Artigo: Saudade do coelhinho
- Tela Tomazeli | Editora

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Na minha sensibilidade de criança, o grande artista do Natal era o Papai Noel. Sua figura sobrepujava tudo o mais que pudesse significar o fim de um ano e o começo de outro. Parecia-me de todo injusto que assim fosse, porque o Papai Noel, chegava trazendo alguns presentes em uma mão e uma vara de marmelo na outra. Julgava-se no direito de perguntar sobre meu comportamento, minhas notas no colégio e dar conselhos que eu não tinha pedido. Pois aquele senhor pensava eu, desmoralizava todos os velhos, devido à sua arrogância e ao moralismo inoportuno que o acompanhava. Felizmente, as coisas mudaram e ele virou uma espécie de enfeite do Natal Luz.
O Coelhinho da Páscoa, ao contrário, era o próprio retrato da suavidade. De tão discreto, nem aparecia. O perfume do chocolate era tudo que deixava como sinal de sua presença. Nós o adorávamos e, às vezes, levantávamos durante a noite do Sábado de Aleluia para ver se o víamos. Mas dele, sempre tinha ficado apenas o cheiro. Dormíamos agradecendo ao Papai do Céu por ter-nos dado um amiguinho tão querido.
No Domingo de Páscoa, questionávamos o bom senso dos adultos, que faziam festa para esperar o chato do Papai Noel e para o coelhinho só abstinência e música triste. Concluímos que esses julgamentos eram apenas dialética de gurizada da colônia.
O tempo mostrou que aquela dialética não era assim tão descabida e o coelhinho acabou tendo sua festa. E de chocolate, o seu perfume.
O Chocofest, neste sentido apresentou dois componentes realmente excepcionais: juntou, num só evento, o coelhinho e o chocolate. Ambos existem há centenas de anos em todos os lugares, mas foi aqui que eles viraram festa.
A outra circunstância que imergiu do Chocofest, foi o seu caráter cultural. Se fosse apenas pelo chocolate seria um evento empresarial como tantos outros importantes que aqui possuímos. Juntando chocolate, Páscoa e coelhinho, misturou gerações e fantasias, deixando os crentes mais crianças e as crianças mais crentes.
O Chocofest produziu uma concreta e refinada atitude de expressão cultura e mostrou que é daqui que a Marta é, e daqui é que a Sílvia foi.

































































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