente três centímetros de altura. A expectativa é que ainda sejam necessários de um a dois anos de cultivo protegido até que atinjam o porte adequado para uma eventual reintrodução.
Sobre o Parque do Caracol
Inaugurado em 1973 e consolidado entre os mais visitados do Rio Grande do Sul, o Parque do Caracol vem passando por um amplo processo de revitalização desde a concessão pública ao Grupo Iter, em dezembro de 2022, com investimentos em infraestrutura, experiências e serviços.
O Parque do Caracol é a primeira empresa de Canela e Gramado certificada como Empresa B, certificação que reconhece altos padrões mundiais de desempenho social e ambiental.
No Rio Grande do Sul, o Grupo Iter também administra o Parque Estadual Tainhas. No Rio de Janeiro, está à frente da operação do Parque Bondinho Pão de Açúcar e da operadora de turismo receptivo C2Rio Tours & Travel. Fonte integral destas informações Parque do Caracol
Curiosidade
Você sabia que as bromélias do gênero Dyckia estão entre as plantas de distribuição mais restrita do Brasil? Muitas espécies só existem em pequenas regiões, e várias são conhecidas por uma única população. No Rio Grande do Sul, é o gênero de bromélias com o maior número de espécies.
As duas bromélias do Parque do Caracol têm histórias bem diferentes. A Dyckia irmgardiae foi descrita pela ciência em 1966, e seu nome homenageia Irmgard Schultz, que descobriu a planta ao lado do marido. Segundo a Flora do Brasil, a espécie forma uma pequena população sobre a borda rochosa da mata, no Caracol, em Canela.
Já a Dyckia nigrospinulata foi descrita muito mais tarde, em 2009, pela botânica Teresia Strehl. O nome faz referência aos espinhos que ela tem nas margens das folhas. A espécie vive nas escarpas rochosas da Serra Gaúcha.
Fontes: Flora do Brasil 2020 (Jardim Botânico do Rio de Janeiro); Plants of the World Online (Royal Botanic Gardens, Kew); Nordic Journal of Botany, 2026; estudo Dyckia pontesii, uma nova espécie do Rio Grande do Sul; Wikidata.
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Este conteúdo contou com apoio de inteligência artificial, usada como ferramenta de produção, com apuração e revisão da redação do Gramado Magazine.























































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