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Realidade e cobranças marcam debate sobre a Causa Animal na Câmara de Gramado

  • Foto do escritor: Tela Tomazeli | Editora
    Tela Tomazeli | Editora
  • 23 de jun.
  • 4 min de leitura

Da responsabilidade pelo abandono ao teto de gastos público: a Tribuna de Gramado expõe as feridas da causa animal em uma discussão que transita pela senciência dos bichos, o combate à humanização excessiva, a necessidade de braços administrativos e o limite entre o essencial e o luxo estrutural.





Por: Redação Gramado Magazine

Editoria: Animais



GRAMADO - A 17ª sessão ordinária da Câmara Municipal de Gramado, realizada em 22 de junho de 2026, foi palco de intensos debates e posicionamentos firmes acerca da situação do canil municipal e das políticas voltadas à causa animal no município. Diante da repercussão de vídeos publicados em redes sociais no fim de semana anterior, parlamentares e o titular da pasta da Saúde trouxeram visões e cobranças sobre a estrutura atual e o futuro do atendimento aos animais.

 


Secretário da Saúde rebate críticas na Tribuna do Povo


O secretário da Saúde, Jeferson Moschen, utilizou o espaço da Tribuna do Povo para apresentar dados do município e responder às imagens veiculadas na internet. Segundo o secretário, a atual estrutura é precária e sofre desgaste constante, exigindo reparos frequentes semanais em portões, telhados e baias. Ele informou que o abrigo atende hoje 120 animais, todos tratados, vacinados, chipados e cadastrados.

 

Moschem apresentou um panorama histórico, destacando que Gramado soma mais de 16.115 animais castrados e chipados desde o início das políticas públicas voltadas ao tema, em 2011. No balanço do ano corrente, registrou-se a marca de 101 adoções e 470 atendimentos gerais (incluindo chips e castrações). Por outro lado, o secretário alertou para o volume de 357 abandonos registrados no mesmo período.


Ao criticar a repercussão gerada pelo vídeo gravado no coreto municipal, o secretário declarou:

"Isso não pode ser jogado de uma hora para o lixo, por um trampolim político, muitas vezes."

Lamentando a conduta que considerou desprovida de conhecimento sobre o esforço mútuo da comunidade e dos poderes, Moschem completou em relação aos animais que chegam ao abrigo:

"Menos de 400. É uma pena, porque este abrigo só existe pela falta de responsabilidade social da população que abandonou."


O secretário também mencionou o andamento das obras do novo Centro de Bem-Estar Animal e Zoonoses, afirmando que todas as fundações das unidades construtivas estão prontas e que o ritmo das obras será intensificado junto ao executivo.



Diferentes olhares e o debate entre os Vereadores


A vereadora Fernanda Pereira Dias trouxe uma abordagem técnica e dual ao plenário. De um lado, reconheceu de forma verídica que o espaço atual precisa de melhorias e que tem dialogado frequentemente com a secretaria para sugerir ferramentas como o Fundo de Bem-Estar Animal e a composição do Conselho e da Coordenadoria da pasta. De outro lado, a parlamentar explicou as complexidades práticas do manejo diário e defendeu as especificidades dos abrigos, ponderando que certas medidas imediatas, como o uso de colchonetes, podem trazer riscos cirúrgicos graves caso os animais os roam e engulam o conteúdo. Ela apontou que a humanização excessiva a qualquer custo também requer reflexão e expressou otimismo com o projeto do novo centro, detalhando que as futuras baias mesclarão piso e grama para evitar calos de decúbito nos cães maiores. 

 


O vereador Ike Koetz iniciou sua manifestação agradecendo a presença imediata do secretário Jeferson Moschem para prestar esclarecimentos sobre as ações e o que tem sido feito pela causa animal no município.

Ao avaliar o cenário, o parlamentar pontuou a necessidade de suporte à pasta e colocou a Câmara à disposição para avançar em termos estruturais:


"Realmente, como foi dito aqui pelo secretário, pela colega que me antecedeu, nós temos um grande caminho pela frente. [...] Com todo o respeito, o secretário Jefferson, eu acho que, sim. O senhor precisa de ajuda, e se vier para essa casa uma proposta, da causa animal, onde a gente possa ter um departamento, onde a gente possa ter uma coordenadoria, pode ter certeza que essa Câmara vai apoiar em 100%."


Ike defendeu que, caso seja necessária a criação de cargos para viabilizar e estruturar uma coordenadoria voltada especificamente para a causa animal, a proposta contará com o seu apoio integral e, em sua visão, com o dos demais vereadores, representando um ganho real para Gramado. Foi, neste ponto, questionado pelo vereador Rafael Ronsoni, sobre despesa pública.

 


 

A vereadora Dra. Maria de Fátima manifestou-se criticamente em relação às condições que presenciou em suas visitas ao canil, classificando a situação como insalubre para seres sencientes, capazes de sentir dor, frio, medo e estresse. Relembrando que os animais sofrem com a umidade e as baixas temperaturas da região, a vereadora relatou o episódio em que encontrou dificuldades para acessar as dependências e frisou que os animais e os funcionários necessitam de condições dignas. Ela enfatizou a responsabilidade dos tutores que se mudam para o município e abandonam seus cães, cobrando celeridade na entrega do novo Centro de Bem-Estar Animal.

 



O vereador Roberto Cavallin focou seu pronunciamento na defesa da influenciadora responsável pelas denúncias nas redes sociais. Ele questionou a postura de rebater a publicação com ataques políticos e destacou a relevância pública da ativista:


"Ela não precisa fazer politicagem. Se faltou ir lá na rede social e olhar alguém que tem 19 milhões de visualização num vídeo só, 10 milhões de visualização em outro vídeo, e 3 milhões de visualização em outro vídeo, e não percebeu o trabalho de alguém que foi três vezes vereadora."


Cavallin argumentou que a sociedade busca respostas concretas sobre o novo centro de bem-estar animal, sugerindo que a administração deveria somar forças com influenciadores e defensores da causa em vez de buscar culpados.

 


O vereador Rafael Ronsoni expandiu a discussão ao avaliar o panorama geral da gestão da Secretaria da Saúde. Ronsoni apontou que, embora o secretário conte com servidores concursados e operários de alto gabarito capazes de executar melhorias estruturais imediatas com a matéria-prima disponível no município, há falta de comando e gerenciamento na pasta. O parlamentar criticou severamente o volume de reclamações na saúde pública local, apontando problemas em postos de bairros, na marcação de exames e a paralisação das castrações desde novembro. Sobre o montante financeiro destinado à nova sede, estipulado em cerca de R$ 5 milhões, declarou:


"Um investimento altíssimo, será que nós precisamos esse luxo todo? Quem sabe nós deveríamos talvez ter comprado do André Tissot, que ele tinha nos oferecido há tantos anos atrás, estava pronto, uma estrutura fantástica, aquilo sim nós deveríamos ter adquirido e não ter perdido."


Ronsoni alertou ainda sobre o inchaço da máquina pública e manifestou preocupação com projetos de criação de novos cargos na administração.



Assita a sessão completa.



 

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