A generosidade das lágrimas
- Romeo Ernesto Riegel | Crônica

- 20 de jul.
- 2 min de leitura
As lágrimas são retratos emocionais bastante contraditórios. Fazem parte tão destacada e generosa do espírito humano que constituem a mais importante e única companhia dele em que a rotina é contrariada pela fatalidade de algum acontecimento. Nesses momentos a imaginação é estimulada por uma luz envolvida pelos calores do inferno ou pela brisa do paraíso. E as pessoas, então, vivem as dores da suprema alegria ou da suprema tristeza, ambas arranhando o peito com a mesma intensidade. E o Criador escolheu o futebol para mostrar as riquezas desse contraste.
Como palco dessa verdade, a Copa do Mundo de Futebol foi tomada como testemunha leiga. Nos tempos de ocorrência desse certame os céus recebem alaridos de dor e de alegria, provenientes de espectadores que estão olhando a mesma cena, e as lágrimas testemunham a verdade dessa divina contradição.
Os estádios futebolísticos, as mais requintadas catedrais dos tempos modernos, são sacudidos por ânsias inocentes que não buscam o conflito e sim o convívio entre irmãos, demostrando ser o mais claro momento em que os seres humanos demonstram que a fraternidade é possível.
O mês da Copa é o único e maior memento em que bilhões de habitantes do planeta buscam nas lágrimas anteparo tanto para a dor quanto para a alegria. E esses momentos são tão sacrossantos que essas lágrimas se misturam entre vencedores e vencidos. E depois que elas secam fica o suave e intocável registro pessoal deque as dores podem simbolizar vitória ou derrota, o que nunca será poluído pela fatalidade do tempo. E que foram capazes de mostrar o quanto elas foram capazes de espelhar a dimensão da força com que alguns povos amam sua Pátria.























































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