Esta semana nossa leitura é de Eckhart Tolle, do título  ‘O despertar de uma nova consciência’

 

Crédito: Tela Tomazeli

 

Se você tem filhos pequenos, ofereça-lhes toda a ajuda, orientação e proteção que estiver a seu alcance. Contudo, mais importante ainda é: dê-lhe espaço – espaço para que possam existir. Você os trouxe ao mundo, mas eles não são ‘seus’. A crença ‘Eu sei o que é melhor para você’ pode ser adequada quando as crianças são muito pequenas; porém, à medida que eles crescem, essa ideia vai deixando de ser verdadeira. Quanto mais expectativas você tiver em relação ao rumo que a vida delas deve tomar, mais estará sendo guiado pela sua mente em vez de estar presente para elas. No fim das contas, seus filhos cometerão erros e sentirão algum tipo de sofrimento, assim como acontece com todos os seres humanos. Na realidade, talvez eles estejam equivocados apenas do seu ponto de vista. O que você considera uma erro pode ser exatamente aquilo que seus filhos precisam fazer ou sentir. Proporcione o máximo de ajuda e orientação, porém entenda que às vezes você terá que permitir que eles falhem, sobretudo quando estiverem se tornando adultos. Pode ser que às vezes você também tenha que deixá-los sofrer. A dor pode surgir na vida deles de repente ou com uma consequência dos seus próprios erros.

 

Crédit: Tela Tomazeli

 

Não seria maravilhoso se você pudesse poupá-lo de todo tipo de dissabor? Não, não seria. Eles não evoluiriam como seres humanos e permaneceriam superficiais, identificados com a forma exterior das coisas. A dor nos leva mais fundo. O paradoxo é que, apesar de ser causada pela identificação com a forma, ela também corrói essa identificação. Uma grande parte do sofrimento é provocada pelo ego, embora, no fim das contas, ele destrua o ego – mas não até que estejamos sofrendo conscientemente.

 

Crédito: Tela Tomazeli

 

A humanidade está destinada a superar o sofrimento, contudo não da maneira como o ego imagina. Um dos seus numerosos pressupostos errôneos, um dos seus muitos pensamentos enganosos é: ‘Eu não deveria ter que sofrer.’ Algumas vezes, essa ideia é transferida para alguém próximo a nós: ‘Meu filho não deveria ter que sofrer.’ Esse pensamento está na raiz do sofrimento, que tem um propósito nobre: a evolução da consciência e o esgotamento do ego.  O homem na cruz é uma imagem arquetípica. Ele é todo homem e toda mulher. Quando resistimos ao sofrimento, o processo se torna lento porque a resistência cria mais ego para ser eliminado. No momento em que o aceitamos, porém, o processo se acelera porque passamos a sofrer de modo consciente. Conseguimos aceitar a dor para nós mesmos ou para outra pessoa, como um filho ou um dos pais. Em meio ao sofrimento consciente existe já a transmutação. O fogo do sofrimento transforma-se na luz da consciência.

 

Crédito: Tela Tomazeli

 

O *ego diz: ‘Eu não deveria ter que sofrer’, e esse pensamento aumenta nossa dor. Ele é uma distorção da verdade, que é sempre paradoxal. A verdade é que, antes de sermos capazes de transcender o sofrimento, precisamos aceita-lo.

 

Crédito: Tela Tomazeli

 

*Ego e a Teoria de Freud

Segundo o Pai da Psicanálise, Sigmund Freud, o ego é um conjunto de hipóteses sobre o funcionamento do cérebro dos indivíduos, tomando como premissa o fato de que todo evento psíquico é determinado por eventos anteriores, o que leva à conclusão que, no mundo psíquico, não existem acasos.

A partir do conceito de Freud, o ego é o alicerce psicanalítico para descrever a psique, palavra que provém do hebraico e que significa alma, sendo este o elemento que existe em cada ser vivo, sendo o responsável pela capacidade de expressar as emoções.

O ego, portanto, é um elemento biológico e primitivo de nossa psique, atuando no inconsciente onde ficam reprimidos e guardados os traumas e desejos que deixamos escapar para o mundo, sempre motivados pelos eventos que marcaram nossa vida pregressa.

O ego nos permite sentir emoções boas e ruins, nos permite colocar uma máscara diante de situações que poderiam nos tornar vulneráveis, faz com que saibamos balancear a relação entre o princípio do prazer e o princípio da realidade e nos possibilita construir defesas para proteção contra o que nos ameaça, além de tornar possível a manifestação da libido. Fonte: https://www.meusdicionarios.com.br/ego