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Hospitalidade com alma: Irmãos celebram 45 anos de história abrindo as portas da Casa do Vovô Octavio e da Vovó Anita

  • Foto do escritor: Tela Tomazeli | Editora
    Tela Tomazeli | Editora
  • há 2 horas
  • 6 min de leitura

GRAMADO - A celebração dos 45 anos dos Hotéis Vovó Carolina ganha um capítulo profundamente emocional com a abertura da residência que serviu de lar para a família Rossi por décadas. Mais do que uma expansão da estrutura hoteleira, a Casa do Vovô Octavio e da Vovó Anita é apresentada pelos irmãos João Batista, Marta e Maristela Rossi, como um "presente" que resgata a essência da hospitalidade de seus pais.


 

Marta Rossi, João Batista Rossi, Maristela Rossi. Fotos e vídeos: Divulgação
Marta Rossi, João Batista Rossi, Maristela Rossi. Fotos e vídeos: Divulgação

 


João Batista

O legado de um casal madrugador

João Batista recorda com precisão a rotina de seus pais, que eram a personificação da hospitalidade gaúcha.


"A mãe e o pai sempre foram madrugadores. O pai se levantava às quatro da manhã quando atuava forte no hotel; depois passou a levantar às cinco. A mãe acendia o fogão quando levantava e ele era direto, inverno e verão. O fogão a lenha nunca apagava". Essa energia de acolhimento é o que ele deseja que o hóspede sinta ao cruzar a porta. "Essa disposição refletia-se na cozinha, o coração da casa. Batista relembra que a Vovó Anita mantinha o fogo sempre aceso

 


Uma experiência "Mão na Massa"

Diferente de uma estadia convencional, os irmãos querem que as pessoas interajam com a história. João Batista (administrador) faz questão de que o atendimento seja proativo, saindo do "passivo" das recepções tradicionais.


  • O ritual do fogo: O hóspede não apenas verá o fogão; ele aprenderá a usá-lo. "A pessoa vai aprender a fazer fogo na lareira e no fogão na hora que se hospeda". Batista garante que haverá "gravetinho pronto" e a "caixinha de lenha abastecida", embora brinque que não deixará ninguém rachar lenha, tarefa que seus pais faziam com maestria.


  • Afetividade no paladar: A chegada é marcada pela Cuca de Banana (receita tradicional da Dona Anita) e pelo Chá de Maçã, itens que definem a identidade das casas da família.


  • Memórias de inverno: Batista vislumbra momentos de pura nostalgia, como preparar pinhão na chapa ou batata doce sobre o fogão. Ele recorda o carinho do pai com as netas: "O pai descascava todo o pinhão, batia tudo com o martelinho e entregava pronto para elas".

 


Estrutura e cuidado integrado

A casa é uma unidade de pura afetividade, mas com o respaldo profissional que a família Rossi construiu.

  • Acomodação familiar: Possui dois quartos de casal que podem ser adaptados para camas de solteiro, acomodando confortavelmente até quatro ou cinco pessoas em ambiente familiar.

  • Serviço hoteleiro: Mesmo sendo uma residência histórica, o hóspede tem à disposição o serviço de camareira, limpeza e o café da manhã incluso.

  • Segurança e conexão: A casa está totalmente conectada à recepção do hotel via telefone e botões de emergência, pensando especialmente no cuidado com idosos.


Para João Batista, que começou sua carreira na recepção, o luxo aqui é a conversa. Ele acredita que o diferencial está no detalhe:


"Os recepcionistas têm que ir lá. Quando virem que a pessoa está ali fora, devem chegar e interagir". Afinal, a Casa da Vovó Anita não é apenas um lugar para dormir, mas um lugar para pertencer à história.

 









Marta Rossi

“O nosso berço”

"Para nós este é um momento muito especial, porque estamos entregando aos nossos clientes e hóspedes o nosso berço. Foi dentro desta casa que aprendemos a trabalhar a hospitalidade. Meus pais, mesmo sendo pessoas muito simples, já nasceram com isso no sangue: o prazer de receber as pessoas.

 

O pai e a mãe sempre nos diziam que, quando recebemos um convidado ou um amigo, devemos recebê-lo pela porta da frente e dar a ele o que temos de melhor. Era preciso oferecer nossa experiência de vida e nossas vivências para que esse convidado se sentisse acarinhado e abraçado. Tudo o que eles nos ensinaram foi transportado para dentro do Hotel Vovó Carolina."

 

"O afeto em relação ao hotel era tão grande que todos os que vinham queriam conhecer a casa do vovô Otávio e da vovó Anita; queriam saber por que o hotel tinha o nome de Vovó Carolina. Na verdade, a vovó Carolina era mãe do meu pai e viveu dentro desta casa. Foi uma homenagem a ela, ainda em vida, e ela pôde acompanhar o crescimento do hotel, vendo cada pedra ser solidificada.

 

 

Quando meus pais partiram, pensamos: se todos tinham o desejo de conhecer o 'berço da hospitalidade dos Rossi', tínhamos que oferecer essa casa para que o cliente vivesse essa experiência. É o lugar onde se originou o melhor café da manhã de Gramado, um título que não criamos, mas que a comunidade nos deu."

 

"Dentro da nossa casa, sempre funcionou assim: a visita chegava e, além das boas-vindas, encontrava uma mesa farta. O primeiro serviço oferecido aos amigos e parentes era essa abundância. Meus pais nunca impuseram restrições; eu levava toda a minha turma para casa e era um 'mar de gente' dormindo e convivendo, porque todos se sentiam bem. Até hoje, ouço de ex-colegas que elas sentiam vontade de morar na minha casa.

 

Essa hospitalidade era dos meus pais; o bem receber valia para todos, fosse um funcionário, um amigo, a faxineira ou o jardineiro. Eles nunca quiseram descolar a casa do hotel. Tanto que há apenas um muro baixo e um portãozinho separando os dois, e meu pai nunca deixava esse portão fechado. O acesso precisava ser livre.

 

Todas as nossas alegrias e problemas eram discutidos ao redor da mesa. A mesa era o centro gastronômico e o núcleo de discussão da família."

 

Se hoje alcancei um patamar de destaque no turismo, foi porque aprendi na base como trabalhar com as pessoas. Meus mitos não eram de fora; meus mitos estavam dentro de casa. Acompanhando a luta do meu pai e da minha mãe para conquistar espaço, vi que eles enxergavam os negócios. Eles venceram através do trabalho e do afeto; nunca foram pessoas de enfrentamento, e eu me inspirei neles. Eles foram incentivadores em todas as minhas iniciativas."

 

"O café da manhã do Vovó Carolina tornou-se conhecido porque meus pais sempre valorizaram os produtos locais e os parceiros do interior, muito antes de se falar em 'produtos de origem'.

 

Hoje, o Batista guarda mais de sessenta receitas que juntou durante a vida. As receitas das especiarias da minha mãe foram transferidas para a Tata, que nos cuidou e que consideramos nossa irmã mais velha. Ela está conosco desde os cinco anos de idade e, aos setenta e cinco, ainda produz essas receitas aqui dentro. Inclusive o pão preto, o melhor da cidade, cujas receitas vêm da época em que meu pai tinha a padaria, continua sendo feito por ela."

 

 

Maristela Rossi

 “Nesta casa aprendi a amar, ter esperança, lutar, saber perder e não desistir”.

 

Desta casa, sinto ainda o cheiro do feijão, do churrasco do pai em domingo, da pipoca da tarde, do pinhão na chapa, do feijão da mãe. Sinto saudades da mesa da cozinha onde a família se reunia para comer, conversar, fazer piada, fofocar e brigar. Tudo se fazia falando alto, como toda casa de italiano; nunca se sabia se era briga ou só conversa.

 

E o sofá da sala? Que eu fazia questão de disputar com minha mãe para sentarmos bem pertinho, olhar a novela das 8h, depois a série “Casal 20”, a predileta dela. Aí, indo para a cama, disputávamos corrida para ver quem chegava antes. Era tão bom que não poderia dormir mal; era uma cantiga de ninar. Na madrugada, já indo para o trabalho, o pai entrava no quarto para verificar se eu estava bem coberta.

Aí chega a faculdade... e agora, como ficar longe desta casa que dá tanta segurança, onde me sinto tão amada? Ficar longe da minha Nona, minha grande amiga? Lá vêm o pai e a mãe e me dizem:

 

O primeiro conselho do pai: "Na vida tem que ter coragem e, para ser alguém, tem que estudar." E assim eu fui e me formei.

 

"A alma do negócio é o bom atendimento."

Nunca esqueci; este foi sempre meu objetivo fundamental. O acolhimento, a empatia, o olhar cuidadoso e a conexão são ferramentas fundamentais em qualquer área, e nisto meus pais eram doutores. Que bom que eu e meus irmãos, Marta e João, vivemos momentos de tanto afeto e aprendizagem nesta casa ao lado deles.








 

 

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