Memórias de uma Majestade: Meus encontros com Ieda Maria Vargas
- Tela Tomazeli | Editora

- 23 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Por Marlene Peccin
GRAMADO - A vida, em seus ciclos generosos, por vezes nos permite cruzar o caminho de lendas. Para mim, a figura de Ieda Maria Vargas sempre teve uma aura mística. Minha primeira lembrança dela remonta à minha adolescência em Porto Alegre. Eu estava a caminho de uma aula de piano quando o trânsito parou para a passagem de um cortejo em carro aberto. Nele, vi aquela menina deslumbrante que acabara de conquistar o título de Miss Universo em Miami. Para uma jovem gaúcha, aquilo não era apenas um desfile; era a glória absoluta do Rio Grande do Sul e do Brasil representada em um sorriso.
Décadas depois, o destino nos reuniu em Gramado, onde Ieda escolheu viver. Ao celebrarmos o jubileu de 50 anos de sua coroação, percebemos que o Estado, infelizmente, silenciou diante de uma marca tão histórica. Decidimos, então, que faríamos as honras, em nosso hotel, Casa da Montanha. Fomos até sua casa e encontramos uma mulher que, embora enfrentasse as sequelas de problemas de saúde que dificultavam sua fala, mantinha a compreensão aguçada e uma elegância que o tempo jamais ousou tocar.
Ao abrirmos seus baús para organizar uma exposição em nossa cidade, mergulhamos em um museu particular. Estavam lá: A réplica da coroa e o icônico vestido do desfile; a boneca da Estrela, produzida na época com o traje típico gaúcho que foi sensação mundial; registros fotográficos, filmes de época e recortes de imprensa que narram uma trajetória única.
O que deveria ser uma exposição de três meses estendeu-se por um ano, tal era o fascínio do público. Nesse período, Ieda integrou-se à nossa equipe como Relações Públicas. Mais do que uma função profissional, queríamos oferecer a ela um propósito, convivência e o carinho que sua trajetória merecia.
Conviver com Ieda foi uma lição diária de doçura e resiliência. Ela falava de sua vida, o contraste entre o glamour do passado e a realidade dos dias atuais.
Ieda era a personificação da beleza natural. Ela me contava que, em sua época, não existiam as intervenções plásticas de hoje; a maquiagem era apenas um "pó de arroz" e um batom leve. Ela foi eleita por ser quem era, sem máscaras.
Fica a memória de uma mulher que levou o nome do nosso país ao topo do mundo e que, em Gramado, encontrou o aconchego para ser, acima de tudo, uma pessoa humana admirável. Ieda Maria Vargas será sempre nossa eterna majestade.
Fotos: Cibele Selbach


















































































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