Os retratos do Lago Negro
- Romeo Ernesto Riegel | Crônica
- há 51 minutos
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Leopoldo Rosenfeld foi o primeiro amor telúrico que beliscou o coração de Gramado e fez desse afeto o tabernáculo de seu próprio destino. Ele colocou em si a intocável convicção de que este era o lugar em que poderia depositar seus objetivos de empresário e de pessoa em busca de um lugar para ancorar suas ambições.
O andar da história demostrou que ele buscou paradigmas acima da capacidade criativa essencial que admitia ter. Por causa isso, colocou os pés no chão que a sorte lhe deu, e olhou para o fulgor definitivo da Natureza à sua volta. E, para chegar ao tamanho dos incontidos propósitos que pretendia alcançar, não se intimidou com os rigores de um começo sem nada. Deu alma a essa visão e confiou na terra.
Em rara condição de visionário, enterrado em alegres e ousadas fantasias, recebeu do acaso a contribuição do fogo. Eis que um caboclo beira-chão incendiou, sem querer, a cobertura de uma fonte; e o que apareceu foi o retrato das realidades com que Leopoldo sonhava. Ferindo o local com abnegados propósitos, transformou a fonte em lago, o qual ornamentou com refinadas espécies vegetais. E teve o cuidado de conceder às criptomérias filhas da Floresta Negra, a responsabilidade de ícones centrais do quadro paisagístico que criou. Então, descansou aí a imortalidade de seu nome.
O cenário natural criado acordou as primeiras máquinas fotográficas, cansadas de guardar sempre as mesmas banalidades. Esmeraram-se em registrar um sensível vínculo entre a natureza, o céu e a terra. E as modernas que lhes seguiram refinaram o significado e a alma de uma criação, acima de todas as aparências.
Por isso um gramadense caminhando por lá se sente em casa, orgulhoso de fazer parta dos milhões de retratos de Gramado que Leopoldo Rosenfeldt continua espalhando pelo mundo inteiro.


































































