Por indicação da bancada do PRB, através da vereadora Manu CaliariMarlene Prawer Peccin receberá o Certificado de Mulher Cidadã, na área de ‘Mulher Destaque no Turismo’. A honraria foi aprovada na sessão ordinária de ontem (26), pelos demais Vereadores e a entrega se dará em sessão solene que acontecerá no final de maio, durante a Semana Legislativa.

Marlene Prawer Peccin – histórico e relatos

Em 1950, o então recém-formado em Odontologia, Jaime Prawer, resolve vir clinicar em Gramado por esta pequena cidade do interior não possuir dentista formado. Com a esposa, Maria Cardoso Prawer, fixa residência no centro de Gramado onde abre seu consultório. No quente fevereiro de 1953 nasce à filha Marlene.

Com um circulo de amigos já formados, e adepto a jogar tênis por lazer, na única quadra existente na cidade de propriedade particular do Dr. Neltz, começa a surgir o embrião do que seria o Gramado Tênis Clube de onde seu pai Jaime, foi sócio fundador e 1º presidente.

Aos dois anos os pais resolvem mudar para Porto Alegre, a mãe, deixa à querida Gramado com o coração apertado e a pequena Marlene, cresce ouvindo seus pais falarem da linda cidade em que ela havia nascido e dos anos felizes em que lá viveram.

Quis o destino, que 13 anos depois, o pai comprasse um chalé de madeira em Gramado e começassem a vir veranear na linda cidade.

Conhece Luciano que coincidentemente era filho de amigos dos pais, Almeris e Irma. Começam um namoro, e a jovem, agora, entrosa-se ao grupo do namorado, que, já na época trabalhava, a exemplo dos pais, para a comunidade, ajudando em eventos e festividades promovidas pelo Conselho Municipal de Turismo, onde o pai Sr. Almeris era presidente. Trabalhava com outros tantos jovens da cidade para montar e promover a festa máxima da comunidade, a Festa das Hortênsias.

Gramado nunca foi apenas um lugar bonito era um lugar onde o amor pela terra podia- se sentir no empenho destes jovens cujos pais transmitiam isto.

Com espírito empreendedor, o pai Jaime Prawer, aluga um prédio com vista linda para o Vale do Quilombo e ali monta uma churrascaria que fez enorme sucesso por ter toalhas e guardanapos de tecido nas mesas, garçons “pilchados” e o mais hilário, música ambiente clássica.

Não satisfeito, cria em Gramado o primeiro café colonial, o Bela Vista, em um chalé de madeira na estrada Gramado /Canela.

Mesmo vivendo em Porto Alegre, aos fins de semana, a família vinha para Gramado onde, ao invés de usufruir do fim de semana, trabalhava sempre pensando em trazer coisas de qualidade para sua cidade do coração.

Em janeiro de 1976 Luciano e Marlene casam-se e neste mesmo ano o empreendedor pai, após uma viagem, com os amigos, Almeris e Irma, para Bariloche, traz o que seria uma marca do município, juntamente com suas malhas e moveis artesanais. O Chocolate Caseiro Gramado, atualmente, chocolates Prawer. Em todas as suas embalagens, ia uma foto de Gramado com a frase “conheça mais o Brasil visitando Gramado”.

A Cantina Pastasciutta, primeira casa de massas de Gramado foi mais uma inspiração do meu pai e que somadas a tantas, certas ou erradas foi me dando a vontade de trabalhar pela cidade que meus sogros e meus pais tanto amavam.

O primeiro empreendimento de Marlene foi a Cerâmica Kumbuca, que abriu com sua cunhada Kika. De um atelier de garagem com três funcionários passou a uma pequena empresa com 12 funcionários que pacientemente ensinamos a trabalhar.

Mas, estava em tempo de começar uma família. Fecharam a Kumbuka e foram se dedicar aos filhos.

Neste período, o amigo Pedro “Bala” vence a primeira eleição para prefeito de Gramado. No segundo ano da administração convida o Luciano para integrar a Secretaria de Turismo e, como um jovem de muita visão para seu tempo, incumbiu o Luciano a mudar a cara do turismo da cidade.

O Festival de Cinema já existia e a Fearte também. A Festa das Hortênsias havia caído no esquecimento e motivado pelo desafio do Pedro, Luciano resolveu recriá-la fazendo com que esta fosse a alavanca de motivação do Gramadense para que ele se voltasse outra vez para sentir a sua comunidade e trabalhar por ela.

Fez-se a Festa das Hortênsias que foi a chave para a criação de outras duas festas importantes para o município, O Natal Luz e a Festa da Colônia.

Ela já havia sido contagiada pelo amor e vontade de trabalhar por Gramado.

Trabalhou, juntamente com Suzana Bertolucci, então 1ª dama, para transformar a Fearte em uma feira realmente Nacional de Artesanato. Aproveitando os programas governamentais de incentivo ao artesanato no Brasil, buscaram as primeiras damas estaduais e por telefone, passaram dias e horas para conseguir contato, conseguiram com que na primeira Fearte a qual se dedicou, conseguisse a adesão de 18 estados brasileiros que vieram, sem custo para Gramado, representar seus estados através de cooperativas. E assim foram pelos próximos três anos da administração.

O Natal Luz foi outro desafio imposto pela Festa das Hortênsias. O mês de Dezembro não existia para Gramado, tínhamos que pensar em algo que fizesse voltar a mídia para cá e reverter a situação de baixa temporada, onde alguns hotéis ate davam suas férias coletivas.

Mais uma vez usando a criatividade, a influência de seu pai, na época diretor da OSPA, e a garra para transformar Gramado, foi atrás de fazer a festa acontecer.

Na época, o Maestro Eleazar era o maestro titular da OSPA e a célebre frase dita por ele “decorem a cidade que a música eu faço” nos fez disparar numa corrida contra o tempo para que o Natal Luz acontecesse naquele ano ainda.

Decorar a cidade? O que seria isto? “Nunca tínhamos visto uma cidade decorada para Natal. Sem internet para pesquisar o que nos restou foi conversar com estrangeiros residentes em Gramado para deles colher informações de como era em seus países de origem. Assim se fez. Novamente convocamos as pessoas para formar comissões e viabilizar esta empreitada desconhecida”, explicou Marlene.

Festa da Colônia, outro braço da Festa das Hortênsias. Mais um desafio ao desconhecido. Fazer com que o colono comprasse a ideia de vir para a cidade mostrar sua força para o turista. E deu certo.

“Meu pai precisava de mim na empresa. A Prawer não podia ficar parada, tinha que ser o melhor chocolate. Aproveitando-me de um dom natural de um gosto muito apurado para degustação sensorial me envolvo com o desenvolvimento de produtos da empresa, viagem, pesquisa, comprar produtos no exterior e desseca-los para criar uma receita o mais próximo possível do original, fazer o controle de qualidade, era este meu trabalho. Mais desafios. Sou movida a eles”, disse Marlene.

“Aí vem o Casa da Montanha, mais uma de meu pai! Novamente precisava de mim. Aproveitando-me de um curso de Decorações de Interiores feito quando estava na faculdade e dotada também de um senso estético natural, me lancei em acompanhar o projeto de interiores do hotel. Veio, porém um momento ruim e este teve que parar. Volto-me então novamente para o chocolate e para ajudar, o Luciano que havia voltado para a Secretaria de Turismo na segunda gestão do Pedro após cinco anos afastado”, comentou a homenageada.

Luciano, disse ao Pedro, ‘temos que reinventar Gramado’. Lá vamos nós outra vez!

Incrementar os eventos, mudar algumas fórmulas e começa tudo de novo.

Mais quatro anos. Filhos crescendo, problemas aumentando, mas, GRAMADO PRECISAVA CONTINUAR.

Virada do século, Pedro volta à prefeitura e novo convite, mas desta vez, não dava mais. Precisávamos nos dedicar aos nossos negócios, muita coisa acontecendo. A empresa do Luciano adquire do meu pai o hotel que já estava a muito tempo parado. Volto a assumir agora totalmente a ambientação do empreendimento.

Felipe, meu filho mais velho, já formado em hotelaria, estava trabalhando na Disney contratado pela corporação.

 

MAS GRAMADO NÃO PODIA PARAR.

O Pedro no 3º mandato convida o Felipe, pois a experiência adquirida na Disney era muito importante para o município. Felipe pede demissão e volta para assumir a secretaria. Lá vou eu outra vez, agora como mãe. Lá vai a família ajudar a dar a reviravolta imposta pelo novo milênio.

Mas, mais desafios, a exposição estava maior, a mídia mais carente de novidades.

Inventar, reinventar GRAMADO NÃO PODE PARAR.

Nestas alturas dos acontecimentos eu já tinha três filhos: Felipe, Rafael e o Natal Luz. Este terceiro era o que me deu mais trabalho, mais noites sem dormir, mais madrugadas sentada anotando para não esquecer para o dia seguinte, mais dores de estômago e noites frias viradas, acompanhando de perto colocação de enfeites, luzes, ensaios de espetáculos.

MAS GRAMADO NÃO PODIA PARAR e eu tinha responsabilidade sobre isso.

Meu terceiro filho me foi arrancado. Mas, em todos os anos, dias e noites que eu pensei e trabalhei por minha terra natal, por nenhum destes momentos eu vacilo ou me arrependo. Penso que faria tudo de novo.

Portanto, me sinto confortável e ao mesmo tempo lisonjeada por esta homenagem, pois assim como eu, muitas mulheres e homens nascidos ou não em Gramado, que contribuíram de alguma forma para sermos o que somos, devem sentir-se honrados e orgulhosos por seu trabalho, na maioria das vezes voluntário, para que tantos se voltassem para esta cidade que é sem dúvida, um case nacional.